Dom Sebastião

  • por Doentes por Futebol
  • 6 Anos atrás

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Por Nilton Plum

O Sebastianismo foi um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI como consequência da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Por não ter herdeiros, o trono português foi colocado nas mãos do rei Filipe II do ramo espanhol da casa de Habsburgo. Restou um messianismo adaptado às condições lusas e à cultura nordestina brasileira. O Sebastianismo reflete uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressurreição de um morto ilustre.

Ocorre que o povo nunca aceitou a morte do rei, divulgando a lenda de que ele ainda se encontrava vivo, aguardando o momento certo para voltar ao trono e afastar a ameaça estrangeira.

Não há torcida mais Sebastianista no Brasil, quiçá no mundo, do que a rubro-negra. Sempre à espera de um novo Leônidas, de um novo Evaristo, de um novo Dida, de um novo Zico, de um novo Adriano. Possui seus ídolos, seus mártires, seus heróis, seu REI e seu Imperador. Sempre quando um sai de cena, a imprevisibilidade do futebol (muito generosa com a história Flamenga) trata de maquinar outro.

Hernane custou 1 milhão de reais ao Flamengo. Veio com idade já avançada com a chancela maior de ter sido vice-artilheiro de Neymar no Paulistão. Quis a ironia maldosa do destino que ele saísse de cena com uma contusão idêntica à que tirou Neymar da Copa. De jogador pra compor elenco, passou a reserva, de reserva passou a titular ocasional, de titular ocasional passou a titular, de titular passou a artilheiro, de artilheiro passou a jogador fundamental no elenco, de jogador fundamental passou a artilheiro do Brasil e entrou, ao lado de Elias, no seleto rol dos ídolos rubro-negros recentes. Hoje vai rumo a uma carreira merecidamente milionária por 7 vezes o seu valor (isso porque devido à sua lesão só entrou 14 vezes em campo em 2014, tendo marcado 6 gols). Vai com 48 gols, uma Copa do Brasil e um Estadual na bagagem. Nada mal pra quem só era lembrado por ser vice do Neymar. Não precisa mais apontar pro nome nas costas quando marca seu gol. Todos sabem bem quem ele é.

Todo meu respeito e admiração ao Hernane. Ele não é Dom Sebastião, não é Arthur retornando com a Excalibur, não é o Messias que voltará, não é o Brocador que tantos tentaram diminuir folclorizando burramente…

Hernane é gol.

Existe um vídeo na net com todos os gols dele pelo Fla. Opto aqui por escolher o gol dele que achei o mais bonito dentre tantos importantes que fez. Quando ele ainda era o jogador pra compor elenco…

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