Jovens: a aposta atual do Tottenham

Foto: Getty Images - Eric Dier começou muito bem sua trajetória pelos Spurs

Foto: Getty Images – Eric Dier começou muito bem sua trajetória pelos Spurs

Por O Futebólogo

Na última temporada, o Tottenham teve que lidar com a saída de sua grande estrela. O galês Gareth Bale partiu para o Real Madrid e encheu os cofres londrinos, dando ao torcedor a esperança de que, com bons investimentos, o clube poderia afirmar-se no topo da tabela da EPL. Não foi o que aconteceu.

Fazendo muitas apostas, sobretudo vindas de outras ligas, faltaram para o clube as certezas e assim vieram os resultados decepcionantes. Até mesmo a manutenção do treinador André Villas-Boas mostrou-se equivocada, tendo o mesmo sido demitido na metade da temporada, que terminou sendo conduzida por seu interino, o inglês Tim Sherwood. As dificuldades eram tantas que foi necessário recorrer ao experiente centroavante Emmanuel Adebayor, que, antes escanteado, virou peça-chave no decorrer da temporada e começa esta em alta.

Assim, buscando não repetir os fracassos do último ano – como as duras goleadas contra Liverpool e Manchester City -, a direção dos Spurs apostou em jovens, o que vale também para seu técnico. Mauricio Pochettino, 42 e ex-Southampton, ficou reconhecido por seu belo trabalho nos Saints, sobretudo com jogadores de pouca idade (Calum Chambers, Luke Shaw e James Ward-Prowse são bons exemplos disso), e, à primeira vista, parece ter sido uma escolha extremamente acertada do clube Londrino.

Foto: Getty Images - Pochettino tem bom histórico na gestão de jogadores jovens

Foto: Getty Images – Pochettino tem bom histórico na gestão de jogadores jovens

Novamente, nesta temporada, não vieram as certezas. Os jogadores que chegaram – exceção feita ao argentino Federico Fazio, que já tem 27 anos – são todos pouco experientes e promissores e se juntam a outros (como Harry Kane), que formam o quinto elenco mais jovem da Premier League, com média de idade de 26 anos. Poderia ser o prenúncio de outra temporada abaixo das expectativas?

Ao que parece, não. De plano, já é possível perceber a evolução de alguns atletas. Erik Lamela, que esteve na berlinda na última temporada e agora tem sido titular, é o melhor exemplo disso – já registrando quatro assistências em três jogos. O trabalho do treinador, ainda que seja muito recente, é perceptível. Não é comum um jogador com a juventude do defensor Eric Dier, de 20 anos, despontar na equipe titular tendo tanto destaque (em quatro jogos já registra dois gols).

Outro fator que deve ser levado em conta é o ganho de experiência de Premier League pelo qual passaram alguns jogadores na última edição do Campeonato – casos de Nacer Chadli, Cristian Eriksen, Lewis Holtby, Nabil Bentaleb e também Lamela. Não é fácil se ambientar e adaptar às exigências físicas do futebol bretão, como denotou a estreia do bom lateral Alberto Moreno, do Liverpool, quando, por um segundo de desatenção, deixou uma bola para Stevan Jovetic marcar para o Manchester City.

Foto: Reprodução - Futebol de Lamela começou a desabrochar

Foto: Reprodução – Futebol de Lamela começou a desabrochar

Seja como for, chegaram poucos reforços. De novo, o clube tem o já citado Dier, ex-Sporting CP, o goleiro Vorm (que chega para reserva), o lateral esquerdo Ben Davies, ex-Swansea, o zagueiro Federico Fazio, ex-Sevilla, e o lateral direito DeAndre Yedlin (promissor lateral direito norte-americano, que foi emprestado ao Seattle Sounders). Além disso, o clube perdeu apenas o experiente Michael Dawson, que já não vivia bom momento, e o polivalente Gylfi Sigurdsson, que retornou ao Swansea.

As principais apostas da equipe são o trabalho do treinador e a consequente evolução de alguns jovens. Assim sendo, a esperança dos Spurs reside, acima de tudo, no maior rendimento dos investimentos da última temporada, o que, ao que tudo indica, está acontecendo. Agora, só nos resta acompanhar a trajetória do Tottenham. O próximo desafio já está batendo à porta: o Liverpool, neste domingo.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.