Michy Batshuayi: a aposta de Bielsa

Foto: Maryll Vian - OM.net

Foto: Maryll Vian – OM.net

Falar que a geração belga é Talentosa™ virou quase um clichê entre os doentes por futebol. Muitos gostam, outros tantos desgostam do espaço que ganham, mas o fato é que a Bélgica vem fornecendo bons valores há alguns anos. Um destes novos talentos se tornou uma das apostas do argentino Marcelo “El Loco” Bielsa no Olympique de Marseille. Falo de Michy Batshuayi, atacante de apenas 20 anos.

O atleta, que nasceu em Bruxelas mas possui dupla nacionalidade (tem ascendência congolesa), defendia o Standard de Liège nas últimas temporadas. O sucesso foi tanto que teve seu nome ligado a clubes como Everton, Arsenal, Benfica e Borussia Dortmund. Por fim, o OM deu o pulo do gato e o contratou para 2014/2015.

Mas ressalte-se que, até chegar a Liège, Batshuayi teve uma carreira de muitas mudanças. Logo com dez anos, começou a dar os primeiros passos como jogador no RFC Evere, clube situado em Bruxelas. Em 2004/2005, já vestia a camisa do time infantil do RUSA Schaerbeek, que também fica na capital belga. No ano seguinte, nova mudança, desta vez para o FC Brussels. Ali já era notado o primeiro crescimento do atacante, que ingressava num clube de primeira divisão (na última temporada, o time foi rebaixado à terceira divisão e declarou falência).

Quem notou esta evolução também foi o tradicional Anderlecht. Às vésperas de completar 100 anos, a equipe da capital o contratou, porém, pouco aproveitou o futebol do garoto. Devido ao comportamento ruim, Batshuayi mal jogou na base e foi mandado embora, retornando, então, ao FC Brussels. Mas nem todas as portas se fecharam para o garoto e, em 2008, o Standard de Liège surgiu em sua vida.

Ascenção

Foto: Standard de Liège - Site oficial

Foto: Standard de Liège – Site oficial

Quando chegou ao novo clube, o belga tinha entre 14 e 15 anos. Em menos de dois anos, ele já debutava na equipe profissional. O técnico italiano Dominique D’Onofrio lançou o atacante de então 17 anos aos 38 minutos do segundo tempo na partida diante do Gent, em 20 de fevereiro de 2011. O Standard já perdia por 4×1 e Batshuayi entrou na vaga de Franck Berrier, mas o placar não foi alterado.

Aquela, entretanto, foi a única aparição do jovem na temporada. “Michy” chegou a ficar no banco na vitória por 3×0 sobre o Mechelen, mas não foi utilizado. Vale ressaltar que caras hoje conhecidas do futebol europeu vestiam a camisa do Standard de Liège na época, caso de Axel Witsel e Eliaquim Mangala.

Na temporada seguinte, Batshuayi começou a mostrar a que viria. Agora com Jose Riga no comando técnico, o centroavante passou a ingressar em mais partidas, incluindo jogos internacionais (primeiro pela 3ª fase da Liga dos Campeões e depois pela Liga Europa).

O primeiro gol como profissional saiu apenas em dezembro, em partida contra o Copenhague, na Liga Europa. O personagem principal desta matéria balançou as redes aos 31 minutos da etapa inicial. Aquele foi o primeiro e único gol do jogo vencido por 1×0 pelos belgas.

Menos de dez dias depois, ele voltou às redes, desta vez em dose dupla na Copa da Bélgica, no jogo de ida das quartas-de-final diante do Lierse. No primeiro gol, ele recebeu de Cyriac e, mesmo sendo puxado pelo zagueiro, ganhou a disputa e tocou na saída do goleiro adversário. Poucos minutos mais tarde, mostrou o porquê dos zagueiros não poderem falhar perto de si. Após cruzamento da esquerda, o defensor Frédéric Frans errou o corte e Batshuayi, com pouco ângulo, finalizou de pé esquerdo para fazer o segundo gol dele na partida. O jogo em questão terminou 2×1 para o Standard, mas na volta deu Lierse, devolvendo o 2×1 no tempo normal e aplicando o mesmo placar na prorrogação.

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Em janeiro de 2012, saiu o primeiro gol em Liège. Na goleada por 6×1 sobre o Germinal Beerschot, na 20ª rodada do Campeonato Belga, Batshuayi marcou o último tento bem ao seu estilo: bola em profundidade e tiro cruzado.

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Michy terminou a temporada 2011/2012 com nove gols em 33 partidas e logo em seguida ganhou duas convocações para a seleção sub-21 da Bélgica, pela qual, em dois jogos, fez dois tentos.

Turbulência e afirmação

Depois de não ganhar nada em 2011/2012, a expectativa do Standard de Liège era conquistar algum título na nova temporada. Porém, o novo técnico, o holandês Ron Jans, não parecia contar muito com Batshuayi e, nas primeiras dez rodadas do “belgão”, o utilizou apenas três vezes, sempre vindo do banco. Porém, um tropeço por 3×1 diante do Mons fez com que Jans fosse demitido.

Bastou o romeno Mircea Rednic assumir o posto de treinador que Michy voltou a ser utilizado. O atacante de 19 anos foi titular em quase todas as partidas, saindo do banco apenas cinco vezes. Ao término da temporada, ele tinha anotado 12 gols em 36 jogos, sendo o artilheiro da equipe.

Em 2013/2014, já com clubes de olho em seu futebol, Michy Batshuayi melhorou ainda mais o rendimento. Titular absoluto da equipe comandada pelo israelita Guy Luzon e formando interessante trio ao lado de Imoh Ezekiel e Paul-José Mpoku, o atacante participou de 49 partidas na temporada e foi às redes 23 vezes. De todos estes gols, 21 foram no Campeonato Belga, torneio no qual foi vice-artilheiro (atrás apenas do tunisiano Hamdi Harbaoui, do Lokeren, autor de 22 tentos).

Na 7ª rodada da competição, Batshuayi fez o primeiro hat-trick da carreira na vitória por 4×2 sobre o Oostende. Para melhorar ainda mais o feito, foi um hat-trick perfeito: o primeiro gol foi de cabeça, o segundo de pé direito e o terceiro de canhota.

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Um detalhe curioso da última temporada do atacante é que em todas as vezes que fez ao menos dois gols, o Standard de Liège fez pelo menos quatro.

Além disso, Michy Batshuayi recebeu o prêmio Chuteira de Ébano, que é entregue ao melhor jogador de origens africanas das três primeiras divisões belgas. Este prêmio já foi vencido nos anos 90 por nomes como Daniel Amokachi, Victor Ikpeba, Celestine Babayaro e Émile Mpenza, e mais recentemente por Vincent Kompany, Marouane Fellaini, Romelu Lukaku e Dieumerci Mbokani.

Michy, que jogou apenas nas seleções de base da Bélgica, ficou na lista de espera de seu país para a última Copa do Mundo.

O destaque foi tanto que não teve como o clube belga segurá-lo. Porém, enquanto muitos imaginavam que ele pararia na Premier League, o Olympique de Marseille de “El Loco” Bielsa surpreendeu e o trouxe para a França por sete milhões de euros, em contrato que durará por cinco anos.

Características

Foto: OM.net

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Muitos dizem que Batshuayi é uma mistura de Mario Balotelli e Romelu Lukaku. Tem 1,86 cm e é muito forte fisicamente. Assim como o atacante do Everton, Michy têm origens congolesas e toma algumas atitudes duvidosas fora de campo, como no caso de sua dispensa do Anderlecht.

Não importando com quem pareça, o novo reforço do Marseille tem faro de gol apurado. Com bom posicionamento e forte na disputa corporal, Batshuayi tem excelente finalização, especialmente de pé direito. O OM fez uma aquisição e tanto, ainda mais levando em conta que investiu em um atacante jovem que será lapidado por Bielsa.

E, logo no começo, o belga já mostrou a que veio. Michy marcou uma vez na vitória por 2×1 sobre o Benfica, duas vezes na goleada por 5×0 sobre o Willem II e uma vez no empate em 1×1 com o Bari.

A ótima geração belga™ está cada vez melhor, principalmente com nomes como Batshuayi ganhando mais espaço.

Ficha técnica:

Nome: Michy Batshuayi Tunga
Nascimento: 2 de outubro de 1993, em Bruxelas (Bélgica)
Altura: 1,86 cm
Posição: Atacante
Clube atual: Olympique de Marseille

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Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.