Nada pessoal, CBF

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Estádios na MLS tem 91% de ocupação média. (Imagem Divulgação / mlssoccer.com)

O Brasil é o país do futebol. Sétimo no ranking da FIFA, possui cinco Copas. Seus jogadores são conhecidos globalmente. O campeonato nacional é o 5º mais forte do planeta, segundo a IFFHS. O esporte rendeu aos cofres da Confederação Brasileira de Futebol R$ 452 milhões só em 2013, e movimentou no país quase R$ 3 bilhões em 2012.

Os EUA têm o esporte como o 5º mais praticado no país, e estão na 18ª posição no ranking da FIFA. Importam jogadores e nunca revelaram um único craque ou venceram um Mundial. Sua liga ainda não recebe muita atenção. A MLS – quem gere o campeonato é uma franquia, não a confederação – tem um acordo de R$ 25 milhões anuais.

As diferenças relativas ao tamanho do esporte em cada nação se refletem nas redes sociais. Enquanto a CBF possui 6,77 milhões de seguidores no Facebook, 2,25 milhões no Twitter e 313 mil no Instagram, a MLS tem 1,27 milhão, 589 mil e 95 mil seguidores, respectivamente.

Mas isso vai mudar. Talvez, quase tão rápido quanto você lê esse texto.

Enquanto os estádios daqui tiveram média de público de 12,9 mil e de ocupação de 38% na temporada 2012/2013, lá foram 18,8 mil e incríveis 91%. É que nos EUA, ao contrário do nosso “cada um por si”, a franquia incentiva a participação popular. Joga junto com os times. Porque tem consciência de que, pra crescer e lucrar, é necessário desenvolver o esporte. E a MLS usa as redes sociais extremamente bem a fim de atingir esse objetivo.

O acesso à internet, inclusive através de dispositivos móveis, e a tecnologia disponível nos estádios ajudam? Claro. Mas não é só por isso que eles se desenvolvem tão rápido, a ponto de atraírem cada vez mais craques mundiais e terem sua liga cotada pra se tornar uma das mais fortes em poucos anos. É que a MLS sacou seu papel no jogo, e entendeu que trabalhar em parceria com os clubes é bom pra todo mundo.

Compare o trabalho nas redes sociais citadas lá em cima, por exemplo. Ou o uso do Vine pela MLS (a CBF não tem). Reparem na diferença da linguagem utilizada, muito mais próxima do público no caso dos norte-americanos. No cuidado visual. Na promoção da interatividade. Imaginem como isso deve se refletir na vida real e influenciar na percepção que os brasileiros têm da instituição.

Nada pessoal, CBF. Mas o jeito que vocês lidam com a gente não é nada pessoal.

Texto originalmente escrito para o blog Tabelinha

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Sou coordenador de redes sociais do America-RJ e planejamento publicitário. Escrevo sobre marketing esportivo e futebol. Etc e tal.