O homem é Aránguiz

  • por João Almeida
  • 7 Anos atrás

Em pleno Gre-Nal, no primeiro no Beira-Rio desde sua reforma, Aránguiz se impôs. Não fugiu à sua responsabilidade e, de cabeça, abriu o caminho para a vitória colorada, no alto de seu metro e setenta. Foi somente uma amostra de seu repertório. Charles Aránguiz é um jogador moderno, que alia talento e dedicação. Faz gol de tudo quanto é jeito: de fora da área, de falta, de cabeça, com a direita, com a esquerda… É um oásis de lucidez em uma devastada terra que é o futebol brasileiro. Vê-lo jogar em gramados ruins e para públicos de dez mil pessoas é inexplicável e ao mesmo um deleite para todos os brasileiros apaixonados pelo esporte bretão.

Em meio a toda a soberba inerente aos brasileiros no âmbito do futebol, que já nasceram com o estigma de pentacampeões, o chileno se destaca. Ao mesmo tempo que se lamenta a entressafra brasileira no que tange aos jogadores, é possível ver outros países da América Latina sem a tradição de revelarem grandes talentos emergirem com gerações históricas – e o chileno é um dos expoentes da grande geração de seu país. No cenário atual, onde a defasagem do campeonato brasileiro para os europeus é cada vez mais abissal, é difícil entender porque Aránguiz segue por aqui e, portanto, só nos resta apreciá-lo enquanto há tempo.

O amor da torcida colorada pelo jogador foi à primeira vista. Chegou sem grande pompa e circunstância em meio às despedidas de jogadores mais midiáticos como Leandro Damião, Forlán e Scocco e, em suas primeiras atuações, já mostrou a que veio. Brilhou no Campeonato Gaúcho. No Brasileirão, começou marcando. Na Copa, acabou com a seleção campeã anteriormente. É hoje um dos melhores jogadores do campeonato nacional e surpreende a cada cotejo. Já são três gols e duas assistências em seis jogos, uma marca incrível para um volante.

Aliás, é difícil defini-lo taticamente. Não entrarei neste mérito, pois não é preciso. Aránguiz é volante quando sente que deve sê-lo. Sua posição em campo é facultativa e transita em todas as faixas da cancha conforme a necessidade. Se necessário cobrar faltas, o fará; se tiver que bater pênaltis, não se absterá – e o fará de seu jeito característico, com um chute muito forte e, a primeira vista, displicente, porém indefensável. Não foge da responsabilidade, não sente o jogo. Não temeu a Espanha, assim como não o fez diante do Grêmio. Fez gol e só não foi protagonista solitário pois Claudio Winck não quis e resolveu dividir o protagonismo ao optar pelo drible ao invés de lhe conceder o segundo tento.

Precisou de meio ano para se estabelecer no rol dos melhores estrangeiros que por aqui passaram. Por estas bandas, enche os olhos dos brasileiros, assim como encheu os de todo o mundo ao ter atuação brilhante no histórico jogo do Chile contra a Espanha na Copa do Mundo. Será difícil o Inter mantê-lo jogando por aqui por muito tempo. Seu futebol clama por condições melhores. Aránguiz é especial, é diferente. É fora de série – como nosso futebol, hoje, não é.

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