O que esperar de Balotelli, o novo Red?

Na última temporada, o Liverpool superou todas as expectativas do público. Encaixadinho, rápido e muito móvel, o time inglês mostrou um futebol belo e poderoso, evidenciado pelas marcas artilheiras de Luis Suárez e Daniel Sturridge, pela criatividade de Philippe Coutinho e a velocidade de Raheem Sterling. No entanto, o sucesso teve um preço e o Suárez partiu, deixando uma lacuna. Para seu lugar, Mario Balotelli desembarcou em Anfield. Já longe das expectativas do início de sua carreira, o futebol do italiano tem a grande chance de desabrochar. Depois de ser protagonista em um Milan fragilizado, chega ao clube inglês sem tanto peso. Como chega e o que devemos esperar do Super Mario?

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Por Tiago Lima Domingos e Wladimir de Castro Rodrigues Dias

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A passagem pelo Milan

Mario Balotelli chegou ao Milan no último dia da janela de janeiro de 2013 e encontrou ali uma torcida carente e à procura de um novo ídolo, após as perdas de Thiago Silva e Ibrahimovic, vendidos no início da temporada. O impacto do novo ídolo, que nunca escondeu sua preferência pelo Rossonero em Milão, foi imediato. Três dias após sua chegada, Balotelli anotou dois gols na virada do Milan sobre a Udinese e se tornou fundamental para a classificação inesperada do clube à Champions League 2013-14.

Foto: Giorgio Perottino - Com El Shaarawy, Balo viveu bons momentos no início de sua trajetória no Milan

Foto: Giorgio Perottino – Com El Shaarawy, Balo viveu bons momentos no início de sua trajetória no Milan

Os primeiros seis meses de clube foram os melhores momentos de Balotelli no Milan. Jogando centralizado no 4-3-3 de Massimiliano Allegri, Mario logo assumiu o protagonismo que muito se esperava em sua chegada. Em 13 jogos na temporada, anotou em 9 deles, totalizando 12 gols, marca extremamente expressiva. É possível dizer que se Mario Balotelli não desembarcasse em Milão, o Milan não teria conquistado a vaga na Champions League da temporada passada.

O Milan iniciou 2013-14 ainda muito enfraquecido em relação aos rivais, sobretudo a Juventus, e Balotelli tinha a missão de carregar um time inteiro nas costas. Para piorar, Stephan El Shaarawy, jogador com o qual poderia dividir o protagonismo, passou a temporada quase inteira machucado. Coube a Mario a dura tarefa de sustentar um Milan pobre tecnicamente, e desarrumado taticamente (o técnico Allegri foi demitido e seu sucessor, Seedorf, não conseguiu arrumar o time). Balotelli falhou em sua missão e, para o Milan, 2013-2014 tornou-se uma temporada a ser esquecida.

Os números de Super Mario foram muito menos expressivos que em sua temporada de estreia. Se em 2012-13 anotou 12 vezes em 13 partidas, em 13-14 precisou de 30 jogos para marcar apenas 14. Ao todo, foram 18 gols em 41 jogos do período e uma certeza: o atacante não mostrou a evolução que se esperava, muito em função do enfraquecido elenco Rossonero.

Foto: Reprodução - Com Kaká, seu desempenho já não foi tão bom

Foto: Reprodução – Com Kaká, seu desempenho já não foi tão bom

Opinião

Balotelli já não é mais nenhum garoto. Com 24 anos, nunca explodiu da forma que se esperava. É bem verdade que as escolhas de clube nunca foram as mais corretas. Na Inter, quando teria mais espaço, preferiu o dinheiro do City. Na Inglaterra, enfrentou uma brutal e desnecessária concorrência. Quando se mudou para um clube em que seria protagonista, optou por uma equipe decadente, que o acolheu pelas demonstrações de apreço quando jogava pelo rival. Balo não é refém de suas escolhas apenas. Talvez tenhamos o superestimado demais. É inegável que ele é um atacante de muitas qualidades, mas que não foram vistas com a regularidade que um jogador tratado da forma que é deveria mostrar.

A transferência para o Liverpool acaba sendo boa para todo mundo. O Milan não fica dependente de um atacante com o qual não se pode contar diante de um elenco enfraquecido. O Liverpool recebe um bom jogador com grandes margens de evolução por uma quantia justa. Diante do preço e das opções, os Reds fizeram a escolha certa. Já Balotelli pode ter o mesmo caminho de Coutinho. Numa liga mais competitiva, em um time já pronto, esperando a chegada de um 9 capaz de substituir minimamente Luis Suaréz, Balo tem uma grande chance em sua carreira. Se saberá aproveitar, somente o futuro dirá.

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O encaixe de Balotelli no Liverpool

Time que ficou marcado pela grande mobilidade na última temporada, o Liverpool pode ter em Mario Balotelli uma grande opção. Apesar de não ter a mesma capacidade de movimentação e trocas de posições que o uruguaio Luis Suárez, o italiano está longe de ser um centroavante “paradão”. Considerando que seu provável companheiro, o excelente Daniel Sturridge, tem muita afeição pela movimentação, o time não deverá se modificar tanto e, além disso, ganha mais força na bola aérea, já que Balotelli tem 1,89m.

Apesar de, em sua última temporada no Milan, ter atuado na maior parte das vezes isolado no ataque, contando com a aproximação dos meias, sobretudo Kaká, Keisuke Honda e Adel Taarabt, Super Mario já jogou com diferentes formatações de ataque, o que certamente terá grande valia para o treinador Brendan Rodgers.

Foto: Reprodução - Balotelli chega para ser a principal referência do ataque dos Reds

Foto: Reprodução – Balotelli chega para ser a principal referência do ataque dos Reds

Se na última temporada foi, usualmente, o “1” do esquema tático 4-2-3-1, em sua passagem pelo Manchester City atuou muitas vezes ao lado de outro atacante, casos em que montou parcerias com Carlos Tévez, Kun Agüero e Edin Dzeko, em um 4-4-2. Na Internazionale, por sua vez, chegou a jogar no 4-3-3, compartindo a frente com Samuel Eto’o, Diego Milito e Goran Pandev. Em todos os clubes e funções, considerando seu tempo de jogo, apresentou desempenho semelhante, mostrando-se apto nos diferentes postos.

Adaptável a várias funções com múltiplas possibilidades, Balo tem muitas chances de se dar bem nos Reds. A incógnita que se firma na sua nova empreitada tem muito mais a ver com seu comportamento extracampo do que com seu desempenho entre as quatro linhas. Como o Liverpool acabou de vender Suárez, também centroavante, é possível – e provável – que Rodgers mantenha a formatação tática da última temporada, mas, se for o caso, também pode fazer diferentes opções.

Sua vaga, naturalmente, é a deixada pelo uruguaio e a tendência é que o clube continue jogando da mesma forma que em 2013-2014, com dois meias abertos, de muita mobilidade, Coutinho e Sterling – e agora também Adam Lallana e Lazar Markovic, novos contratados – sempre trocando de posições, evitando ao máximo o jogo estático. Com Balotelli, Sturridge continua tendo um parceiro com quem alternar funções e dialogar.

Posicionamento

A – Em um 4-4-2 tradicional, Sturridge e Balotelli podem atuar mais isolados, no ataque dos Reds.

B – Com a opção de Sturridge pelos lados do campo, surge uma interessante possibilidade de movimentação, em um 4-3-3, com o avanço de Sterling ao último setor. Nela, os dois ingleses podem mudar constantemente de posição com o italiano.

C – Em uma condição que se assemelha ao esquema 4-4-1-1, ou, eventualmente, 4-2-3-1, Sturridge e Balo podem se revezar na função de centroavante, com um deles sempre vindo de trás.

Bom com jogadores jovens e responsável por colocar Daniel Sturridge e Luis Suárez nos trilhos, Brendan Rodgers parece capacitado para lidar com o Super Mario, que, tecnicamente, é uma excelente e versátil opção de ataque para os Reds, sendo útil como goleador e também como assistente.

Comentários

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.