Olhando do alto do viaduto

  • por Matheus Mota
  • 7 Anos atrás

No começo do ano, publicamos um artigo sobre o início da Série C do carioca, que pode ser visto aqui. Na ocasião, mencionamos a presença na competição do tradicional São Cristóvão, clube que provavelmente vive o pior momento de sua história. Além do fato de estar na série C estadual, a instituição sofre com a falta de dinheiro, tanto para contratar jogadores quanto para efetuar as tão necessárias reformas no Figueira de Melo, atualmente interditado. A interdição do estádio normalmente prejudica apenas o clube, já que um viaduto da Linha Vermelha vizinho ao prédio permite que os jogos sejam assistidos “de camarote”, fazendo deste um palco emblemático do futebol carioca. Entretanto, do jeito que as coisas estão, a equipe sequer pode mandar as partidas com os portões fechados, tanto que o próximo jogo, dia 17/08 contra o Artsul, será na rua Bariri, casa do Olaria.

Pelo cenário não ser dos melhores, as expectativas sobre a equipe da Zona Norte não eram muito grandes. No entanto, depois de muitos anos, o São Cristóvão contraria os prognósticos e vai muito bem na Terceira Divisão. Até o momento, o clube está invicto, com 8 vitórias e 3 empates em 11 jogos, com um saldo positivo de 23 gols. No que se refere ao ataque, não dá para deixar de mencionar a ótima fase de Raí e Tiago Amaral, que, com 8 gols cada, só estão atrás de Eduardo, do São Gonçalo FC, que converteu 12 tentos na competição.

E falando em São Gonçalo, pode-se dizer que este é o maior adversário do São Cri Cri no momento. Na 2ª fase da competição, o SGFC venceu todos os 5 jogos até aqui, enquanto o clube cadete empatou um. Por isso, o elenco e a comissão técnica do São Cristóvão encaram o encontro entre as duas equipes, marcado para a 8ª rodada, como uma final antecipada. Vale lembrar que apenas o líder do grupo consegue o acesso – pelo regulamento, na 2ª fase são dois grupos de 6 clubes, em que os líderes de cada grupo, além de fazerem a final, são promovidos para a Série B.

Voltar para a 2ª Divisão é uma meta um tanto quanto modesta para um time tradicional como o São Cristóvão, campeão carioca de 1926 e clube formador de Ronaldo (feito que a instituição faz questão de lembrar, estampando no estádio os dizeres “Aqui Nasceu o Fenômeno”), mas tudo começa em algum ponto. O essencial é ver a equipe voltar a vencer, mesmo que seja em situações menos glamorosas que as de outrora. Nesse sentido, 2014 pode ser o marco inicial da reconstrução de um dos “pequenos grandes” do Rio.

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Paulista e torcedor do Santo André. Historiador, acompanha o futebol como um todo, mas sobretudo o lado mais alternativo da coisa.