Palmeiras – A máquina de 1996

  • por Lucas Sartorelli
  • 6 Anos atrás

Esquadrão. Não há melhor termo para definir o que foi o time do Palmeiras no primeiro semestre de 1996. Campeão paulista de maneira absolutamente incontestável, só não protagonizou uma história maior porque foi desmontado de modo incisivo antes mesmo de decidir a Copa do Brasil, título que poderia levá-lo à Libertadores do ano seguinte.

O time começava com Velloso em ótima fase, e contava com dois ótimos laterais – Cafu, de tanta história na seleção brasileira e Júnior, que aliava velocidade e habilidade de forma rara. A zaga tinha o grandalhão e seguro Cléber, que fez muitos gols naquele ano, e Sandro Blum. No meio, os cães de guarda Amaral, Flávio Conceição e algumas vezes Galeano, davam suporte para o melhor quarteto ofensivo do futebol brasileiro em muito tempo. Luizão nunca foi um gênio, mas aproveitava com um oportunismo brilhante as chances criadas pelos geniais Djalminha, Muller e Rivaldo.

O técnico era ninguém menos que Vanderlei Luxemburgo, que após tirar o alviverde da fila anos antes, voltava para comandar o famoso “ataque dos 100 gols”.

Foi a melhor campanha na história do Paulistão em todos os tempos. Com um histórico de 30 jogos, 27 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota (contra o Guarani em Campinas), 19 gols sofridos e espantosos 102 gols marcados (média de 3,4 gols por partida), o Palmeiras arrebentou naquele ano, triturando tudo e todos que tiveram o azar de ficar frente a frente com esta verdadeira máquina, montada e nutrida com o aval financeiro da Parmalat, parceira do Palmeiras na época.

Dentro ou fora de casa, a superioridade com que o Palmeiras se impunha sobre os adversários assustava. A naturalidade com que as jogadas eram armadas e os gols saiam mostravam cada vez mais do que aquele time era capaz, como nas goleadas de 6 a 1 sobre a Ferroviária, 7 a 1 no Novorizontino, 8 a 0 diante do Botafogo e o impressionante 6 a 0 sobre o Santos em plena Vila Belmiro.

Eleito por muitos que não acompanharam o Santos de Pelé como a melhor equipe que já adentrou um campo de futebol no Brasil, esse verdadeiro time dos sonhos, apesar de ter durado tão pouco tempo, vai permanecer para sempre no imaginário futebolístico.

Relatos da época

A orquestra do Palmeiras conta com 11 diretores e outros tantos primeiros violinos. Massacram. Humilham. Vencem. Marcam.

(Revista Guerin Sportivo, a principal sobre futebol da Itália)

Eles atacam com os alas, a gente tenta neutralizar os alas. Aí, eles atacam pelo meio, e você tenta neutralizar também o meio. Aí, eles vêm na diagonal, e a gente tenta bloquear a diagonal. Se a gente consegue mesmo bloquear tudo, aí vem o Cleber de trás e marca.

(Leal, técnico do América de Rio Preto em 1996)

Eles foram muito cruéis com a gente.

(Taffarel, ex goleiro, após seu time, o Atlético MG, ser goleado por 5×0 na Copa do Brasil)

Campanha do Palmeiras no Paulistão de 1996

Palmeiras 6 x 1 Ferroviária
Novorizontino 1 x 7 Palmeiras
Palmeiras 3 x 0 Mogi Mirim
União São João 0 x 0 Palmeiras
Palmeiras 4 x 1 Juventus
São Paulo 0 x 2 Palmeiras
Palmeiras 3 x 1 Portuguesa
Corinthians 1 x 3 Palmeiras
Palmeiras 3 x 1 Guarani
Araçatuba 1 x 2 Palmeiras
Palmeiras 4 x 1 Rio Branco
Botafogo 0 x 8 Palmeiras
Palmeiras 6 x 0 América
Santos 0 x 6 Palmeiras
Palmeiras 4 x 0 XV de Jaú
Ferroviária 1 x 5 Palmeiras
Palmeiras 4 x 0 Novorizontino
Mogi Mirim 1 x 2 Palmeiras
Palmeiras 5 x 0 União São João
Juventus 1 x 5 Palmeiras
Palmeiras 3 x 2 São Paulo
Portuguesa 1 x 2 Palmeiras
Palmeiras 2 x 2 Corinthians
Guarani 1 x 0 Palmeiras
Palmeiras 3 x 1 Araçatuba
Rio Branco 1 x 2 Palmeiras
Palmeiras 4 x 0 Botafogo
América 0 x 1 Palmeiras
Palmeiras 2 x 0 Santos
XV de Jaú 0 x 1 Palmeiras

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.