Romagnoli, o Sr. Ciclón

Foto: Getty Images - Romagnoli é quase uma bandeira do San Lorenzo

Foto: Getty Images – Romagnoli é quase uma bandeira do San Lorenzo

Por O Futebólogo

Não é raro ver jogadores de boa qualidade, que aparecem como potenciais futuros craques, mas só conseguem ter desempenho destacável em um clube. Leandro Romagnoli, camisa 10 do San Lorenzo, pode ser considerado um destes exemplos. Cria do clube de Almagro, o meia surgiu em 1998, com apenas 17 anos, e rapidamente começou sua exitosa trajetória no clube.

Em seus primeiros seis anos na equipe, Pipi, como é conhecido, conquistou títulos – um Campeonato Argentino, uma Copa Sul-Americana e uma Copa Mercosul – , encantou companheiros, treinadores e analistas com sua rara qualidade de passes, circulação da bola e cobranças de faltas precisas. Para o mundo parecia claro que um novo “camisa 10” clássico argentino aparecera. Bem cotado, depois de passar pelos escalões inferiores da Seleção Argentina (e conquistar o Mundial Sub-20, de 2001), ganhou, inclusive, uma oportunidade na equipe principal, em 2003, a qual seria a única de sua carreira.

Foto: Reprodução - Ainda garoto, representando a Seleção Argentina

Foto: Reprodução – Ainda garoto, representando a Seleção Argentina

Rapidamente, a jovem estrela hermana deixou sua casa. Após uma rápida passagem pelo Veracruz, do México, e por uma carreira no futebol europeu, rumou para o Sporting CP, onde presenciaria a ascensão de figuras importantes para o futebol luso, como, por exemplo, João Moutinho e Rui Patrício, faria ótimos jogos, sofreria com lesões e não evoluiria. A teoricamente boa escolha pelos Leões, como porta de entrada no Velho Continente, provou-se, com o tempo, que era errada. Quando deixou Portugal, não partiu para uma empreitada mais desafiadora, mas retornou ao lar.

Como diz o ditado: “o bom filho à casa torna”. Com dois títulos da Taça e da Supercopa de Portugal cada, e depois de enfrentar problemas com o treinador Paulo Bento, que o preteriu no início da temporada 2009/2010, retornou ao lugar de onde nunca deveria ter saído. De volta aos campos que o modularam como jogador, voltou a apresentar um futebol de grande qualidade.

Foto: AFP - No Sporting, fez meio-campo com Miguel Veloso e João Moutinho

Foto: AFP – No Sporting, fez meio-campo com Miguel Veloso e João Moutinho

Apesar do bom futebol, Romagnoli continuou sofrendo com lesões e com a consequente e gradual perda de suas condições físicas. Mas, mesmo assim, seguiu sendo vital para as pretensões dos Cuervos – fossem elas a luta contra a parte de baixo da tabela ou por títulos. Depois de conquistar o Torneio Apertura 2013, voltou a poder disputar uma Copa Libertadores, a qual o consagraria definitivamente como um dos maiores de todos os tempos do clube. Antes da finalíssima, resumiu, ao site oficial da FIFA, o que todos os envolvidos na causa Azulgrana sentiram:

“Foi uma espera de muitos anos por jogar esta final e dá para sentir toda esta ansiedade, este nervosismo das pessoas e do clube. Minhas sensações são as mesmas que as de todas elas (…) Apesar de a Mercosul e a Sul-Americana terem sido muito importantes, o que as pessoas realmente querem é a Libertadores. Conquistá-la, para mim, seria como ganhar uma Copa do Mundo, por tudo que ela significa para o clube. Não tive a chance de jogar uma Copa do Mundo e sinto como se fosse assim”

Agora aliviado e campeão, Romagnoli se afirmou como o maior campeão da história do clube e, além disso, é o único jogador que esteve em todas as conquistas internacionais da história do Ciclón. Com o dever cumprido, o craque pode estar se despedindo mais uma vez do Nuevo Gasómetro. Apesar de ter se arrependido posteriormente, assinou compromisso com o Bahia e garantiu que se apresentará ao clube.

Pode ter feito sua despedida final do time que o criou, o maturou e lhe permitiu uma carreira recheada de títulos, aos 33 anos. Todavia, mesmo que este seja o fim de um relacionamento contratual, a relação maior, afetiva, perdurará para sempre, pois, se o San Lorenzo deu tudo a Romagnoli, o craque-torcedor capitaneou o clube na senda rumo ao grande título que lhe faltava.

Foto: AP Photo/ Victor R. Caivano - Romagnoli teve a responsabilidade de levantar a taça dos Cuervos

Foto: AP Photo/ Victor R. Caivano – Coube a Romagnoli levantar a taça

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.