Três times e um mesmo problema

  • por Henrique Souza
  • 5 Anos atrás

Embora em momentos diferentes na temporada, Santa Cruz, Náutico e Sport têm algo em comum nos seus elencos este ano. Os três grandes times de Pernambuco enfrentam dificuldades em encontrar um jogador responsável pela armação da equipe, alguém para comandar o meio-campo e criar chances para os seus atacantes.

Esse problema ficou bem claro nas últimas partidas dos pernambucanos. No sábado, o Clássico das Emoções vencido pelo Santa Cruz no Arruda foi um jogo em que, especialmente no primeiro tempo, a ausência de criatividade ficou clara para ambos os lados. Times abusando dos chutões, ligação direta e bolas aéreas, fazendo uma partida de baixa qualidade. Na etapa final, o Santa Cruz soube se organizar melhor e se sagrou vitorioso.

O Sport, por sua vez, evidenciou ainda mais seus problemas de criação nas derrotas para Figueirense e Flamengo. A equipe não fez bons jogos e, após sofrer o primeiro gol dos catarinenses e cariocas, não teve forças para reagir, assim como em todas as suas derrotas no Brasileirão. Sem criatividade, apenas as bolas paradas e cruzamentos são as armas ofensivas dos pernambucanos. Neto Baiano, único centroavante do time titular, pouco toca na bola, permanecendo isolado entre os zagueiros.

O Santa Cruz viveu problemas no setor nos primeiros meses da temporada. O meia Raul, principal articulador da equipe no ano passado, entrou em má fase e saiu do time, deixando vaga a função de armador. Danilo Pires, Carlos Alberto e Wescley foram contratados para o setor, apesar do primeiro jogar mais como volante. Além deles, Renatinho e Natan também podem atuar na função. O último é talvez o mais talentoso da posição e já mostrou qualidade quando esteve em campo, mas sofre com seguidas lesões e não consegue engatar uma longa sequência de jogos.

O Náutico passa por um momento de renovação. Após a queda para a Série B e a necessidade de equilibrar as delicadas finanças do clube, a diretoria aposta em jogadores jovens e baratos, com potencial para render retorno financeiro no futuro e em empréstimos de atletas encostados em outros times. Quarenta e cinco jogadores já foram contratados esta temporada e outros tantos já deixaram o clube. Os alvirrubros, a exemplo do Santa Cruz, também contam com uma promessa no elenco, o meia Marcos Vinícius. Apesar do potencial já demonstrado no Campeonato Pernambucano, o jovem ainda sofre com uma certa inconstância, própria da idade. A bola da vez é o argentino Cañete, contratado por empréstimo junto ao São Paulo, que não deixou boa impressão ao ser expulso na sua estreia.

Já o Sport tem uma deficiência na criação desde o início do ano, após a saída de Lucas Lima. Aílton, Renan Oliveira, Ananias e Zé Mário já passaram pelo setor, sem nenhum se firmar até o momento. Nas primeiras partidas da temporada, até o jovem Everton Felipe, de apenas 17 anos, foi utilizado. Durante a parada para a Copa do Mundo, muito se falou na contratação de um meia de nome, um jogador experiente e já com a qualidade reconhecida. A diretoria até tentou trazer o argentino Riquelme, mas, após uma longa negociação sem sucesso, o escolhido foi Régis, meia que se destacou na Chapecoense e que chega mais como aposta do que como solução. Embora Régis tenha tido uma boa estreia, marcando gol no empate contra o Atlético-PR, as fichas são depositadas em Diego Souza e Ibson, as prometidas contratações de peso, que podem atuar tanto vindo de trás como mais à frente no meio campo.

No futebol, a meia-cancha é um setor fundamental. O time que tem um meio-campo mais eficiente do que o adversário controla a partida. E o jogador responsável pela criação é vital para o funcionamento deste setor da equipe. Aqui no Brasil, onde volantes que armam o jogo ainda são escassos, é impossível imaginar um time fazendo uma boa campanha sem alguém capaz de criar jogadas

Comentários

Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.