Uma nova etapa

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

O desafio do Atlético de Madrid na nova temporada não é simples. O último clube além de Barcelona e Real Madrid a conquistar um bicampeonato consecutivo na Liga Espanhola foi o Athletic Bilbao, em 1983 e 1984. Para se unir a este grupo, o time comandado por Diego Simeone aposta na manutenção da base e na continuidade da boa fase de peças individuais como Juanfran, Miranda, Godín, Tiago, Gabi, Arda e Koke.

Se, por um lado, as saídas de Courtois, Filipe Luís e Diego Costa dão a sensação de um Atlético mais enfraquecido, a cúpula colchonera foi perfeita nas reposições. Oblak e Moyá não têm a grife de Courtois, mas poderão ser tão úteis quanto. O espanhol vem de dois bons anos no Getafe e tende a competir com o ex-Benfica pela titularidade no Vicente Calderón. Griezmann e Mandzukic adicionarão qualidade ao sistema ofensivo, enquanto a permanência de Tiago, que voltaria ao Chelsea gratuitamente, foi comemorada por Simeone.

As novas contratações indicam que o treinador argentino irá voltar ao 4-2-3-1 com o qual venceu a Liga Europa em 2012. Cholo chegou a resgatar o sistema durante um pequeno período da temporada passada (quando Diego retornou ao clube em janeiro), mas fracassou de maneira retumbante. No momento mais crítico do Atléti na Liga, a equipe perdeu em consistência e equilíbrio e saiu da Andaluzia e Navarra derrotada por Almería e Osasuna: 2×0 e 3×0.

Foto: Reprodução Site oficial do Atlético de Madrid | Mandzukic, o novo camisa 9: características diferentes de Diego Costa

Foto: Reprodução Site oficial do Atlético de Madrid | Mandzukic, o novo camisa 9: características diferentes de Diego Costa

Além disso, reforçar o meio-campo deve facilitar a adaptação de Mandzukic ao estilo de jogo. Diego Costa tinha o costume de aparecer no meio para buscar a bola quando o Atléti não conseguia penetrar a área rival. A ligação direta a partir de Miranda ou Godin encaixava com as características do hispano-brasileiro. Por sua vez, o croata é um centroavante mais de área e precisa de um maior auxílio do meia e dos pontas para melhorar seu desempenho.

Por outro lado, o encaixe do novo módulo tático pode dar uma dor de cabeça a Simeone. Diferentemente de Griezmann, Arda Turan e Koke não são extremos genuínos. Eles adaptaram suas características às novas funções e, surpreendentemente, deram certo. O espanhol saiu-se brilhante de ponta direita no 4-4-2 de Simeone em 13/14, sendo crucial nos cruzamentos à área buscando Diego Costa. Com Mandzukic, um cabeceador de primeiro nível, é esperado que o treinador argentino não mude o posicionamento do segundo volante de origem. Mais acostumado a atuar pela esquerda, Griezmann deve “obrigar” Arda a se deslocar ao centro da linha de três.

O “novo” elenco oferece a Simeone ótimos titulares e bons reservas em todos os setores. Para superar a nova versão do Barcelona e o Real Madrid 2.0 de Ancelotti, o Atlético necessita da alta competitividade dos seus atletas, mantendo aceso o time que foi capaz de ficar seis jogos consecutivos sem perder para os catalães na temporada passada. A intensidade e consistência defensiva dentro das quatro linhas também serão primordiais para definir um período em que os rojiblancos defenderão, pela primeira em 18 anos, a taça da Liga Espanhola.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.