Vida nova para Jack Rodwell

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Arte: Fred Miranda

A recente transferência do jovem e talentosíssimo volante inglês Jack Rodwell para o Sunderland foi um excelente negócio para os Black Cats. E, digamos que de forma indireta, a transação também afetou de forma positiva o futuro da seleção da Inglaterra.

Isso se explica porque Rodwell é – e sempre foi – nome certo entre os principais jogadores jovens do país que terão a dura tarefa de renovar e recolocar a seleção inglesa no caminho do sucesso. Mas, vivendo às minguas no Manchester City da forma que estava (praticamente não jogava há muito tempo), Rodwell, de 23 anos, corria real risco de, com o passar do tempo, acabar se transformando em um meio-campista comum que outrora era dado como promessa. Um puro desperdício de talento!

Agora sob o comando de Gus Poyet no Sunderland, entretanto, o volante será lapidado para ser a estrela da equipe. Naturalmente, se espera que o futebol de Rodwell evolua de forma substancial ao longo da temporada. É nesse ponto da história que a seleção da Inglaterra irá se beneficiar.

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Rodwell já marcou um gol pelo Sunderland na atual Premier League (Foto: Getty)

Mas, independentemente do que aconteça em um futuro próximo, Rodwell já tem um bom motivo para comemorar. Lembrem-se que o volante contabilizou inacreditáveis 112 minutos em campo pelo City durante toda a edição da última Premier League. Na atual campanha, já conseguiu atingir os 131 minutos em ação.

Aliás, os 68 minutos em que Rodwell esteve em campo pelo Sunderland no último dia 16, diante do West Bromwich, na estreia da Premier League 2014-15, já tinham deixado a mensagem de que esta temporada poderia ser muito produtiva para o garoto revelado nas categorias de base do Everton. O gol de cabeça na partida contra o Manchester United no último domingo, então, serviu para reforçar ainda mais essa percepção.

Em recentes declarações, o técnico Gus Poyet afirmou esperar que Rodwell seja o coração que falta à equipe. Mas o problema é que o volante inglês, apesar de ser um jogador que demonstra enorme flexibilidade em chegar soberano ao campo de ataque e concluir bem ao gol utilizando ambas as pernas, não depende apenas de si próprio para atingir tal nível de eficiência. A razão saltou aos olhos no primeiro tempo da partida de estreia no Campeonato Inglês, quando “mataram o volante por não lhe darem a bola’’, palavras do próprio técnico uruguaio.

De fato, Rodwell precisa muito que seus companheiros assimilem rapidamente a maneira exata de enxergá-lo em campo. Por vários momentos, a bola, que poderia ter passado mais pelos pés do meia inglês para qualificar a saída de jogo dos Black Cats, não chegou. Desta forma, ao invés de ser mais participativo e injetar qualidade na criação, Rodwell acabou apenas exercendo a função de marcador (o que, obviamente, não é negativo, apesar de passar longe daquilo que Poyet realmente planeja).

‘’No segundo tempo (diante do West Brom), eu fiquei muito feliz. Aquilo foi o Jack Rodwell que nós queremos ver, conduzindo a bola, chegando à entrada da área, ganhando as bolas, girando, passando’’, disse Gus Poyet após o empate em 2×2 no estádio The Hawthorns.

Faltou fôlego

Foi estranho ter que engolir o empate por 2×2 entre Everton e Arsenal no último sábado, pela segunda rodada da Premier League. A equipe do treinador Roberto Martinez ficou longe de fazer uma partida perfeita em Goodison Park, mas a vitória parecia garantida até mais da metade do segundo tempo. O que se percebeu é que o Everton correu demais para construir o placar na primeira etapa e, nos momentos finais, teve de tentar combater um Arsenal que se mostrava melhor e mais ofensivo com a entrada de Olivier Giroud.

A dupla de zaga do Everton, Distin e Jagielka (principalmente este!), fazia um jogo seguro até os 33 minutos da segunda etapa, quando Santi Cazorla cruzou uma bola rasteira na área, nenhum dos dois conseguiu cortar e Aaron Ramsey completou para o gol. Jagielka, aliás, não merecia ter falhado no empate dos Gunners. Foi ele quem perdeu o tempo da bola no cruzamento de Monreal, que terminou com a cabeçada certeira de Giroud.

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Jornalista esportivo. Blogueiro na Gazeta Esportiva.com e colunista no Doentes por Futebol e Sportskeeda.com. E-mail: [email protected]