Volta ao passado

  • por Rogério Júnior
  • 6 Anos atrás

O péssimo aproveitamento dos pontos, o desgaste no vestiário e a insatisfação de boa parte da torcida foram os grandes responsáveis pela queda do treinador Celso Roth do comando do Coritiba, sacramentada na tarde deste domingo (24). A decisão foi tomada em comum acordo entre o próprio comandante gaúcho e toda a cúpula alviverde.

Roth deixa o Coritiba na 19ª colocação do Campeonato Brasileiro e com apenas três triunfos conquistados em 17 partidas disputadas – diante de Vitória, Goiás e Grêmio. Pela Copa do Brasil, alcançou vitórias sobre CENE-MS, Caldense e Paysandu. O aproveitamento geral ficou na casa dos 38%.

Contra o treinador, ainda pesavam outros dois fatores: a insatisfação da torcida e o desgaste no trato com os jogadores. O descontentamento do torcedor já se tornara visível nas arquibancadas do Couto Pereira e chegou ao seu ápice na última terça-feira (19) quando cerca de 50 integrantes de uma torcida organizada do clube foram ao Centro de Treinamento exigir a saída imediata do técnico. Já a relação pouco amistosa que Roth mantinha com os jogadores foi demonstrada de forma latente em entrevistas coletivas. Por várias vezes, o treinador reclamou abertamente da falta de qualidade do elenco, do escasso poder ofensivo e da falta de contratações por parte da diretoria.

Velho conhecido

A considerada última cartada coxa branca na fuga da segunda divisão é uma velha conhecida da torcida. Poucos instantes após anunciar a saída de Celso Roth, o Coritiba confirmou a volta de Marquinhos Santos ao comando técnico.

Atual campeão estadual pelo Bahia, Marquinhos Santos retorna ao clube exatamente 11 meses após a sua saída, ocorrida após uma derrota para o Itagüi Ditaires-COL no Couto Pereira. O comandante, que esteve a frente do clube durante pouco mais de um ano (entre 2012 e 2013), comandou o Coritiba por 69 jogos e obteve um aproveitamento de 57%.

Marquinhos Santos, que já dirigiu as categorias sub-15 e sub-17 da Seleção Brasileira, é a última esperança da torcida. É conhecido por saber utilizar e lapidar jogadores das categorias de base, além de mesclá-los com atletas mais experientes do elenco. Em meio a uma equipe toda remendada e de baixa qualidade técnica, os jovens podem ser a salvação de um ano perdido.

Roteiro

A partida diante do Flamengo, na próxima quarta-feira (28) pelas oitavas de final da Copa do Brasil, marcará não só a estreia de Marquinhos Santos, como também um fato curioso: será a terceira vez que o Flamengo será o adversário do Coritiba na estreia de um treinador nos últimos dois anos.

A primeira delas foi a do próprio Marquinhos Santos. Estreando diante do torcedor, numa noite de sábado, o Coritiba venceu o Flamengo pelo placar de 3×0 pela 23ª rodada do Brasileirão de 2012, com gols anotados por Éverton Ribeiro, Rafinha e Lincoln.

Já em 2013, a vez foi de Péricles Chamusca receber o rubro negro carioca no dia de sua estreia, também no Couto Pereira. O resultado, entretanto, foi adverso: derrota por 2×0 na 25ª rodada – gols de Wallace e André Santos.

Fim de feira

A troca repentina de comando técnico no Coritiba só prova o quão sem norte se encontra Vilson Ribeiro de Andrade, atual presidente do clube. Em fim de mandato, Andrade comprova que tomou uma decisão equivocada há menos de um ano a partir do momento que decide repatriar Marquinhos Santos.

O jovem treinador não era o maior vilão quando foi demitido, assim como Celso Roth é apenas mais um dos inúmeros problemas que assolam o Alto da Glória. O planejamento de Vilson Ribeiro de Andrade, tecla tão batida em outrora pela própria figura do presidente, inexiste e caminha para um final lamentável em dezembro, seu último mês de mandato. Andrade pode entregar o Coritiba, ao seu sucessor, no mesmo lugar onde o encontrou em 2010, quando assumiu a presidência: na Série B.

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Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.