A hora e a vez do pistoleiro

  • por Nilton Plum
  • 6 Anos atrás

Em sua primeira obra-prima cinematográfica, o excelente diretor Clint Eastwood brinda o espectador com a quase singela história de dois amigos, pistoleiros aposentados, desacreditados, destreinados e obsoletos que são contratados por prostitutas para vingar a violência de vaqueiros. Ao longo de sua missão, redescobrem sua funcionalidade e isso não é bom pra muita gente…

Com um elenco de fazer marmanjo chorar de alegria, Eastwood, em “Os Imperdoáveis”, revisita e oxigena o gênero cinematográfico que lhe construiu. De certa maneira, a história de “ressurreição” de Willian Munny é a mesma do diretor, a mesma do faroeste. O mito do guerreiro dado como morto (não necessariamente a morte física) que retoma suas forças é recorrente na Arte universal. Possui, em qualidade tão elevada quanto a do filme de Eastwood, uma versão brasileira em conto do genial Guimarães Rosa em “A hora e a vez de Augusto Matraga”. Retirem as prostitutas e o resto está ali. Teria o velho Clint “roseanado” sua perspectiva?

Desde o ano passado, todos davam o São Paulo como morto. Uma campanha ruim no brasileirão de 2013 (houve quem falasse até em rebaixamento), turbulência política, um velho ícone que teima em não parar, um tanto de jogadores em provação (Ganso, Kardec, Pato, Luís Fabiano, Kaká…) e, no domingo, ao vencer o líder Cruzeiro por 2×0, no Morumbi, lá está o São Paulo de Muricy encurtando em apenas 4 pontos a distância para a 1° colocação. Ele bem sabia que se seu clube ainda queria pensar em título, a oportunidade seria aquela, contra o Cruzeiro. O São Paulo é, ao lado de Santos e Flamengo, uma das pontas da tríade multicampeã. Nunca deve ser subestimado em contexto algum.

Muricy possui seu time na palma da mão. Isto faz dele um atirador implacável. Ainda que velho, cheio de cacoetes e teimosia, conhece e respira o São Paulo. Perguntado em coletiva sobre o Rogério Ceni, ele responde: “Ele está sempre reclamando de dor, não é novidade”. Todos riem… Não se fala mais de técnica. O que existe ali é intimidade. Cumplicidade. Eficácia? Teria Muricy visto Eastwood ou lido Rosa? Retirem as prostitutas e a história está ali.

Quando o pistoleiro ressurge é melhor começar a rezar….

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