A vergonha do réu confesso

  • por Marcelo Fadul
  • 6 Anos atrás

O Sheik que fala o que quer, escuta o que não quer.

Emerson Sheik é réu confesso. Como podemos analisar em coletiva dada por ele mesmo no dia seguinte ao jogo Botafogo e Bahia:

“(…) por conta de falhas grotescas, é lógico que você perde um pouco do controle, mas aí pra toda ação há uma reação né!? Não tá certo? Não, não tá certo (…)”.

Para toda ação há uma reação, como bem disse o jogador, e dentro de um palco como futebol não existe o benefício do arrependimento.

Além de nota oficial de resposta da CBF, o atleta será denunciado pela Procuradoria do STJD por três artigos de indisciplina, sendo que cada um deles prevê o máximo de seis jogos de suspensão. São estes: artigos 243-F (Ofensa a arbitragem), 254 (Jogada violenta), e 258 (Atitude reiterada de afronta e reclamação contra instituições e autoridades com claro intuito intimidatório e desrespeitoso através da mídia).

Nos dois primeiros artigos denunciados, é possível prever uma defesa mais robusta, com grandes chances de estabelecer um mínimo da pena ou sua conversão em penalidades menores. Mas, como estamos falando de Emerson Sheik, nada é tão simples assim. Emerson é reincidente, ou seja, já foi punido por atitude indisciplinar ainda em agosto deste ano (no jogo Cruzeiro e Botafogo, no qual agrediu o meio-campo Henrique, o que não foi visto pelo árbitro, mas punido pelo STJD). Então, na prática, Sheik não poderá contar com os benefícios que teria como réu primário.

Porém, o ponto fulcral do julgamento, ainda não agendado, será a discussão do art. 258, pois é nele que a Procuradoria enquadra o jogador pelo seu ato que mais chamou atenção durante a partida e que foi amplamente divulgado pela mídia. Nas duas ocasiões em que foi punido pela arbitragem pelos amarelos e vermelho, Sheik buscou as câmeras de transmissão da partida e descarregou sua raiva contra a CBF, instituição máxima do futebol brasileiro. As que ficaram mais nítidas foram as palavras de “vergonha, CBF, você é uma vergonha!”

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Como vimos acima, Sheik confessou seus exageros e já acredita na reação, que, no caso partirá do STJD, tribunal pertencente à mesma CBF. E, com os recentes acontecimentos, é esperada uma punição que acarrete em suspensão de jogos, embora não se saiba exatamente quantos. A quantidade de jogos é uma incógnita porque os critérios de punição do tribunal são obscuros e têm variações pouco coerentes (vide caso Petros do Corinthians).

Por fim, se é inevitável concordar que a CBF já nos fez passar “vergonha”, também é fato que Emerson Sheik não é exatamente um modelo de bom comportamento. Pensemos assim então: ao estabelecer a punição de acordo com o artigo 258 (de um a seis jogos de suspensão), caberá ao tribunal de justiça desportiva analisar qual grau de razão tinha Emerson Sheik sobre a vergonha que é a CBF.

Marcelo Fadul – Auditor TJD/MG

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Advogado, auditor do TJD/MG e professor. Atuante do Direito Desportivo e Trabalhista. Amante do futebol e da arte de informar.