Ainda existe amor à camisa

  • por Lucas Machado
  • 5 Anos atrás
Foto: altervista.org

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Hoje craque pra torcida do Real Madrid, amanhã traidor no Barcelona. Beijo no escudo ao ser apresentado no Flamengo e no ano seguinte se transfere para o Vasco. Muito se fala da falta de amor à camisa hoje em dia no futebol. Jogadores mercenários e mais preocupados com o dinheiro do que com a instituição são algumas das muitas reclamações do futebol moderno.

Com a inflação financeira do futebol e a curta carreira dos jogadores, o séc.XXI ficou evidenciado pelos “traidores”, “desertores” e afins. Preocupados com a tão falada e badalada independência financeira, é cada vez mais comum atletas trocarem de equipe em um curto espaço de tempo e para grandes rivais. Para ficarmos restritos a dois exemplos, lembremos da saída do meia português Luis Figo do Barcelona para o Real Madrid e a troca do atacante holandês Van Persie do Arsenal para o Manchester United. Beijos no escudo, juras de amor e dinheiro no bolso.

Mas, se para toda regra há uma exceção, Francesco Totti está ai para provar. Completando nesta temporada, 2014/15, seu 25º ano com a camisa da Roma (contando os anos que estava nas categorias de base), Totti é o exemplo de amor à camisa, fidelidade, postura de capitão e de como se tornar, cultivar e aumentar uma idolatria. Desde 1989 na equipe da capital italiana, quando aos 13 anos chegou ao clube, Totti não só é o maior jogador da história da equipe, como o ídolo máximo de todas as gerações. E isso não tem preço que pague.

Com 708 partidas disputadas com a camisa da Roma, Totti, além de ser o jogador que mais vestiu a camisa romanista, também é o maior artilheiro da história do clube, com 290 gols. Completando 24 anos este mês do seu primeiro gol pelo time profissional da Roma, Francesco Totti abriu mão de dinheiro e títulos, tanto individuais como coletivos, para se dedicar a uma única instituição. Mesmo com propostas mais vantajosas durante todos os anos defendendo as cores da Roma, Totti se manteve fiel aos apaixonados torcedores.

“Não me arrependo de ter recusado Real Madrid e Barcelona. Sempre sonhei em jogar na Roma, e só na Roma.”

Além de ser o artilheiro e o jogador que mais vestiu a camisa da Roma, Totti também é o jogador a mais marcar gols na Série A por uma única equipe (235). Em questão de títulos, não teve tanto sucesso. Em 20 anos atuando na equipe principal, foram apenas 5: um Campeonato Italiano, na temporada 2000/01, duas Copas da Itália, 2006/07 e 08/09, além de duas Supercopas da Itália, nos anos de 2001 e 2007.

Ídolo maior dos romanistas, Totti terá a camisa 10 aposentada quando se aposentar, segundo revelou o presidente do clube, James Pallota.

“Assim que Totti parar de jogar, iremos tirar seu número 10 do time. Não há nenhum outro igual a ele. Não será esquecido tão cedo”, disse em entrevista ao canal de televisão italiano Sky Sport 24.

Qualidade técnica, amor a instituição e fidelidade são palavras que compõem o significado de um ídolo no futebol. Com todas elas e mais algumas, Francesco Totti, 37 anos, deixou de lado a idolatria para se tornar lenda. Mais que títulos, uma instituição precisa de ídolos e de jogadores como o meia. A Roma jamais será lembrada por grandes conquistas, mas sim por ter sido a casa, única e exclusiva, de um dos maiores jogadores italianos de todos os tempos.

*O texto tem foco total e exclusivo no italiano Francesco Totti. Por isso a não lembrança de outros jogadores fiéis aos clubes que defendem desde sempre, casos de Xavi no Barcelona, Casillas no Real Madrid, Schweinsteiger no Bayern de Munique, Gerrard no Liverpool, entre outros.

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