Cem anos de solidão

  • por Hugo Melo
  • 5 Anos atrás

Aproveitando o ensejo centenário da temporada 2014, seguimos listando as equipes brasileiras que tiveram mais razões para chorar do que para sorrir no seu centésimo ano de vida.

Confira a seguir a lista DOS PIORES CENTENÁRIOS do futebol brasileiro:

9º – CORINTHIANS:

O Corinthians em 2010 nem chorou, nem sorriu. Fez uma boa campanha no Brasileirão, ficando com o terceiro lugar. Entretanto, caiu ainda na primeira fase do estadual, e na Libertadores, não foi além das oitavas de final. Ao fim do ano, não havia muito o que celebrar. Mas também não havia sido um ano perdido: a base estava montada para o título nacional do ano seguinte, e da Libertadores dois anos depois.

8º – PONTE PRETA:

Comemorar títulos nunca foi uma prática habitual aos torcedores da Macaca. O segundo clube mais antigo do Brasil comemorou seu centenário na virada do milênio, em 2000. Não foi em si um ano para esquecer, mas tampouco foi um ano para se recordar. Muito típico. A Ponte Preta ficou em quinto no Paulistão, e foi até a terceira fase da Copa do Brasil, quando caiu diante do Vasco. No Nacional (Copa João Havelange), chegou a se classificar para o mata-mata, mas foi eliminada pelo Grêmio de Ronaldinho Gaúcho.

7º – FLAMENGO:

Dos maiores clubes brasileiros, o Flamengo foi o primeiro a completar 100 anos de vida. Para a comemoração, a diretória não poupou esforços e, em 1995, o presidente Kléber Leite reuniu aquele que seria chamado “o melhor ataque do mundo”: Sávio, Romário e Edmundo. Parecia um sonho. Para completar, Luxemburgo seria o treinador responsável por trazer títulos. Mas o tiro saiu pela culatra: sem conseguir jogar em conjunto (a famosa guerra de egos), o melhor ataque do mundo não foi efetivo nem no Carioca, em que o Flamengo conquistou o título figurativo da taça Guanabara. Pior: no Brasileirão, por pouco não carimba um rebaixamento no ano do centenário. Ficou na 21ª colocação, e apenas o Vitória da Bahia ficou mais próximo da degola.

6º – ATLÉTICO MINEIRO:

O aniversário de 100 anos do Galo mineiro começou com muito entusiasmo e especulação. A torcida bem que sonhou com nomes como Ricardinho, Gallardo e D’Alessandro, mas a realidade trouxe os veteranos Marques e Petkovic. Logo de cara, o primeiro “presente” de aniversário: uma goleada por 5 a 0 contra o Cruzeiro, na final do Mineirão. No Brasileirão o time também não engrenou. Fez uma campanha pífia, e no segundo ano após o retorno à elite, por pouco não volta à série B: ficou na 12ª colocação, a quatro pontos de distância do Figueirense, que acenava de dentro da zona de rebaixamento.

5º – GRÊMIO:

O centenário do Grêmio veio num dos piores momentos história do clube. Com o fim da parceria com a ISL, em 2001, vieram os derradeiros anos que culminariam no rebaixamento de 2004. 2003 começou com uma pífia campanha no Campeonato Gaúcho: eliminação na primeira fase da competição, ficando na 6ª colocação, enquanto o rival colorado se sagrava bicampeão. Mas nada é tão ruim que não possa piorar. No Brasileirão, o Tricolor gaúcho penou para escapar do rebaixamento, perdeu 22 dos 46 jogos e se salvou na última rodada (vencendo o Corinthians), ficando a um ponto do Fortaleza, na 20ª colocação. O ano só não foi pior que o 101º de vida: em 2004 o Grêmio seguiu em decadência e foi rebaixado na lanterna da competição.

4º – BOTAFOGO:

O centenário do Botafogo foi, para muitos, celebrado em 2003, no ano em que a estrela solitária voltou à elite do futebol nacional. Subindo como vice-campeão, o Alvinegro carioca sonhava com um aniversário para apagar os últimos anos do clube, que desde 1997 não conquistava um título. 2004, entretanto, não foi a volta por cima que esperava o torcedor do botafoguense. O time sequer chegou às semifinais da Taça Guanabara e Taça Rio, terminando o Estadual na 5ª colocação. Ainda foi eliminado diante do Gama na segunda fase da Copa do Brasil. E se as coisas estavam ruins, ficaram piores: o Fogão lutou até a última rodada para escapar da degola, empatando heroicamente com o Atlético Paranaense no Paraná e contando ainda com uma combinação de resultados. Terminou em 20º lugar, a um ponto do Criciúma rebaixado.

3º – GUARANI:

O Guarani comemorou seu centenário em 2011. O campeão brasileiro de 78 estava há muito distante dos seus melhores anos. O Bugre acabou seu 100º ano esquecido na metade da tabela da série B, na 12ª colocação. Tampouco teve o que comemorar no estadual, não conseguindo sequer se sagrar campeão da 2ª divisão do Paulistão. Perdeu a final nos pênaltis, para o XV de Piracicaba. Talvez o retorno a elite estadual tenha sido o alívio para o torcedor bugrino, se dois anos depois o clube não retornasse para a série A2 do Paulista e a Terceira Divisão do Brasileirão.

2º – CORITIBA:

O centenário do Coxa, em 2009, também não foi dos melhores. No objetivo de escapar da sina dos demais clubes centenários, a diretoria investiu pesado na contratação de Marcelinho Paraíba. O objetivo era simples: voltar à metade superior da tabela, depois de retornar da Segundona em 2007. Marcelinho Paraíba bem que fez sua parte, foi o destaque do time paranaense, mas não foi o bastante. O time alviverde perdeu o título estadual para o maior rival e ainda terminou na 17ª posição no Brasileirão, carimbando o seu centenário com o rebaixamento para a série B, após o empate com o Fluminense na última rodada. O ano ainda terminou com o vexame de ver dezenas de torcedores invadindo o campo do Couto Pereira e protagonizando uma das piores cenas de vandalismo da história recente do futebol brasileiro.

1º – SPORT:

O Sport Club do Recife talvez tenha tido um dos piores anos de sua história no ano de seu centenário. Desde 2002 sem conseguir sair da Segundona, a diretoria planejava uma volta triunfal à Série A. Para isso, fez um investimento pesado, trazendo nomes que haviam se destacado nas últimas edições do torneio: o experiente meia Lúcio, os atacantes Rinaldo e Vinícius, todos ex-Fortaleza, e o lateral esquerdo Possato, que tinha se destacado no Brasiliense, entre outros jogadores.
Mas apesar de tanta expectativa, o desempenho foi decepcionante. No estadual, o clube ficou em 3º, atrás dos dois rivais, e na Série B, não foi rebaixado por detalhes: perdia para o Gama em casa, na última rodada, e só escapou porque o Vitória, que jogava em casa contra a Portuguesa, não conseguiu sair do empate. Para completar, o Sport ainda viu o arquirrival Santa Cruz ter um ano de gala, sendo campeão estadual e conquistando o acesso à elite.

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Estudante de jornalismo e direito, observa o futebol como algo infinitamente maior que um esporte, um fenômeno cultural ímpar dotado de poder para munir ditadores e revolucionários. E deste universo que transcende as quatro linhas do gramado tem o tricolor pernambucano como eterno companheiro nas desventuras futebolísticas.