Entre a proteção da meta e a metalinguagem

  • por João Almeida
  • 7 Anos atrás

https://www.youtube.com/watch?v=GLlB7cCbpkY

Há tempos venho maturando em minha cabeça algumas palavras para falar sobre Jefferson por aqui. Ter em mãos uma ferramenta que leva meus textos a milhares de pessoas e não dedicar alguns parágrafos a ele soaria como uma heresia, sendo eu um botafoguense que não acompanhou o time de 95 e, portanto, carece de ídolos contemporâneos.

Tendo este pensamento em mente, passei dias confabulando sobre as melhores palavras para descrever o quão eficiente ele consegue ser debaixo das traves. Pensei em dar voltas, usar um vocabulário rebuscado. Períodos curtos. Tudo isso passou pela minha cabeça até ter bem estruturado tudo aquilo que desejava falar a ele e ao torcedor alvinegro de uma forma geral.

Findadas as elucubrações a seu respeito, resolvi esperar para ter um momento ideal para falar sobre ele. Quando teve uma atuação memorável diante do Ceará, pensei em fazê-lo, mas descartei a ideia por se tratar de um jogo sem uma relevância digna de nota. Pouco depois, vieram os amistosos da seleção. Jefferson foi titular em ambos e não levou um gol sequer, com atuações seguras. Era o timing perfeito. Botafoguenses rendiam homenagens a ele em seus perfis em redes sociais e o clube o reverenciava. Minhas palavras chegariam no momento oportuno.

https://www.youtube.com/watch?v=Xabllg7cY0I

Entretanto, por mais que tudo conspirasse para que o texto saísse naquela ocasião, resolvi esperar. Agora, sinto que chegou o momento de compartilhá-lo.

Após refletir sobre quando levá-lo ao ar, cheguei a uma conclusão que me levou de volta à estaca zero. Não há porque dar voltas, não há porque tentar fazer bonito o tempo todo, não há porque viver de lapsos. Aprendi tudo isso com as atuações dele e apliquei às minhas palavras ao jogar fora tudo o que havia escrito a seu respeito.

Jefferson é um goleiro diferenciado, mas só é performático quando necessário. Pulos acrobáticos, espalmadas espetaculares, defesas de mão trocada… ele só será visto fazendo algo assim quando precisar, por mais que muitas vezes isso salte mais aos olhos que uma bola encaixada ou um pulo menor graças a um bom posicionamento.

Também não depende de atuações memoráveis esporádicas. Vai bem em 99% dos jogos e se sobressai em alguns, quando demasiadamente exigido. Não é como parte dos goleiros no país, que ora salvam ora entregam. Não vive de lapsos e, exatamente por isso, resolvi falar dele agora. Sua regularidade me mostrou que não há um momento oportuno para reverenciá-lo – qualquer momento o seria, não se faria necessária uma atuação magnífica para usar de desculpa.

Por isso paro por aqui sem grande voltas, sem linguagem conotativa e com algumas poucas palavras mais bonitas, dispostas apenas quando um rebuscamento se fez mais necessário. Jefferson é de tal forma um ídolo que suas defesas podem inspirar até a literatura. Poderia ter falado do quão importante e leal ele sempre foi, mas preferi metaforizar suas atuações, para mostrar que sua influência para os botafoguenses vai bem além das quatro linhas. E, se nenhum texto costuma ser unanimidade, esta será a única diferença entre este artigo e o goleiro – ao menos no que tange à torcida do Botafogo.

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