Há vida sem Falcao, mas talvez não haja glória

Foto: AS Monaco

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Na temporada 2013/2014, o milionário Monaco investiu 105 milhões de euros nas contratações de apenas dois jogadores: Falcao García e James Rodríguez. Isso porque nem colocamos na conta nomes como João Moutinho e Geoffrey Kondogbia que, juntos, somaram 45 milhões investidos pelo clube comandado pelo russo Dmitry Rybolovlev.

Nesta temporada, os mais de 100 milhões gastos com a dupla colombiana foram ralo abaixo e ambos foram vendidos, rendendo 87 milhões de euros para os cofres do clube. O valor é indiscutivelmente alto, mas a contrapartida em contratações é irrisória. Na temporada passada, foram quase 200 milhões investidos em novos jogadores. Para este ano, 24 milhões foram gastos e a contratação mais cara foi do zagueiro Aymen Abdennour – 13 milhões de euros -, que pode até ser bom defensor, mas não é um atleta que encha os olhos.

O ousado projeto monegasco, de bater o Paris Saint-Germain e se tornar uma potência mundial, está sendo desfeito e tudo passa pelos problemas conjugais do dono do clube. Recentemente, Rybolovlev foi obrigado a pagar 4,5 bilhões de dólares para a ex-mulher Elena Rybolovlev. Na justiça, ela ganhou um montante que inclui três propriedades, sendo uma equivalente a 146 milhões de dólares em Gastaad, na Suíça.

A imprensa francesa fala que o Monaco pode ir atrás de um novo acionista, mas os russos desconversam. O vice-presidente do clube Vasim Vasiliyev declarou que Rybolovlev segue ambicioso com o projeto, mas que novas estratégias precisam ser traçadas. O dirigente apontou o fair play financeiro que poderia provocar sanções pesadas ao clube. Ele ressaltou que, por causa disso, o ASM está em déficit e precisa equilibrar as contas.

A última janela de transferências foi um baque para o Monaco. O clube, que tanto almejou grandes estrelas, vive hoje a incerteza de que patamar se encontrará nos próximos meses.

A saída de Falcao e James representa uma perda significativa para o plantel, mas não significa a morte do time. O Monaco viveu antes e continuará vivendo. Sem as mesmas ambições, mas continuará. O que sobrou do elenco não deixa a desejar, mas não empolga.

Saída pelas laterais

Foto: AS Monaco

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O principal trunfo do plantel monegasco está nas duas laterais: na direita com o brasileiro Fabinho e na esquerda com Layvin Kurzawa. Ambos estão abaixo dos 23 anos e chamaram muito a atenção na temporada passada – especialmente o francês.

Fabinho é um lateral de marcação regular, mas de excelente subida ao ataque. É uma das opções para o futuro da seleção brasileira, especialmente pela escassez de bons valores na posição. Já Kurzawa ainda peca na marcação, porém é de uma eficácia sem igual no ataque. Patrice Evra ainda não deixou a seleção francesa, mas, quando abandoná-la, o atleta do Monaco estará lutando pau-a-pau com Lucas Digne, do PSG, por uma posição no time. Eles serão, a partir de agora, as peças-chave da equipe ao lado do veterano Jérémy Toulalan, que é o comandante do meio-campo.

O problema maior é a juventude do meio para frente. Apesar de Dimitar Berbatov e João Moutinho (cuja temporada de estreia na França foi decepcionante), o restante dos homens de frente é jovem. Martial, Ferreira Carrasco, Ocampos e Germain são alguns dos atletas que ganharão mais minutos em campo, e todos têm menos de 25 anos. Aliás, dos citados, Germain é o único que não é sub-21!

Leonardo Jardim, que assumiu o time nesta temporada, vê o desafio que embarcou se tornar ainda maior. Desbancar o PSG já não seria fácil, sem os astros e com o corte em boa parte dos investimentos fica ainda mais complicado. A instabilidade interna também é outro empecilho para o bom desempenho na França. Enquanto Rybolovlev tenta resolver suas pendengas financeiras e o clube decide o que fazer da vida, o português fica no olho do furacão, comandando um time pressionado que não sabe exatamente até quando terá esta mesma formatação.

O atual time do Monaco é bom o bastante para disputar o Campeonato Francês e, talvez, até para avançar às oitavas-de-final da Liga dos Campeões da Europa – não mais do que isso. Mas as saídas de Falcao e James fizeram a equipe despencar alguns degraus no imaginário ranking de favoritos. Nem mesmo na França pode ser considerada assim.

O PSG já apresenta um time sólido e que enxerga a Europa com mais firmeza que outrora. O Marseille, assim como na temporada passada, fez muitos investimentos – não no mesmo porte dos rivais de Paris e Mônaco, evidentemente – e agora conta com Marcelo Bielsa para gerir todo o elenco. Fora isso, o Lille possui o excelente René Girard na batuta de um grupo mediano, mas que pode ir além, como o técnico provou no próprio Lille e no Montpellier. O Saint-Étienne vem se fortalecendo ano pós ano e mostrando um dos estilos de jogo mais vistosos do país. O Monaco tem que competir com tudo isso e hoje não tem craques que possam lhe colocar léguas à frente dos demais.

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Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.