Isso a Globo não mostra!

Nem Record, Sportv, UOL ou qualquer outro canal de TV aberta ou por assinatura, jornal, revista e site. Aliás, a Globo proibiu expressamente seus locutores de citarem uma única palavra sobre o assunto. Estamos falando do direito de patrocinar os nomes de estádios e arenas, popularmente conhecido como naming rights.

Uma pesquisa rápida na internet prova a falta de sucesso deste tipo de patrocínio. Vejam a diferença de resultados de busca para “Arena Palmeiras”, “Arena Palestra” e “Allianz Parque”. Ou, pior ainda, para “Arena Fonte Nova”, “Arena Pernambuco” e “Itaipava Arena” – que, em tese, serviria para encontrar os dois. E o caso da “Kyocera Arena” que, mesmo sendo pioneiro no país, não foi sequer citado na matéria do GE sobre os 100 anos da “Arena da Copa”?

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A diferença dos resultados de busca entre os nomes informais das arenas brasileiras e os naming rights é ridícula.

Agora, quem lembra qual a casa do Bayern de Munique ou do Arsenal? E vocês viram o nome do estádio nos EUA onde o Brasil jogou contra o Equador? Interessante, não é?

Dizem que a modalidade de patrocínio “não pega” no Brasil. Talvez seja unicamente porque o torcedor/consumidor adora fazer bullying com seu clube do coração, dando apelidos como Itaquerão, Olímpico e Maraca para os estádios. Talvez por não se importar com os milhões que entrariam em caixa para trazer e manter jogadores, modernizar CTs, etc.

Ou talvez os meios de comunicação não queiram citar as marcas por não receberem diretamente delas pela exposição, sendo os clubes vistos como rivais na disputa por verba publicitária. Não dizer o nome do patrocinador do estádio também é uma forma de evitar conflitos com marcas que compram espaço de mídia nas grades de programação, páginas e homes, protegendo uns poucos investidores em detrimento de todo um mercado. Seja qual for o motivo, ao fazer isso, as empresas de comunicação não popularizam as marcas e os nomes “não pegam”, inviabilizando o investimento em naming rights.

Essa estratégia enfraquece os clubes e o futebol brasileiro como um todo, puxando para baixo o produto comercializado pelos próprios meios. Mas, tudo bem. Depois é só reclamar ao vivo do êxodo de jogadores para a Europa que fica tudo bem com o público…

(Caso alguém diretamente envolvido na história esteja lendo meu texto, favor explicar o sentido disso tudo. Porque admito que não vejo sentido algum.)

Embora seja novidade no Brasil (não deveria, mas vai saber), um dos primeiros casos de naming rights foi o do Buffalo Bills, na NFL, em 1973, num acordo de U$ 1,5 milhões por 25 anos. Este tipo de patrocínio é tão comum que a Intel pagou por naming rights da área de pedestres do novo estádio do San Francisco 49ers, também da NFL. O maior valor da história é do Dallas Cowboys, também na NFL, que cedeu os direitos de nomeação de seu estádio por módicos U$ 20 milhões por 20 anos. Ou seja, quatrocentos milhões de dólares, que podem chegar a U$ 600 milhões em 30 anos. Imagina se o seu time amado tivesse todo esse dinheiro?

Mas não vai ter. E, pelo que diz a mídia, a culpa é sua, por praticar bullying com seu estádio.

Comentários

Sou coordenador de redes sociais do America-RJ e planejamento publicitário. Escrevo sobre marketing esportivo e futebol. Etc e tal.