Spoiler*! (ou uma análise do 1° turno do Brasileirão)

  • por Nilton Plum
  • 7 Anos atrás

Muitas coisas poderiam ser escritas sobre o excelente Fluminense x Cruzeiro do último domingo (3 x 3), mas com a última rodada do primeiro turno do Brasileirão, acaba sendo mais interessante uma análise dos times, das possibilidades e situações variadas. Além de, é claro, abordar os dois clubes supracitados.

Começando de baixo, então… Sempre em ordem decrescente.

A Hora da Zona Morta

Habitam no Z4, ao fim da 19° rodada, Vitória, Bahia, Coritiba e Criciúma. Pode-se observar que a falência do futebol baiano anda a passos largos. O Vitória de Ney Franco (aquele que foi e voltou e que conseguiu estar no z4 com dois clubes diferentes no mesmo campeonato) possui a defesa mais vazada da competição. Bahia e Coritiba demonstram pouquíssima capacidade de reação e o Criciúma (com 18 pontos), o time mais apto a sair da zona, é dono do ataque menos eficiente da série A. São incríveis e raros 9 gols marcados em 19 jogos! Pouquíssima esperança de algo além de uma salvação milagrosa pra esta galera.

No limite da loucura

Palmeiras, Chapecoense e Botafogo ocupam as 3 desconfortáveis posições imediatas ao z4 e estão matematicamente e estruturalmente muito próximos. Dorival Júnior caiu no olho do furacão da equipe paulista, que alternou mais baixos do que altos nesta primeira parte. A bem da verdade, as campanhas destes clubes são gravemente semelhantes. Justiça seja feita à Chapecoense: a equipe que chegou à série A com status de habitante frequente da zona ruim e vem se mantendo fora da degola com alguns pontos improváveis. Resta saber se suportará mais 19 jogos. O mesmo a dizer do Botafogo (recém-desfalcado de seu melhor jogador: Daniel).

A Estrada

A lista dos intermediários é sempre longa como a estrada que leva ao paraíso do g4 ou desce aos círculos infernais da zona da desgraça. É a mais heterogênea também.

Começa matematicamente nos 24 pontos de Goiás e Figueirense. Cabe aqui ressaltar a excelente campanha recente da equipe catarinense, que na 12° rodada levou de 5 do Cruzeiro e desde então não perdeu. Foram 5 vitórias e 2 empates, incluindo façanhas como um empate contra o São Paulo no Morumbi e a espetacular virada de 3×2 contra o Inter no RS.

A campanha do Figueirense é tão boa quanto a do Flamengo de Luxa, que, carregando seus sacos de cimento, obteve 6 vitórias em 8 jogos disputados (5 delas consecutivas). Terminar na primeira página da tabela, entre os 10 primeiros, não é nada mal para quem há semanas atrás estava na lanterna com o Ney Franco (ele novamente).  Sua campanha em muito se assemelha a de outro rubro-negro, o Atlético Paranaense. Curiosamente, os dois recentes finalistas da Copa do Brasil estão ali coladinhos. O Fla em 10° e o CAP em 11°.

A Promessa

Como uma espécie de serie A dos intermediários, os times que se aproximam do G4 iniciam com o Santos alavancado pela chegada do ídolo Robinho sem nada a provar em território nacional, mas com muito a provar na seleção brasileira. Será que ainda existe espaço para ele ali?

Se existe uma equipe-surpresa no campeonato, esta equipe é o Sport. Ocupando a 8° posição, já há algumas rodadas entre os 10 primeiros, o time pernambucano tem apresentado um futebol regular e que pode interromper a série de sobe e desce de divisão a qual tem se submetido nos últimos anos. Levando-se em conta a precariedade do futebol nordestino na série A, o Sport faz uma campanha bem digna e se configura de maneira surpreendente na tabela.

O Atlético-MG, repleto de dívidas, ainda tenta se reequilibrar após viver o sonho dourado da Libertadores. Já o Grêmio acena com esperança, tentando reabilitar o técnico Felipão após o fracasso da Copa – ajuda mútua.

O Fluminense iniciou 2014 prometendo briga por título: seus torcedores falam de título, seu técnico (que vem perdendo força) também mantém o discurso, mas o tricolor carioca faz a propaganda de um produto e entrega outro. Desde 2009, acumulou dois quase-rebaixamentos (que vendem como recuperações milagrosas, uma dentro e outra fora de campo), obliterando duas campanhas pífias. Defende-se com duas excelentes campanhas de campeão brasileiro, além de coadjuvações na Libertadores, um campeonato Estadual e um vexame histórico.

Ocorre que a imagem do elenco multimilionário, do supertime capitaneado pelo craque e pelo artilheiro fatal, se desgastou. Este desgaste pode ser percebido em campo em diversas situações. Apesar de não ser o Flu de 2009 e de 2013, não é, nem de longe, o Flu de 2010 e 2012. Tricolores continuam em negação e terminam o 1° turno castigados fora do G4…

Os dois brasileiros quase que consecutivos ganhos pelo tricolor adocicaram a torcida com o sabor da arrogância: “O único time no país capaz de parar o Cruzeiro é o Fluminense” disse um tricolor candidato ao título. Ora, só existem duas maneiras de se parar o Cruzeiro: ou ele se destrói (como o Palmeiras em 2009) ou a CBF desfalca seguidamente o time com seus amistosos insossos.

Os eleitos?

Corinthians e São Paulo montaram times pra serem campeões. Internacional reaparece como “o favorito de início de campeonato”, estereótipo que assola o clube gaúcho há décadas no brasileiro. Até o Mundial veio, o tetra não. Seriam times a serem acompanhados de perto, não fosse a extrema competência do Cruzeiro (que merece uma crônica própria).

A tabela de final de turno do brasileirão 2014 dá a esquisita sensação de que o campeonato acabou. Que os lugares já foram definidos e que pouca coisa será alterada. Lógico que, sendo o assunto futebol, sempre se tem a possibilidade de uma recuperação milagrosa, de uma decadência vertiginosa, de uma ascensão meteórica. O improvável. Mas que dá a estranha sensação de spoiler, isso dá.

*O spoiler é uma espécie de estraga-prazeres, pois ele é aquele indivíduo que conta os finais, ou o que vai ocorrer com determinado personagem em filmes, séries, livros, sem saber se a outra pessoa realmente quer saber. O spoiler não necessariamente precisa contar o fato todo, pode ser qualquer parte de uma fala, texto, imagem ou vídeo que faça revelações importantes sobre determinados assuntos.  Tem origem no verbo spoil, que significa estragar, é um termo de origem inglesa. É quando alguma fonte de informação, como um site, ou um amigo, revela informações sobre o conteúdo de algum livro, ou filme, sem que a pessoa tenha visto. (http://www.significados.com.br/spoiler/)

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