Um artilheiro inusitado

  • por Victor Gandra Quintas
  • 5 Anos atrás

Quem, em sua lucidez, acreditaria que um jogador nascido na Bolívia iria se destacar em meio ao futebol brasileiro? É o que acontece hoje com um tal atacante que jovem ainda começou a se mostrar no futebol da Bahia. É assim que começa a história de Marcelo Moreno, um artilheiro inusitado.

Jogador que tem mais vontade do que qualidade, Moreno é um artilheiro improvável. Em meio a bons nomes, tradicionais atacantes, que se sobressaíram há tanto tempo aqui no Brasil (ou lá fora), como Fred, Luís Fabiano, Alexandre Pato, Guerrero, Barcos, Leandro Damião, entre outros, o atacante do país vizinho ultrapassa as desconfianças e se firma como destaque do Brasileirão 2014.

Marcelo Moreno não é nenhum craque, longe disso. É esforçado e tem, sobretudo, gosto por jogar futebol. Nascido na cidade de Santa Cruz de La Sierra, mas filho de pai brasileiro, começou profissionalmente no Vitória da Bahia e chegou a defender as cores do Brasil nas categorias de base.

Em 2007, quatro anos após se profissionalizar, recebeu o convite da Federação Boliviana para defender as cores do país. Não hesitando, estreou contra o Peru naquele ano, e hoje é o principal nome de sua seleção.

Chegou ao Cruzeiro naquela mesma época, já atraindo a idolatria da torcida celeste ao ser o artilheiro do time na Libertadores 2008. Foi um bom período para Marcelo Moreno, já que também conseguiu uma transferência para a Europa, para atuar pelo Shakhtar, da Ucrânia.

Como citado, o jogador jamais foi um primor de qualidade técnica. Assim, não conseguiu se firmar no velho continente, rodando por clubes da Alemanha e da Inglaterra, até finalmente voltar ao Brasil e defender as cores do Grêmio.

Fazendo o básico, não repetiu o brilho do ano de 2007 no time gaúcho e muito menos no Flamengo, quando emprestado. Marcelo Moreno teve, então, em 2014, a chance de ouro. Sete anos depois voltava para o Cruzeiro, onde havia adquirido status de ídolo.

Sim, havia desconfiança por grande parte da torcida. Eram sete anos de fracassos. Moreno não se destacava e se transferia para ser terceira opção de ataque, com Júlio Baptista e Borges à sua frente, no então campeão brasileiro.

Com o time principal jogando a Libertadores, o atacante viu a sua oportunidade: ir bem no Brasileiro em meio aos reservas. Então, diante do Bahia, na Fonte Nova, logo na primeira rodada, Marcelo voltou a escrever seu nome entre os favoritos da torcida. E não parou por aí. Hoje, após se encerrar o primeiro turno do Brasileirão, é o artilheiro do torneio, com 10 gols.

É claro que o time propicia o bom momento do jogador. Entrosado e de qualidade reconhecida, o Cruzeiro permite a Marcelo Moreno alcançar seus objetivos. Mas a garra demonstrada pelo atleta só faz com que a torcida confie em seu futebol.

No entanto, não há ilusões quanto ao que ele é capaz de fazer. Pode, em poucos jogos, parar de marcar gols e voltar ao limbo de sua carreira, no qual se encontrava há tão pouco tempo. Mas a identificação do jogador com a camisa azul é visível, um caso de amor único, que permite ao cruzeirense sonhar com mais gols, e belos gols, como o contra o Fluminense na última rodada do turno.

Assim, só resta àquele que deseja o título vulpino torcer, não só pelo primeiro lugar ao final da competição, mas para que a fase iluminada de Marcelo Moreno perdure por mais tempo.

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Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).