Uma noite para celebrar e viver o Grêmio

  • por Doentes por Futebol
  • 5 Anos atrás

Por Eduardo Jenisch Barbosa

Pouco mais de 400 convidados tiveram o privilégio de passar uma noite celebrando a história e vivendo o amor pelo seu clube do coração. Honra esta que certamente os 8 milhões de gremistas ao redor do Brasil e do mundo gostariam de ter. Na última sexta-feira, 19 de setembro, foi realizado na Arena do Grêmio o tradicional jantar de aniversário da instituição, espécie de carro chefe da semana de celebração da fundação do Tricolor.

A nova casa do Grêmio recebeu pela segunda vez o banquete, desta vez para comemorar os 111 anos de fundação de um clube que é vivido como religião por seus adeptos. Presidentes, dirigentes, jogadores, ídolos do passado e presente estiveram reunidos com os torcedores em uma linda festa que foi até a madrugada do dia 20 de setembro, data simbólica que marca o orgulho gaúcho.

Já na recepção, os torcedores puderam sentir o que seria a noite. Entre outros atrativos, observar de perto o gramado da Arena, circular pela zona mista de imprensa, tirar uma foto de recordação alusiva ao aniversário, ver in loco os jornalistas da Grêmio TV durante a transmissão do evento. Enfim, situações que o torcedor não tem a oportunidade de vivenciar na sua rotina.

O show de samba da Banda da Lapa, celebrando a obra de Lupicínio Rodrigues, abriu os trabalhos da noite, animando a galera. Depois do jantar, Atílio Genaro Ancheta fez uma apresentação cantando músicas clássicas da nossa América Latina.

Um dos momentos mais marcantes foi o Parabéns a você, quando reuniram-se ao redor do bolo o presidente Fábio Koff, o capitão Barcos e o técnico Felipão, entre outros expoentes da história do Grêmio. Logo depois, a festa seguiu, com jogadores, dirigentes e torcedores lado a lado homenageando a história do Tricolor dos Pampas.

O discurso do presidente Fábio Koff emocionou a todos os gremistas presentes no evento. Confira a seguir, na íntegra:

“Peço uma licença especial nesta noite festiva, em que comemoramos os 111 anos de um dos amores da minha vida. Peço licença, pois hoje quero falar do meu jeito de ser gremista: My Way. Falar do que sinto por esse clube, do que sinto por estar à frente deste clube; do amor que me move, depois de tanto viver, a dedicar horas cada vez mais raras da minha vida para acalentar esta paixão que cultivo há pelo menos oito décadas. Repito, oito décadas.

Dias desses surpreendi-me pensando na minha vida e como ela está diretamente ligada a estas três cores. Na minha idade é comum fazermos retrospectivas. Eu sou, efetivamente, azul, preto e branco. Eu sou um torcedor de três campos: da Baixada, do Olímpico – que hoje completa 60 anos – e agora da Arena. Eu sou um privilegiado! Quantos passaram pelos bancos de madeira da Baixada, pelos assentos de concreto do Olímpico e agora podem desfrutar do conforto deste monumental estádio?

Eu torci para Osvaldo Rolla, para Telê Santana, para Ênio Andrade. Eu vi Aírton virar Pavilhão, eu vi nascer uma estrela em nossa bandeira, chamada Everaldo. Eu convivi com Lupicínio, nosso magistral compositor, cujo filho hoje nos honra com sua presença. Eu vi, vivi e hoje revivo o Grêmio.

Passando a limpo minha trajetória, me vem à cabeça as palavras eternizadas nas interpretações de Elvis Presley e Frank Sinatra./ My Way é tudo que cada um de nós gostaria de dizer quando chega onde eu cheguei, pelas causas que lutei, pelo time que amei, por tudo que pude fazer por ele… e ele por mim. Percebam:

Eu vivi uma vida por inteiro
Eu viajei por cada e em todas as estradas
Mas muito mais que isso
Eu fiz do meu jeito

Arrependimentos, eu tive alguns
Mas são tão poucos para mencionar
Eu fiz o que eu tinha que fazer
Eu planejei cada caminho do mapa
Cada passo ao longo da estrada
E eu vi tudo, sem exceção

Teve horas que eu mordi mais que eu podia mastigar
Mas, entretanto, quando havia dúvidas
Eu encarei tudo isso e continuei altivo
E fiz do meu jeito

Eu amei, eu sorri e chorei
Tive minhas falhas, minha parte nas derrotas
Agora, quando vejo as lágrimas derramadas
Eu acho tudo muito divertido
Por saber que eu fiz tudo
E tudo eu fiz do meu jeito

Que amor que vale a pena esse Grêmio! Que diferença fez na minha vida essa escolha! E que felicidade saber que o meu jeito também faz diferença na vida do clube.

É muito grande o orgulho que sinto de saber que participei do Grêmio de Aírton, de Ancheta, de Mazaropi, de Danrlei, de China, de Felipão, de De León, de Hélio Dourado, de Dinho, de Alcindo, de Baltazar e de tantos outros… O orgulho de ter certeza que esse Grêmio também tem um pouco do meu jeito.

Esse jeito que desajeita os adversários, que os faz temerosos!
Esse jeito que embala oito milhões de corações!
Esse jeito de dizer: EU NÃO DESISTO NUNCA, EU LUTO ATÉ A EXAUSTÃO!

Que orgulho deste clube que me fez rir e chorar, numa montanha russa de emoções inacreditavelmente boa. Dos gols de Renato aos pênaltis desperdiçados. Tudo, absolutamente tudo valeu a pena. Pois, quando encerro essa retrospectiva do My Way, o que sobra é uma palavra pequena, de intensidade inversamente proporcional ao seu tamanho: AMOR.

E é com AMOR que seguimos em frente, lutando dia a dia, buscando novas perspectivas, levando o Grêmio para sua merecida grandeza, para onde esta torcida quer e merece. É com esse objetivo que trabalhamos todos os dias, sem hesitar um minuto sequer, nos reinventando a cada dificuldade.

Senhoras e Senhores, esse gigante tricolor ainda há de crescer muito. Esta casa, em breve, queremos que esteja 100% sob nosso controle. Para isso caminhamos. E a partir disso decolaremos rumo ao infinito.
Porque nada, NADA PODE SER MAIOR.

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