A bipolaridade do Dortmund

  • por Lucas Sousa
  • 6 Anos atrás

BIPOLARIDADE DO DORTMUND

Se tem um time maluco no futebol europeu, esse time é o Borussia Dortmund. A disparidade entre o desempenho na Bundesliga em relação à Champions league é enorme. Aquele Borussia que ainda não se encontrou na Alemanha muda completamente quando o assunto é partida internacional. O time vem de três derrotas consecutivas na competição nacional e ocupa apenas a 14ª posição, três pontos à frente do lanterna Werder Bremen. No torneio continental, o cenário é muito diferente: 100% de aproveitamento e a liderança isolada do grupo D.

Aprofundando um pouco mais nos números, a diferença parece ainda maior. Após 8 rodadas de Bundesliga, o Dortmund marcou apenas 10 gols, o sétimo pior ataque, e sofreu 14, a quarta pior defesa. Nos três jogos de Champions League, balançou as redes 9 vezes, atrás apenas de Real Madrid e Porto, e ainda não foi vazado, a melhor defesa ao lado do Mônaco. Nas últimas 8 vezes que entrou em campo, o time de Jurgen Klopp só venceu quando jogou pelo torneio continental, 3 vezes.

Foto: Reprodução Doentes por Futebol | Klopp tem o desafio de fazer o Dortmund propor o jogo e vencer as partidas

Arte: Doentes por Futebol | Klopp tem o desafio de fazer o Dortmund propor o jogo e vencer as partidas

Mas o que explica desempenhos tão distintos? Ainda mais quando as atuações no torneio teoricamente mais fácil são piores? Principalmente, o estilo de jogo. O Borussia Dortmund é um time vertical, rápido, de poucos passes e forte no contra-ataque, assim como era o time que perdeu a final continental para o Bayern de Munique em 2013. Na Bundesliga, quem se fecha e utiliza um jogo vertical é o adversário, deixando para o Dortmund a tarefa de propor o jogo. Prova disso é a média de posse de bola dos aurinegros na Bundesliga e na Champions. Enquanto a média nacional é de 56%, a segunda maior, a continental é de 48%, a décima menor. Basicamente, o Borussia não consegue jogar da forma que gosta na Bundesliga.

Foto: Reprodução Doentes por Futebol | O Dortmund ainda não se recuperou da perda de seu matador.

Arte: Doentes por Futebol | O Dortmund ainda não se recuperou da perda de seu matador.

A ausência de Lewandowski também pesa. O jogador foi o artilheiro do clube nas últimas três temporadas, sendo que na última marcou 20 dos 80 gols, e muitas vezes aparecia para decidir uma partida truncada. Sem ele, o Dortmund perde não só um goleador, mas também uma referência, deixando mais responsabilidade nas costas de Reus. Em diversas oportunidades, o time se mostra dependente das jogadas do camisa 11 para criar chances de gol. As chegadas de Immobile e Ramos são boas apostas, mas não dá para cobrar o poder de decisão e números próximos aos de Lewandowski logo no início.

Foto: Reprodução Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

No meio-campo, o retorno de Gundogan, depois de mais de um ano sem jogar, pode ser um diferencial. Antes da grave lesão que sofreu, o alemão estava entre os melhores meio-campistas do mundo e, se retornar àquela forma, acrescentará muito ao time de Klopp. Com boa chegada ao ataque e seguro defensivamente, é o mais indicado para ser o termômetro do time, ditando o ritmo de jogo.

Diminuir a dependência de Reus, trazer Gundogan à velha forma depois da lesão, acertar a defesa (que vem falhando muito) e, principalmente, conseguir propor o jogo são algumas das missões de Jurgen Klopp para aumentar o rendimento do seu time na Bundesliga. O treinador já conseguiu reconstruir a equipe após a primeira saída de Kagawa e a conturbada transferência de Gotze, conhece bem seu elenco e tem total capacidade para colocá-lo nos trilhos mais uma vez. O problema é que pode ser tarde demais, já que 13 pontos separam o Dortmund do Bayern de Munique.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.