A nova máquina Millonaria

  • por Gustavo Ribeiro
  • 5 Anos atrás
Foto: infobae - Gutiérrez comemorando seu gol na vitória por 4x1 sobre o Independiente

Foto: infobae – Gutiérrez comemorando seu gol na vitória por 4×1 sobre o Independiente

Atual campeão Argentino e há 24 jogos sem saber o que é uma derrota, o River Plate é a grande sensação do futebol sul-americano em 2014. Além dos resultados obtidos, o futebol que a equipe vem exibindo a cada rodada já faz com seja comparado com o do inesquecível esquadrão millonario da década de noventa, que, segundo a crítica argentina, foi o último time que encantou no país.

Contando com Francescoli, Gallardo, Ortega, Marcelo Salas, Almeyda, Sorin, Astrada, Berti, e Ayala, o River Plate dos anos noventa conquistou a América e por pouco não conquistou o mundo. Conseguindo aliar experiência, juventude e um futebol ofensivo, a equipe venceu a Libertadores de 1996, a Supercopa Libertadores 1997, o Apertura 96/97 e o Clausura de 97.

De 1997 para cá, o futebol argentino teve vários times que marcaram época. Alguns por títulos conquistados, como o Boca Juniors de Bianchi e o Estudiantes de Sabella, ou por futebol apresentado, como Vélez de Ricardo Gareca, o Huracán de Cappa e o Newell’s Old Boys de Tata Martino, mas nenhum deles com o nível futebolístico vistoso desse River Plate.

Mas, para quem acompanhou o final da temporada passada e o começo da atual, nada levava a crer que o atual River atingiria esse nível. Mesmo após conquistar o Campeonato Argentino, a equipe perdeu várias peças importantes: craque do time na conquista do título, Lanzini foi tentar a sorte tentar a sorte no “mundo árabe”, o volante Cristian Ledesma para o Argentinos Juniors e o meia Carlos Carbonero para Cessena, da Itália. Todos titulares na conquista da trigésima quinta estrela.

Mas a principal mudança aconteceu no comando técnico. Com a saída de Ramón Díaz, o técnico mais vencedor da história do clube, e a chegada de Gallardo, o time mudou completamente a mentalidade e o estilo de jogo. Um dos integrantes do River Plate que encantou nos anos 90, Gallardo trouxe consigo um pouco daquela equipe, mesclando experiência e juventude e implantando um estilo de jogo ofensivo.

O River Plate seria apenas o segundo trabalho de Gallardo como técnico. Em 2011, quando defendia a s cores do Nacional, do Uruguai, aposentou as chuteiras e resolveu adotar a prancheta. No mesmo ano, foi anunciado como novo técnico do Bolso e conquistou, logo de cara, o Apertura e o Campeonato Uruguaio. Mas, em junho de 2012, alegando problemas pessoais, pediu demissão e estava desempregado até então.

Mantendo o 4-3-1-2, que foi utilizado na conquista do título no primeiro semestre, Gallardo começou a moldar o time ao seu estilo e implantar sua filosofia. As principais características desse time são marcação-pressão no campo adversário, valorização da posse de bola ofensiva e intensidade em todos os momentos do jogo, seja com ou sem a bola. É desse jeito que Gallardo e seus comandados vêm encantando o público e a crítica argentina.

Foto: Reprodução - 4-3-1-2 na vitória sobre o Lanús. Tripé no meio campo com Pozio à frente da zaga, Sánchez pela direita e Rojas pela, vem sendo o ponto forte do time.

Foto: Reprodução – 4-3-1-2 na vitória sobre o Lanús. Tripé no meio campo, com Pozio à frente da zaga, Sánchez pela direita e Rojas pela esquerda, vem sendo o ponto forte do time.

No gol, Barovero segue incontestado; na linha de quadro defensiva, Mercado faz a lateral direita, Maidana e Funes Mori formam a dupla de zaga, enquanto Vangioni faz a lateral esquerda; no meio-campo, Poznio é o primeiro volante à frente da zaga, Carlos Sánchez faz a meia direita e Ariel Rojas a esquerda; mais à frente, responsável pela criação, Leonardo Pisculichi é o enganche; e no ataque, Teo Gutiérrez e Rodrigo Mora são os responsáveis pelos gols.

Com a bola é que vemos a principal diferença desse River Plate para o restante dos times. Num campeonato em que várias equipes abusam do lançamento longo, o River se destaca pelos toques curtos, com jogadores em intensa movimentação sempre tentando ser uma opção de passe para o companheiro.

E é nesse quesito que entra Leonardo Pisculichi. Contratado junto ao Argentinos Juniors no início da temporada para ser o substituto de Lanzini, o meia de 30 anos é o responsável por organizar as ações ofensivas da equipe. Em dez jogos já disputado no atual campeonato, Pisculichi já tem cinco assistências e quatro gols marcados.

Outros jogadores também merecem destaque nessa temporada, como é o caso do atacante uruguaio Rodrigo Mora, que era deixado de lado pela antigo técnico, mas que hoje é titular absoluto e vice-artilheiro do time no Campeonato Argentino com quatro gols. Vangioni, Mori e Rojas são outros que melhoraram muito em relação ao primeiro semestre com a chega de Ortega ao comando técnico.

Mas nenhum jogador cresceu tanto de produção como o atacante colombiano Teo Gutiérrez. Mesmo com a conquista do Torneo Final no primeiro semestre, quando foi peça fundamental no time de Ramón Díaz, não conseguia ter a importânncia que tanto se esperava. Na atual temporada, com a lesão de Cavenaghi e a saída de peças importantes do elenco, Gutiérrez vem chamando a responsabilidade. Com oito gols em nove jogos, está fazendo jus ao investimento feito em sua contratação e, finalmente, tendo o protagonismo dele esperado.

Atual presidente do clube, Rodolfo D’Onofrio sempre quis montar um time que se destacasse pelo estilo de jogo e, principalmente, que utilizasse as canteras. Mesmo o time titular tendo apenas Mori oriundo das categorias de base, o elenco está recheado de pratas da casa como Lucas Boyé, Sebástian Driussi, Giovani Simeone, Tomás Martínez, Augusto Solari, Kranevitter e Germán Pezzela. A maioria é usada regularmente nos jogos.

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Após 11 rodadas do campeonato já disputadas, o River Plate lidera com 25 pontos (quatro de vantagem para o vice-líder Lanús), tem o melhor ataque com 23 gols marcados e a melhor defesa com apenas seis tentos sofridos. Além de ter grandes chances de levar a taça no torneio nacional, a equipe millonaria tem ainda outros desafios no semestre, como a Copa Sul-americana, a Copa Argentina e a Supercopa Argentina. Pelo futebol que vem demostrando, é bem provável que o time conquiste quatro títulos em um semestre.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.