Ameaça detectada

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás
Foto: AS | A exibição contra o Atlético de Madrid mostrou a força deste Valencia

Foto: AS | A exibição contra o Atlético de Madrid mostrou a força deste Valencia

O Valencia iniciou a temporada com mais dúvidas que certezas. De presidente, elenco e treinador novo, a perspectiva era de que os chés demorassem a mostrar resultados. Não é o que tem acontecido. Voando no Campeonato Espanhol, a equipe não para de ganhar manchetes na imprensa espanhola semana após semana. Na segunda colocação com 17 pontos, dois a menos que o líder Barcelona, e a segunda defesa menos vazada da competição, o time da Comunidade Valenciana deixa uma indagação no ar: até quando vai essa boa fase?

No início do ano, escrevi sobre o momento que o Valencia vivia àquela época. A chegada de Juan Antonio Pizzi em detrimento de Miroslav Djukic representou uma luz no fim do túnel. Em cinco meses, os blanquinegros subiram cinco posições e ficaram a segundos de alcançar a final da Liga Europa. O argentino foi demitido por decisão da diretoria, o que gerou muitas críticas dos torcedores. A cúpula de Paterna foi a Portugal buscar Nuno Espírito Santo, que estava no Rio Ave. Um acerto e tanto. O gajo é o principal responsável pelo rendimento de seu time e mostra muito conhecimento futebolísticos nas coletivas pré e pós-jogo.

O maior defeito do Valencia nos últimos anos parece ter sido curado: o sistema defensivo. É verdade que o meio mais combativo tem ajudado (que o diga Javi Fuego, incansável na marcação), mas a força da zaga merece ser comentada. Otamendi tem sido fundamental nas bolas aéreas, enquanto Mustafi garante segurança pelo chão, com bom senso de antecipação. As laterais são o ponto de equilíbrio: se Barragán pela direita evita subir muito, o menino Gayá tem chamado a atenção pela força e efetividade quando apoia. Aliás, depois de Alba e Bernat (e, por que não, Mathieu pré-2012), o jovem é mais um lateral esquerdo de inúmeras qualidades que tem encantado o Mestalla.

Nuno não despreza o jogo bonito, mas busca uma maior consistência primeiramente. Não vai ser raro ver um Valencia “bipolar”, atacando quando pode e defendendo quando deve, com muita ocupação de espaço. A grande vitória contra o Atlético de Madrid no último final de semana por 3×1 simbolizou o que tem sido e o que será o time do português nesta temporada. Os primeiros 15 minutos de muita intensidade e correria deixaram os colchoneros em colapso. Quando o Atléti encontrou soluções para mudar o cenário do jogo, os valencianos recuaram suas linhas e também foram superiores.

Aplaudido de pé pela torcida no último sábado, Nuno tem mais méritos. A aposta na contratação de Rodrigo, de passagem irregular pelo Benfica, tem gerado frutos. Aberto pela direita do 4-3-3 que varia para o 4-1-4-1 sem a bola, o espanhol tem executado uma interessante parceria com Paco Alcácer, centroavante cria do clube (que sempre foi tratado com muita atenção), e é importante na recomposição por seu setor. Os dois já criaram entre si sete gols. Um pouco mais à esquerda, o português André Gomes, outra indicação do treinador, começa a se adaptar ao sistema. Ele foi o melhor em campo contra o Atlético de Madrid e marcou o segundo gol do jogo.

A ótima fase do ataque, porém, acaba escondendo o principal artífice da campanha da equipe. Não seria exagero dizer que Dani Parejo é o melhor jogador do Valencia no ano de 2014. Em baixa com Pellegrino, Valverde e Djukic, a redenção do meio-campista veio com Pizzi, que apostou suas fichas no espanhol, cria do Real Madrid. Jogando mais recuado do que em seus tempos de Getafe, ele arma e organiza o time a partir da faixa central sem esquecer de suas funções defensivas. Parejo sabe a hora de cadenciar e acelerar. Um autêntico maestro.

A união do elenco e a confiança que os jogadores têm em Nuno constroem a força deste grupo. Sem mais um torneio para conciliar nesta primeira parte da temporada, o Valencia quer desafiar os gigantes espanhóis. Ainda não é possível cravar que os chés serão candidatos reais aos títulos, mas eles prometem.

Comentários

Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.