As contradições de Gilmar e Marin

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 5 Anos atrás

“Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”.

 

Poderia ser esse o título da cartilha lançada pela Seleção Brasileira, endossada por Dunga e Gilmar Rinaldi. O treinador tem sua parcela de culpa, óbvio, mas a responsabilidade maior é dos cartolas que a desenvolveram. Considero que estabelecer regras seja válido para definir um saudável convívio social, mas há que se ter o mínimo de bom senso.

Entre vários itens que considero no mínimo estapafúrdios, dois me chamaram atenção: o fim de manifestações políticas e a proibição do uso de boné. Proibir qualquer pessoa de manifestar sua opinião política é típico de regimes muito conhecidos na história da humanidade: as ditaduras. Sejam de direita, militar ou de esquerda, em governos totalitários, a primeira medida é despolitizar o povo, impedir que as pessoas discutam política. Ao aceitar esta condição, os jogadores passam mais que a imagem de subservientes: aceitam a pecha de pouco capacitados para falar sobre algo que, direta ou indiretamente, afeta-os e às suas famílias. Mas como já mostramos aqui, de ditadura o senhor Marin entende e entende muito.

Já o uso do boné – acessório ao qual o senhor Gilmar Rinaldi, inclusive, atribuiu parcela de culpa pela derrota para a Alemanha – é mais que somente estapafúrdio, é contraditório. Para quem não lembra, Gilmar Rinaldi cansou de entrar em campo de boné, inclusive pela Seleção Brasileira.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.