As duplas de goleiros na Europa

  • por Lucas Sousa
  • 4 Anos atrás
Foto: Chelsea FC - Na disputa pela titularidade, Courtois venceu Cech

Foto: Chelsea FC – Na disputa pela titularidade, Courtois venceu Cech

Quando se fala que um time “tem elenco”, geralmente pensamos logo na reposição daquele jogador importante que sempre se machuca, em ter um bom volante no banco para substituir o titular que sempre leva cartão amarelo e até mesmo ter um atacante para tentar manter o nível enquanto o dono da posição estiver servindo sua seleção. Mas, no Brasil, raramente pensamos em quem é o goleiro reserva. Na maior parte dos casos, é um jogador que veio das categorias de base ou de um time de menor expressão.

Enquanto isso, lá na Europa, parece surgir uma nova tendência: ter dois goleiros de níveis semelhantes no elenco. Por motivos diversos, grandes clubes do Velho Continente investiram para ter um bom arqueiro no banco de reservas. Na última janela de verão do mercado europeu, seis dos maiores clubes do continente contrataram pelo menos um bom goleiro (sem contar com Courtois, que voltou ao Chelsea após três temporadas de empréstimo no Atlético de Madrid). Teve quem chegou para ser um mero reserva, teve quem chegou para disputar a titularidade e também quem chegou para suceder o atual titular.

Na Alemanha, o Bayern de Munique contratou o espanhol Pepe Reina, ex-Liverpool e Napoli, para ser o reserva de Manuel Neuer. Na temporada passada, o alemão foi o titular absoluto e seu reserva imediato, Tom Starke, não era uma opção muito confiável, tanto que fez apenas três jogos durante toda a temporada enquanto Neuer jogou 51 vezes. Assim como ocorre no Brasil, não havia rodízio na posição. A contratação de Reina pode servir para iniciar esse processo. Pepe é um goleiro experiente, mais seguro que Starke e, levando em consideração o valor pago pelo Bayern (dois milhões de libras), foi uma boa aquisição. Porém, o espanhol se lesionou durante um amistoso e ficará fora por um bom tempo. Se a intenção do Bayern era iniciar um rodízio, terá que esperar mais um pouco.

Diferente do Bayern, o Barcelona revezava seus goleiros de acordo com a competição. Na temporada passada, Victor Valdés era o titular no Espanhol na Liga dos Campeões e José Pinto jogava a Copa do Rey. Ao término do período, o primeiro deixou o clube e o segundo encerrou sua carreira. O Barcelona, então, foi atrás de dois novos goleiros: o jovem alemão ter Stegen e o chileno Claudio Bravo. Com apenas 22 anos, Stegen é considerado uma das maiores promessas da posição e quando acertou sua ida ao Barça era tido pela imprensa espanhola como o novo titular. Aos 31 anos, Bravo chegou como opção de segurança e vem dando conta do recado. Titular no Espanhol, ainda não foi vazado depois de sete partidas, um recorde no clube. Já na Liga dos Campeões, Stegen foi titular nos primeiros jogos, falhando em um dos gols do PSG na segunda rodada. O momento é de Claudio Bravo e, se mantiver este nível, será o goleiro número um do time catalão, deixando para Stegen as partidas da Copa do Rey.

Foto: Reprodução - Bravo ainda não foi vazado no Campeonato Espanhol

Foto: Reprodução – Bravo ainda não foi vazado no Campeonato Espanhol

A situação vivida pelo Atlético é semelhante à do Barcelona. Courtois voltou ao Chelsea após três temporadas de empréstimo e Aranzubia deixou o clube após o término do seu contrato. Para repor as perdas, a diretoria seguiu a mesma linha do Barça: um goleiro experiente, pronto, acostumado ao campeonato nacional e uma promessa, visando o futuro. Assim, o Atlético levou Miguel Ángel Moyà e Jan Oblak. Aos 30 anos, Moyà é o nome de segurança no gol colchonero, assumindo a titularidade no Espanhol e nas duas partidas da Supercopa. Oblak, de 21 anos, foi o titular na estreia da Liga dos Campeões, mas não agradou e foi para o banco na segunda partida. Apesar do desempenho ruim, os números do jovem arqueiro na temporada passada são promissores: apenas oito gols sofridos em 26 partidas com a camisa do Benfica. A missão dos novatos de substituir Courtois após uma temporada espetacular não é nada simples, mas o Atlético parece ter acertado a mão nas contratações. Moyà começou bem e foi muito seguro quando enfrentou o poderoso ataque do Real Madrid, enquanto Oblak é uma boa aposta para o futuro no Vicente Calderón.

Na outra parte de Madrid, o Real contratou Keylor Navas, goleiro menos vazado na Copa do Mundo (duas vezes). Arqueiro da seleção sensação do Mundial, uma parte da torcida merengue já pede Navas como titular e, por incrível que pareça, vaia Iker Casillas em pleno Santiago Bernabéu. Casillas é um dos maiores da história do Real Madrid, chegou ao clube com apenas 10 anos, foi eleito o melhor goleiro do mundo por cinco vezes consecutivas e já ganhou todos os títulos possíveis. Aos 33 anos, já passou do seu auge e parece não ser mais a unanimidade que já foi no gol merengue. Na temporada anterior, fez apenas duas partidas no Espanhol (Diego López foi o titular), mas, por outro lado, assegurou a titularidade na Liga dos Campeões. A chegada de Navas indicava que o rodízio permaneceria, mas o novato só atuou uma vez contra 24 do veterano nesta temporada. Fato é que a pressão sobre Casillas só aumentou após a chegada do costarriquenho. Depois de tantos anos como dono absoluto da posição, sua soberania segue ameaçada. Ele ainda tem a confiança de Carlo Ancelotti, mas agora tem uma concorrência ainda mais pesada.

Se na Espanha Casillas tem sua posição em risco, na Inglaterra outro ex-soberano está assistindo as partidas no banco. Petr Cech, um dos símbolos da Era Abramovich no Chelsea, perdeu de vez sua vaga entre os onze iniciais para o precoce Thibaut Courtois. O belga evoluiu muito no tempo que esteve em Madrid e já está entre os melhores do mundo na posição com apenas 22 anos. Sem dúvidas, tem tudo para ser titular no clube por mais dez anos, assim como aconteceu com Petr Cech, que já viveu situação parecida com a de Courtois. Quando chegou ao clube londrino, Carlo Cudicini era o dono incontestável da posição, mas o tcheco barrou o goleiro italiano e assumiu o gol dos Blues. E o ciclo continua nesta temporada, agora com Courtois jogando e Cech no banco de reservas, tendo suas oportunidades na Copa da Liga. Aos 32 anos, Cech ainda tem lenha pra queimar, mas parece que não mais em Stamford Bridge.

Foto: Jose Antonio García Sirvent - Questionado, Casillas pode perder a posição para Navas

Foto: Jose Antonio García Sirvent – Questionado, Casillas pode perder a posição para Navas

Na Inglaterra, uma boa disputa pela titularidade deve acontecer no Arsenal. Wojciech Szczesny estreou pelo clube em 2009 e vem evoluindo desde então. Foi titular no Inglês e na Liga dos Campeões, deixando a disputa das copas para o reserva Lukasz Fabianski. Mas o reserva trocou o Arsenal pelo Swansea e os Gunners fizeram a reposição com David Ospina, que está alguns degraus acima de Fabianski. Ospina jogou a temporada passada pelo modesto Nice, que teve a nona melhor defesa do Francês embora tenha ficado na 17ª colocação. Nas 29 partidas que disputou pela competição, o colombiano sofreu 26 gols e foi o destaque do time. No Arsenal, pode ter sua melhor oportunidade nas próximas semanas, isso porque Szczesny foi expulso na última partida da Liga dos Campeões e deu a Ospina uma oportunidade de mostrar serviço no maior palco do futebol europeu.

Depois de algumas temporadas irregulares, Joe Hart se firmou no gol do Manchester City e será o titular do time. Nesta temporada, terá a companhia do experiente Willy Caballero. O argentino trabalhou com Manuel Pellegrini no Málaga, quando quase chegaram à semifinal da Liga dos Campeões a duas temporadas, e tem a confiança do treinador. É uma boa peça de reposição para o gol dos Citizens e deverá atuar nas partidas das copas, assim como aconteceu com Costel Pantilimon enquanto era reserva de Hart. Aos 33 anos, Caballero chegou ao City para agregar ainda mais qualidade e experiência ao elenco. É visto mais como um reserva de qualidade e menos como um concorrente à titularidade, embora Hart não esteja entre os grandes goleiros do mundo.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.