As “Gemialidades” Bender

CAPA

Arte: Fred Miranda

Criados pela escritora J.K. Rowling, Fred e Jorge Weasley, gêmeos idênticos da extensa família Weasley, de onde também veio Rony, melhor amigo de Harry Potter, o grande protagonista da autora, sempre tiveram muito em comum – para além da semelhança física. Sua incrível predileção pelo humor e sua habilidade em fazê-lo levaram-nos a criar sua própria loja de logros, a famosa “Gemialidades Weasley”. Longe do plano da ficção, na Alemanha, uma dupla de gêmeos também guarda mais similitudes do que a aparência. No mundo do futebol, apesar de serem rivais hoje, Lars e Sven Bender compartilham um passado e uma posição no relvado.

Foto:  tin247.com

Foto: tin247.com

Crias do Munique 1860, os consanguíneos deram seus primeiros chutes no modesto TSV Brannenburg, localizado a menos de 20 km de sua cidade natal, Rosenheim. Juntos, seguiram sua trajetória até os 20 anos, passando ainda pelo SpVgg Unterhaching – das cercanias de Munique – até se destacarem no Löwen. Sua vida seguiu pela mesma trajetória inclusive nas Seleções de Base da Alemanha, com a qual os jogadores chegaram a conquistar o Europeu Sub-19, em 2008.

Os gêmeos estrearam como profissionais com apenas 17 anos e, depois de sua temporada de estreia, firmaram-se como titulares no clube bávaro. Em sua última temporada no 1860, Lars (irmão 12 minutos mais velho) já era inclusive o capitão do time (o mais jovem da história). Todavia, embora a temporada não tenha sido boa para o clube, ela o foi o suficiente para levar os jovens Bender para voos mais altos, o que ocasionou o fim de sua parceria. Lars partiu para Leverkusen e Sven para Dortmund. Entretanto, algo seguiu inalterado: a importância dos atletas em suas equipes.

SVEN2

Foto: larsvenbender.de

Volantes de bom trato da bola, os gêmeos guardam algumas diferenças no campo. Sven, camisa 6 do Borussia Dortmund, é mais afeito ao trabalho defensivo do que Lars, que, por sua vez, tem mais chegada à frente e é mais versátil, algo que lhe tem favorecido sobremaneira. Na Seleção Alemã principal, o meio-campista do Bayer Leverkusen tem atuado com frequência na lateral direita, o que lhe tem possibilitado mais chamados em relação a seu irmão, que é opção menos frequente na Nationalef. Sven já representou o escrete germânico em sete ocasiões, sem marcar; Lars já atuou 17 vezes, anotando quatro gols.

Foto: larsvenbender.de

Foto: larsvenbender.de

Outra curiosidade é que, apesar de Lars vir tendo uma sequência melhor na Seleção, Sven tem tido muito mais sucesso em seu clube, já tendo conquistado a Bundesliga duas vezes, a Copa da Alemanha uma e a Supercopa do país em outras duas ocasiões.

Apesar das diferenças de estilo e de defenderem lados opostos, os irmãos seguem chamando a atenção por suas similitudes. De forma extremamente curiosa, os gêmeos chegaram a marcar gols no mesmo minuto de jogo em uma mesma rodada. Aos cinco minutos, enquanto Sven Bender abria o placar contra o Augsburg, Lars inaugurava o placar frente ao Freiburg. O curioso fato aconteceu na última temporada, na 18ª rodada da Bundesliga.

Sua proximidade é tão grande que eles dividem um site (http://www.larsvenbender.de/) com suas histórias, infográficos e curiosidades. Outro fato interessante é o apreço que os irmãos compartilhavam em atuar juntos. Em 2009, pouco após serem campeões europeus sub-19 – e pouco antes de se separarem –, Lars garantiu que nunca havia pensado em atuar longe de Sven, deixando em aberto essa possibilidade. Além disso, o volante do Leverkusen falou de seus estilos.

“Nós sempre estivemos no mesmo time. Nunca houve uma questão sobre jogarmos em lados diferentes, embora não se possa prever o que acontecerá no futuro. (…) Há apenas pequenas diferenças entre nós como jogadores, o que, provavelmente, não é óbvio para as pessoas que nos assistem. Nós temos algumas diferenças, embora nos encaixemos bem, eu sou um pouco mais ofensivo que Sven, que é mais defensivo, porém somos bastante parecidos. Depois de tudo, nós jogamos na mesma posição.”

A qualidade dos irmãos é tamanha que, a despeito de contar com muitas opções de meio-campo, o treinador da Nationalef, Joachim Löw já declarou que sempre precisa de um Bender em seu elenco:

“Um Bender tem que estar sempre no meu plantel. Com um Bender, você sabe o que você tem.”

Aos 25 anos e com 20 deles passados em comum, os irmãos Bender guardam enormes semelhanças, dentro e fora do campo. Com o tempo, construíram uma sólida reputação dentro do competitivo futebol alemão e são opções selecionáveis de Joachim Löw. Diferentemente de outros casos de familiares no futebol, os gêmeos cresceram e atingiram o topo juntos. Será que algum dia voltarão a defender as mesmas cores? Para essa pergunta só o tempo tem a resposta. O certo é que, territorialmente distante, mas sempre próxima espiritualmente, a família Bender trouxe ao futebol uma história muito interessante e particular.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.