Branco é a cor

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

Se a cor do final de semana no cenário político brasileiro foi o vermelho graças à reeleição da presidenta Dilma Rousseff, o branco predominou no futebol espanhol. Branco do Real Madrid, atual campeão europeu e que deu mais uma demonstração do que pode fazer em um bom dia. A grande vitória por 3×1 no superclássico contra o Barcelona teve de tudo: ajuste defensivo ao longo do jogo, contra-ataque causando estrago e um toque de bola que deixou o rival na roda e em apuros em determinados momentos.

O atual Real Madrid preza por tudo aquilo que seu treinador, Carlo Ancelotti, afirmou em sua coletiva de apresentação em junho de 2013. “O clube mais famoso do mundo deve ganhar jogando um futebol espetacular”, disse à época. “No Real Madrid, pretendo mostrar um futebol ofensivo, porque é a tradição do clube”, completou. A imagem final que ficou da primeira temporada do italiano em Chamartin foi a de um time voltado ao contra-ataque (muito graças à forma como derrotou o Bayern de Munich pela Liga dos Campeões), mas na maior parte da campanha os merengues tiveram o controle e a posse de bola em ritmo variado, sem abdicar das velozes e mortais transições.

O Real Madrid 2014/2015 começou a temporada com incertezas, graças às vendas de Xabi Alonso e Di María e às derrotas para Atlético de Madrid e Real Sociedad. Porém, passado o susto inicial, a equipe de Valdebebas assusta. São 38 gols nos últimos nove jogos, vitórias convincentes contra Liverpool e Barcelona e um sistema adaptado às novas peças. De Casillas (fundamental ao evitar o gol de Messi e defender o belo chute de Mathieu) a Benzema, todo o onze inicial está em plena forma física. Isco, ovacionado pela torcida, é o décimo segundo jogador que todo elenco deveria ter.

A estabilização de Kroos como primeiro volante, à frente da defesa, equilibra o meio-campo. É verdade que as linhas mais compactadas têm ajudado o ex-jogador do Bayern, mas é inegável sua melhora nos aspectos defensivos. Sobra talento e disciplina ao alemão, que ainda permite a Modric ficar livre para avançar e criar. O croata ajuda seu companheiro na defesa, mas já tem a liberdade  para as jogadas ofensivas que tinha na temporada passada com Xabi. Não à toa, vive seu melhor momento desde o início da Liga. A fluidez e dinâmica que a dupla de volantes passa são uns dos segredos da boa fase madridista.

Foto: Zimbio | Agora companheiros, Kroos e Modric (e Isco) engoliram o frágil meio-campo do Barcelona na etapa final

Foto: Zimbio | Agora companheiros, Kroos e Modric (e Isco) engoliram o frágil meio-campo do Barcelona na etapa final

Taticamente, Ancelotti tem dado prioridade ao 4-4-2 com ou sem a bola. O triangulo no meio-campo com Kroos, Modric e James ainda pode ser visto, mas o posicionamento frequente do colombiano é aberto à esquerda, deslocando-se com liberdade ao centro (e abrindo espaço para Marcelo, em fase especial, subir e colocar o Real Madrid para cima do adversário). À direita, Bale usa e abusa de sua velocidade. Aliás, o clássico de ontem pediu o galês. James não se saiu mal no setor, mas o resultado poderia ter sido maior com a presença do homem de 91 milhões de euros.

Elogiar Cristiano Ronaldo é pleonasmo. Seus números assombram cada vez mais. O melhor jogador do mundo registra 21 gols em 14 jogos – 16 só na Liga, onde é o artilheiro máximo. O que mais impressiona no português é a capacidade de movimentação sem a bola. Seu deslocamento impecável o permite estar sempre em condições ideais de marcar. Cada vez mais maduro, Benzema já provou-se confiável em jogos decisivos e faz a torcida se esquecer de Falcao García, tanto especulado no verão. Ontem, o francês foi o melhor jogador em campo. Ele parece ser o companheiro de ataque ideal para Ronaldo, por saber inverter de posição e abrir espaço para o gajo adentrar à área.

É quase impossível não dizer que o Real Madrid é favorito a todas as taças que disputa. Ancelotti e os jogadores sabem disso e estão dispostos a encarar de frente a pressão que é lidar com esse favoritismo, principalmente em solo europeu. A ambição do plantel pode fincar o início de um novo ciclo vencedor no futebol espanhol.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.