Corações à prova

#457277668 / gettyimages.com I Luan marcou gol importante

Por O Futebólogo

O retrospecto e o placar do jogo de ida denunciavam: o favoritismo para a conquista de uma das vagas nas semifinais da Copa do Brasil era do Timão. As seis ocasiões em que os alvinegros de Minas e São Paulo se enfrentaram em disputas eliminatórias haviam sido integralmente favoráveis aos paulistanos e o 2×0 no jogo de ida confortava o técnico Mano Menezes. Além disso, Diego Tardelli, grande craque do Galo, chegava exausto dos amistosos com a Seleção Canarinha do outro lado do mundo, no oriente.

Mesmo sem Elias e Gil, que, como o camisa 9 do Atlético, estavam na seleção, mas figuraram no banco de reservas, o Corinthians colocou, logo aos quatro minutos de partida, uma fatal dose de adrenalina no Mineirão, palco dos milagres da Copa Libertadores de 2013 e da Recopa Sul-Americana de 2014. O gol de Paolo Guerrero, na falha do promissor zagueiro Jemerson, prenunciou: o torcedor, fiel como nunca, teria que torcer e alentar como sempre.

Curiosamente, o espírito da equipe não sofreu os efeitos do balde de água fria que o atingiu tão prematuramente. Jesús Dátolo e Guilherme ditavam o ritmo do jogo, enquanto Luan, Tardelli e Carlos movimentavam-se incansavelmente. Aliás, cansado como nunca, Diego correu como sempre, doando-se de forma comovente.

O segundo ato do jogo saiu aos 23 minutos, em lance de gênio de Guilherme, que, à moda de R10, alçou perfeita bola na área corintiana. Com sutileza, ela veio a encontro da cabeleira de Luan, xodó da Massa. E não é que o contestado camisa 17 do Galo encontrou-se pouco depois com a sorte? Seu chute da entrada da área resvalou na defesa paulista e deixou o pobre goleiro Cássio em maus lençóis.

#457277512 / gettyimages.com I Guilherme teve grande atuação

Tudo bem, o time reagiu, mas o 2×1 foi só a metade do caminho. Não obstante o Galo tenha tido outras chances durante o primeiro tempo, como a boa cobrança de falta de Dátolo e a infiltração de Tardelli, o Corinthians também assustava nos contra-ataques, perdendo duas grandes oportunidades, uma por intermédio de Malcom e outra de seu goleador peruano. Veio o segundo tempo.

Sem Luan, que sentiu fortes dores nas costelas (possivelmente derivadas de anterior lesão) e chorou sinceras lágrimas por não poder retornar à cancha e, pouco depois, sem Leandro Donizete, que sentiu a coxa, o torcedor atleticano foi à loucura com o gol arquitetado por DT9 e desperdiçado por Maicosuel, que não convence. Como previsto, o autor de dois tentos na vitória brasileira contra nossos rivais hermanos exauriu suas forças e deu lugar ao jovem Marion.

Enquanto isso, o coração do atleticano foi à boca com o gol desperdiçado por Guerrero, debaixo da meta de São Victor.

A nova dose de adrenalina veio aos 29 minutos, quando o iluminado Guilherme recebeu bola, com liberdade, após ressalto de cruzamento de Douglas Santos. O caprichoso toque na trave só ressaltou a precisão da finalização do meia-atacante mineiro.

Pressão do Atlético! Bolas lançadas na área corintiana e exposição aos contra-golpes do Timão foram a tônica dos minutos finais do jogo. Tardiamente, Mano Menezes lançou mão de Elias, na tentativa de arrefecer os ânimos mineiros, ganhar tempo e dar maior estabilidade ao meio corintiano, mas o volante da Seleção nada pôde fazer quando, aos 41 minutos, após cruzamento de Dátolo e meio desconjuntado, Edcarlos fez Cássio buscar a quarta bola que balançou suas redes.

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Quanta emoção. O torcedor do Galo, de coração reconhecidamente forte, sofreu nos derradeiros quatro minutos acrescidos por Leandro Vuaden, mas quase viu Marcos Rocha marcar um gol que Pelé não conseguiu. No desespero, Cássio deixou a baliza e, em escanteio, foi para a área atleticana em busca de um milagre. Na volta, sem goleiro, Fágner impediu o tento do lateral do Galo.

Ao final, quebrada a escrita de que o Atlético nunca eliminara o Corinthians e finalizada a má sorte da camisa branca do Galo (algo histórico), o clube mineiro mostrou que no futebol as favas nunca estão contadas e que só se dança a marcha da vitória quando esta se consuma – não é mesmo, Mano?

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.