Mengão campeão?

(Foto: André Durão / Globoesporte.com)

(Foto: André Durão / Globoesporte.com)

“Dinheiro na mão é vendaval”, além de letra de um belo samba do Paulinho da Viola, é também o nome do estudo feito pelo Itaú BBA sobre as finanças dos clubes brasileiros em 2013. O relatório mostra que, sem a venda de jogadores, os clubes não cobririam seus custos ano passado.

Vou resumir a história pra quem não quiser clicar no link acima. Os gastos aumentaram. E as receitas subiram graças aos novos estádios, com seus altos preços, e à publicidade (patrocínio). Com duas ressalvas: estádios mais cheios tiveram a ver com o desempenho dos times – como Atlético-MG, Cruzeiro e Flamengo – e publicidade pode não só não aumentar como diminuir ou até mesmo sumir – Santos e Palmeiras estavam, à época do estudo, sem patrocínio máster.

Ninguém precisa ser um gênio em matemática pra entender o gráfico abaixo. O primeiro coloca a venda de atletas nas receitas, o segundo exclui. EBITDA significa “lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização” em inglês. Ou seja, excluindo-se as transferências, as equipes brasileiras tiveram um belo prejuízo em 2013, quebrando a sequência dos dois anos anteriores e voltando à triste realidade de 2010 (e de tantos anos antes).

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A conta é simples: se sai mais dinheiro dos cofres do que entra, os clubes ficam devendo. Se eles devem, não podem investir – ou antecipam receitas para isso, o que é um paliativo extremamente nocivo à saúde financeira. E, de uma forma ou de outra, estão fadados a atrasos de salários, calotes, processos, receitas de bilheteria retidas e tantos outros problemas que vemos há décadas.

E eu com isso? Bom, o eu-Alexandre trabalha com (e escreve sobre) publicidade e marketing esportivo. Quando a fonte seca, tudo o que é considerado supérfluo é cortado primeiro. Mas como a ideia de “supérfluo” nem sempre faz sentido, o marketing costuma sofrer de cara com isso. Aí o setor tem cortes de investimentos, menos ações na área e se resume a um grande bate-cabeça pra conseguir patrocínio milionário. Os clubes ignoram trabalhos de longo prazo com planejamento como solução para seus problemas financeiros e a ideia de marketing esportivo volta a ser apenas logomarca na camisa aparecendo nas transmissões de TV.

(Deus, Buda, Alá e deuses pagãos queiram que eu queime a língua!)

“Que legal, Alexandre! Só não entendi por que o Flamengo aparece no título do texto!” Porque, apesar da falta de dados completos de 2013, ele aparece com avaliação positiva do banco. O que, pra uma instituição com a maior dívida do país, é um avanço fenomenal.

Caso siga neste ritmo, em breve o clube estará entre os raros do país com as finanças controladas e com verba suficiente pra investir, montar grandes times e conquistar títulos. Claro, pode ser que o Flamengo não ganhe nada. Mas basta ver como vai o Cruzeiro pra acreditar nessa tendência.

“E aí, dinheiro na mão é vendaval.” Vai que esses ventos soprem a favor do marketing esportivo, que passaria a ter mais verba pra investir mais e trazer dinheiro e torcedores/consumidores pro clube?

Numa dessas, até eu levanto um caneco. Para brindar a evolução da minha profissão.

Comentários

Sou coordenador de redes sociais do America-RJ e planejamento publicitário. Escrevo sobre marketing esportivo e futebol. Etc e tal.