Nova Espanha, velhos problemas

  • por Victor Mendes Xavier
  • 4 Anos atrás
Foto: Daily Email | Por meritocracia, o moço da foto merece ser o titular da Espanha. No entanto, o conservadorismo de Del Bosque ainda mantém o (atualmente constestável) capitão Casillas como principal goleiro

Foto: Daily Email | Meritocracia: atualmente, o moço da foto merece ser o titular da Espanha. No entanto, o conservadorismo de Del Bosque ainda mantém o (atualmente constestável) capitão Casillas como principal goleiro

O fracasso da Espanha na Copa do Mundo abriu um debate: a Fúria iria se reinventar a partir do estilo seu de jogo? Pois bem, quatro jogos após a competição no Brasil, a resposta parece ser não. Vicente Del Bosque continuou e o jogo previsível também. Tudo bem que é cedo para cravar algo e ainda faltam 20 meses para o início da fase final da Eurocopa, mas há muitos “detalhes” a serem corrigidos.

Sem Xavi e Xabi Alonso, dá para perceber uma Espanha levemente mais veloz na transição da defesa pro ataque. No entanto, paradoxalmente, aí está um ponto frágil do time pós-Copa: sem a cadência e a inteligência de Xabi à frente da defesa, o treinador tem optado por montar um doble-pivote com Busquets e Koke, o que não tem dado muito certo. Na derrota para a Eslováquia na última sexta por 2×1, a equipe de Ján Kozák explorou ao máximo a saída de bola espanhola. Aliás, apesar de ter começado a carreira recuado (onde tem atuado pela seleção), o melhor de Koke, atualmente, só é possível ser visto mais adiantado, como no Atlético de Madrid. Partindo da ponta direita, acostumou-se a explorar os cruzamentos à área e dar o último passe.

Outro problema da “nova” Espanha encontra-se em Diego Costa. O hispano-brasileiro visivelmente não se mostra cômodo em campo no modelo de jogo ibérico e obriga Del Bosque a testar variações para ativá-lo. Contra Luxemburgo, o madrilenho foi a campo num inédito 4-3-1-2, com Silva municiando o centroavante do Chelsea e Paco Alcácer (diga-se de passagem, o 9 que melhor tem se encaixado nesse ciclo pós-Mundial). Diego ganhou liberdade para se movimentar e marcou seu gol, mas mostrou ineficiência nas finalizações ao desperdiçar muitas oportunidades claras.

Apesar do meio-campo à italiana (ou, como dizem na Espanha, “a rombo”) utilizado no domingo, o 4-2-3-1 deve seguir como abordagem tática até para privilegiar as características dos melhores jogadores. Iniesta não começou a temporada bem, mas ainda há argumentos que justifiquem um time construído em torno dele. Ele não fez uma má partida contra Luxemburgo, mas ficou distante de sua área de atuação no 4-3-1-2. E é bom mencionar que Fàbregas, que tem atuado centralizado atrás do centroavante, não foi a campo no estádio Josy Barthel.

O caso de Casillas é emblemático porque mostra como a Espanha resiste a mudanças. O conservadorismo de Del Bosque, principalmente em relação aos senadores do elenco, impede que De Gea, que vem atuando num bom nível há uns três anos, seja o goleiro titular. Após a falha contra a Eslováquia, Casillas enfim foi relegado ao banco. Ainda não há nada que mostre que o treinador vai seguir com essa ideia, mas esse ajuste, ainda que pequeno, é importante.

É chover no molhado comentar isso: quase todos os adversários já sabem o que fazer quando encaram a Roja. A Espanha não precisa de um radical rompimento com a filosofia de jogo barcelonista, mas necessita imediatamente de reparos e alternativas. A espinha dorsal ainda está dentro do prazo de validade e a produção de talento no país é alta. Ao contrário de outras escolas futebolísticas, a Espanha preza pelas oportunidades aos jovens. Del Bosque tem peças o suficiente na mão para fazer mais um trabalho bom. Só precisa acenar com modificações e plano B.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.