O Brasil de um futebol que dá certo

  • por Lucas Sartorelli
  • 7 Anos atrás

O Brasil de Pelotas está garantido na Série C do Brasileirão em 2015. Pelas quartas de final da série D, a equipe do Sul perdeu nos 90 minutos para o Brasiliense por 2×1, mas levou a melhor nos pênaltis e avançou para as semifinais, conquistando o tão sonhado acesso. Um dia após o feito, a massa rubro negra não se conteve e foi as ruas em peso para comemorar e receber a delegação com muita festa e gratidão.

Um Brasil do herói Eduardo Martini, goleiro que defendeu duas penalidades e fez a festa dos cerca de 600 torcedores xavantes que ignoraram a distância e foram até o Distrito Federal apoiar o clube do coração. Seiscentos apaixonados que representaram dignamente uma torcida de um único time no Rio Grande do Sul e que durante boa parte da competição compareceu no acanhado e intimidador estádio Bento Freitas, transformando-o em um caldeirão sem dias ou horários específicos.

Um Brasil que passou por cima de inúmeros obstáculos em uma linda campanha sem despertar a exposição que merece e sem ser lembrado na maioria dos chamados “programas de futebol” de alcance nacional. Programas que, em meio a um universo de interesses midiáticos resumidos a série A, Messis, Ronaldos e dancinhas comemorativas, talvez desconheçam a existência das divisões inferiores do futebol brasileiro, bem como suas agruras.

Um Brasil que, mesmo com altos e baixos, se supera desde 2009, fazendo renascer o espírito do eterno e inesquecível guerreiro Claudio Milar, ídolo e ex-atacante do clube que, juntamente com um zagueiro e um preparador de goleiros, faleceu em um acidente de ônibus numa noite de janeiro daquele ano.

Um Brasil que sem maiores investimentos financeiros ou cifrões oriundos de cotas de televisão, resgatou um futebol aguerrido e provou através da torcida que, mesmo nas profundezas da última divisão nacional, sem os milhões e as modernidades das novíssimas Arenas esportivas, é plenamente possível encontrar paixão e a essência do velho esporte bretão.

Um Brasil em vermelho e preto, da cor da Alemanha, que goleou impiedosamente a apática Seleção Brasileira recheada de estrelas na Copa deste ano em sua própria casa.

Um Brasil das dificuldades, não tão estrelado, mas que joga com sangue, suor e raça e que dá alegrias a seu torcedor.

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.