O instante eterno do Fenômeno

  • por Rogério Júnior
  • 6 Anos atrás

A manhã do dia 30 de junho de 2002 é eterna para os todos brasileiros que vestem a camisa da nação de corpo e alma. Ela ecoa até hoje, pouco mais de 12 anos depois do acontecido. Reverbera. É notável. Está alçada ao patamar mais alto onde pode chegar um jogador de futebol. Jogador, este, acompanhado do torcedor, exemplificado numa legião de apaixonados pelo esporte bretão, que acompanhava o escrete canarinho a 12 horas de distância no fuso horário. Falemos do Fenômeno.

Foto: Lancenet! - Roandl Fenômeno, de origem humilde, decreta o sorriso no rosto em uma multidão de pessoas. Enfim, hexa.

Foto: Lancenet! – Ronaldo Fenômeno, de origem humilde, decreta o sorriso no rosto em uma multidão de pessoas. Enfim, penta.

A vida de Ronaldo Luís Nazário de Lima está, de uma forma ou de outra, ligada a de todo cidadão que nasceu por estas bandas. Ronaldinho – para os mais íntimos – é a personificação do brasileiro que luta incansavelmente por seus objetivos, sonhos e metas de vida. Batalhou, correu atrás e, mesmo diante de uma grande quantidade de barreiras que teve de enfrentar, alcançou um status inenarrável. Há quem diga que é uma lenda. Outros dirão que se trata de um mito. Uma fábula, talvez? Um conto? Pois eu prefiro chamá-lo de Fenômeno.

O estereótipo que assola os campinhos de várzea pelo Brasil afora é simples e fácil de retratar: menino pobre, bom de bola e disposto a ganhar o mundo através da pelota. Fórmula ou não, o fato é que este estereótipo volta e meia, como num passe de mágica, se apresenta como verdadeiro.

Ronaldo foi o escolhido. Era o craque fornecido pelo modesto campo do São Cristóvão, clube pacato do Rio de Janeiro. Quando teve sua primeira chance no futebol, viu-se nascer um atleta único, que gozava de atributos que outros não detinham.

Uma velocidade fora do normal, uma capacidade de explosão magnífica, um chute potente, o traquejo com o drible. Estes eram alguns dos itens presentes no catálogo de Ronaldinho, que logo acabaram despertando a atenção do Cruzeiro, clube de Belo Horizonte que o levou para a Toca da Raposa em 1993.

É ali, na terra do pão de queijo, o ponto-chave da história. A cancha do Estádio Ronaldo Junqueira, localizada na cidade mineira de Poços Caldas, e a cancha japonesa do Estádio Internacional de Yokohama, um dos monumentos da Copa do Mundo de 2002, estão interligadas no contexto de vida de Ronaldo e, por que não, de todos os brasileiros.

Foto: Estadão - Da estreia como jogador profissional, no Cruzeiro, até o fatídico jogo em Yokohama, passaram-se nove anos. Justamente o número de sua camisa.

Foto: Estadão – Da estreia como jogador profissional, no Cruzeiro, até o fatídico jogo em Yokohama, passaram-se nove anos. Justamente o número de sua camisa.

Do dia 25 de maio de 1993, data marcada pela primeira partida profissional na carreira de Ronaldo, ao fatídico dia 30 de junho de 2002 passaram-se pouco mais de nove anos. O curioso é que 9 era o número da camisa dele.

Nove anos de um vulcão que percorreu campos brasileiros, holandeses, espanhóis e italianos, colecionando títulos, artilharias e graves lesões. Além do Cruzeiro, atuou por PSV, da Holanda, Barcelona e Internazionale de Milão, antes de desembarcar em Yokohama para nos dar o mundo.

A vitória brasileira diante da seleção da Alemanha, na final do Mundial, coroou o brilhante mundial que fizera Ronaldo. Artilheiro isolado do certame, o homem ainda encontrou forças para alcançar o fundo da meta do goleiro alemão Oliver Kahn por duas vezes e abrilhantar o seu destino com a quinta estrela exposta no peito do país.

O cotejo diante dos alemães também pode ser chamado de “A Ressurreição do Fenômeno”. Quatro anos antes, Ronaldo tivera uma convulsão gravíssima, instantes antes da Final de Copa de 1998, vencida pela França. Quem esteve na cancha francesa jura que não era Ronaldo quem habitava o gramado.

Rubem Braga, um dos maiores cronistas brasileiros de todos os tempos, dizia que a verdade não é o momento que passa, mas sim o instante. Pois os instantes mágicos de Ronaldo, em 2002, são eternos na memória do torcedor brasileiro. Para nossa sorte, o Fenômeno ressurgiu e nos devolveu o sorriso, que estivera preso por quatro longos anos.

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Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.