O novo Messi

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

O início de temporada reservou algumas dúvidas sobre Lionel Messi. As consequências pelas consecutivas lesões musculares em 2013 foi um jogador menos agressivo e ágil nos dribles e nos arranques com a bola. Desde seu retorno, não foi raro vê-lo ser desarmado com facilidade. A capacidade para decidir um jogo continuou intacta, mas, jogo após jogo, era possível notar que Messi não era mais o mesmo. Além disso, psicologicamente, até em que ponto o fracasso pela perda da Copa influenciaria em seu rendimento dentro de campo?

O natural de Rosário começou a carreira como um ponta-direita moderno. Driblador, veloz e com uma arrancada fulminante, aos poucos foi crescendo de nível na posição até chegar ao topo do mundo, em 2008/2009. Foi no finalzinho dessa temporada, também, que uma “brincadeirinha” de Guardiola resultou em sua versão mais avassaladora. Escalado como falso nove no superclássico contra o Real Madrid, ganhou liberdade de movimentação e era sempre a primeira opção para concluir as jogadas na área.

Foto: Getty Images | No início de sua carreira, Messi tinha liberdade para se mover pelo centro, mas partia sempre da ponta direita

Foto: Getty Images | No início de sua carreira, Messi tinha liberdade para se mover pelo centro, mas partia sempre da ponta direita

O Barça goleou por 6×2, o camisa dez foi um dos melhores em campo e o treinador catalão repetiu a fórmula na final da Liga dos Campeões contra o Manchester United. Deu certo novamente. Ele voltou a marcar, confundiu a defesa adversária e saiu de campo convicto que, naquele momento, realmente era o melhor jogador. Em 2012, os 91 gols marcados assombraram o mundo. Messi parecia estar à frente de seu tempo nesse período. Os questionamentos passaram a ser de “será que ele irá alcançar Pelé e Maradona?” para “quando ele irá alcançar Pelé e Maradona?”.

A contratação de Suárez foi um indício de como Messi seria aproveitado na sua nova fase sem ser subutilizado. O uruguaio ainda não estreou, mas Luis Enrique acena com a criação de um ataque móvel e flexível, com o argentino vindo de trás e dois atacantes à frente mais próximos. Sem dois pontas espetados, Alba e Daniel Alves ganharam papéis fundamentais pelos flancos, pois são os responsáveis por gerar superioridade por ali.

O novo treinador do Barcelona conseguiu encarregar Messi de um papel no qual ele trabalha e participa mais do jogo. Aquele jogador em estado letárgico no Vicente Calderón contra o Atlético de Madrid no jogo de volta das quartas de finais da UCL (a ponto de correr somente dois quilômetros a mais que o goleiro Pinto) é passado. Este cria, aumenta a vocação ofensiva do ataque e faz o time funcionar. Ainda por cima, também participa defensivamente, o que Luis Enrique sempre faz questão de frisar nas coletivas. O entendimento com Neymar tem sido crucial. 
Em 10 jogos, já foram 10 assistências e 8 gols. O arco e flecha agora é 70% arco. O autêntico camisa dez.

Ilustração: Raí Monteiro | O Barcelona de Luis Enrique: dois atacantes por dentro do sistema ofensivo municiados por Messi e laterais fundamentais nas pontas

Ilustração: Raí Monteiro | O Barcelona de Luis Enrique: dois atacantes por dentro do sistema ofensivo municiados por Messi, e laterais fundamentais pelos lados

Um Messi mais “meia” (ou, melhor dizendo, o famoso enganche sul-americano) não é novidade em sua carreira. Quando Guardiola tentou tirar um melhor proveito de Ibrahimovic na segunda metade de 2009/2010, a solução foi deslocar o argentino para o centro a fim de auxiliar o sueco num 4-2-3-1. Messi voou “construindo e destruindo”, mas Ibra seguiu decepcionando. Na temporada seguinte, com Villa e nenhum centroavante de ofício, acabou sendo efetivado como falso nove.

Enquanto seu rival Cristiano Ronaldo é cada vez mais adiantado, Messi é recuado. À sua maneira, vai escrevendo mais um capítulo de sua carreira. Se em certos momentos nos últimos meses o argentino foi dado como decadente, a aptidão para se reinventar prova que ele ainda deve durar muito.

Ilustração: Squawka | O mapa de calor de Messi contra o PSG: distante da área e idas frequentes à direita

Ilustração: Squawka | O mapa de calor de Messi contra o PSG: distante da área e idas frequentes à direita

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.