Diegol Costa, o matador dos Blues

#458622780 / gettyimages.com | Diego Costa mudou a cara do Chelsea

Por O Futebólogo

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Como previu José Mourinho, a temporada 2013-2014 do Chelsea foi um período de reconstrução. Um novo elenco começou a ser formado e, desde o início, o treinador português definiu que seus objetivos com os Blues não eram imediatos e, provavelmente, só seriam vistos na temporada seguinte, a corrente. Todavia, o clube londrino não fez um “mau” papel na temporada e, certamente, poderia ter feito mais se dispusesse de um “assassino” no comando de seu ataque.

Com Fernando Torres, Demba Ba e Samuel Eto’o como opções, o Chelsea sofreu com a falta de gols de seus atacantes e viu o winger Eden Hazard liderar a artilharia do clube. Por isso, a primeira atitude de Mourinho foi garantir a contratação de um jogador que lhe trouxesse a fome de gols de volta, como outrora tivera com Didier Drogba, em sua primeira passagem pela capital inglesa. Nesse contexto, por aproximadamente 33 milhões de libras, o Chelsea contratou Diego Costa, grande referência de um surpreendente Atlético de Madrid.

O clube londrino não poderia ter obtido melhor fortuna. Na Premier League, onde galopa confiante na primeira colocação, com três pontos de vantagem para o Manchester City e três gols de saldo a mais, o clube voltou a ver a diferença e o impacto de contar com um poacher, um atacante que vive à espreita, faminto por um ressalto, pela mais miserável bola ou por uma assistência açucarada. Que trata a baliza com ferocidade, sempre buscando agredi-la.

#489515459 / gettyimages.com | Torres foi a personificação da má fase do ataque dos Blues

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Em 15 jogos, Diego Costa já foi às redes 13 vezes, detendo a ótima média de um gol a cada 97 minutos (seu início havia sido ainda mais arrasador com média de um gol a cada 65 minutos).  Como comparação, na última temporada, Torres balançou as redes adversárias cinco vezes em 28 jogos, média de um tento a cada 315 minutos; Demba Ba anotou cinco tentos em 19 jogos, média de um gol a cada 134 minutos; e Eto’o marcou nove gols em 21 encontros – média de um gol a cada 144 minutos.

O mais interessante é que apesar do estilo aguerrido de jogo, Diego Costa tem feito gols de todos os tipos, ressaltando-se o que fez contra o Arsenal, na sétima rodada da Premier League, que contou com a excelente assistência de Cesc Fàbregas – outra tacada certeira do Special One. Junte-se a isso o fato de que o hispano-brasileiro tem jogado com um problema muscular que inclusive o tirou do encontro frente ao Schalke 04, pela UEFA Champions League.

Quem pensou que um atacante com as características de Diego Costa não daria certo na Inglaterra se enganou. Apesar de seu estilo brigador, o avançado tem se mostrado sutil quando necessário e também tem colaborado muito com o coletivo, seja marcando gols, atazanando a vida de seus marcadores ou mesmo ajudando na recomposição defensiva do time. Sua predileção pela grande área adversária não o torna um jogador egoísta.

Outra questão interessante é sua inteligência, refletida em seu posicionamento. Grande parte de seus êxitos deve-se à enorme capacidade que tem de estar no lugar certo, na hora exata, o que não tem a ver com sorte, mas competência. Além disso, o atacante demonstra uma incomum aptidão para não ficar em impedimento, sempre estando em boa condição para receber passes em profundidade.

O Chelsea 2014-2015 é, sem dúvidas, muito mais time do que o da temporada passada. Muito disso deve-se ao oportunismo de um sergipano-espanhol de estilo durão e calculista, de um grande atirador. É claro que o time não é só Diego Costa, mas a grande revolução Blue de uma temporada para a outra foi a chegada da antiga máquina mortífera colchonera.

Confira a última pintura de Diego pelos azuis de Londres, um golaço que selou a vitória do Chelsea em cima do West Ham:

https://www.youtube.com/watch?v=7xmwG561o8I

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.