Ryan Mason, a descoberta de Pochettino

Foto: Kieran Mc Manus/ BPI/ Rex - Em sua grande chance, Mason marcou

Foto: Kieran Mc Manus/ BPI/ Rex – Em sua grande chance, Mason marcou

Por O Futebólogo

Se há um time na Premier League do qual sempre se espera algo e que nunca deslancha é o Tottenham. Apresentando jogadores interessantes, o clube londrino, sucessivamente, traz consigo a expectativa de uma campanha, brigando nas cabeças, o que raramente acontece. Na última temporada, com a venda de Gareth Bale, o clube encheu seus cofres e fez muitas contratações, as quais não surtiram o efeito pretendido no último ano.

Para o meio-campo, que já tinha figuras como Sandro, Moussa Dembélé e Gylfi Sigurdsson, chegaram Paulinho, Étienne Capoue e Christian Eriksen. Entretanto, ao final da temporada, quem havia ganho espaço na meia-cancha era o jovem argelino Nabil Bentaleb, que integrava os escalões inferiores do clube. Apesar de terem qualidades – como demonstraram em clubes anteriores –, os meio-campistas dos Spurs não foram capazes de fazer o time progredir, deixando evidenciado que o setor era o maior problema da equipe.

Em 2014-2015, Sigurdsson e Sandro se foram e o francês Benjamin Stambouli chegou. Mas a mudança mais importante aconteceu fora das quatro linhas: o treinador. Mauricio Pochettino (ex-zagueiro argentino), credenciado por um belo trabalho no Southampton, desembarcou em Londres e tem ajudado o clube a se encontrar, ainda que gradativamente. Apesar de ainda oscilarem muito, jogadores como Nacer Chadli e Erik Lamela cresceram. Mas, a despeito de não ter o nome de seus concorrentes, a grande descoberta da temporada foi uma cria do clube, que há muito estava escanteado: Ryan Mason.

Foto: Reprodução - O garoto passou um período no modesto Yeovil

Foto: Reprodução – O garoto passou um período no modesto Yeovil

Destruidor de qualidade, bom passador e dono de ótima aproximação ao ataque, o inglês de 23 anos tem dado a movimentação e a liga que faltavam ao time – mormente pelo lado esquerdo do meio –, demonstrando impressionante consistência. Mas de onde veio este garoto?

Ryan Mason chegou aos Spurs aos oito anos de idade e estreou profissionalmente aos 17, em partida válida pela extinta UEFA Cup (atual Europa League). Na ocasião, o Tottenham enfrentou o NEC, na Holanda, e Mason atuou um minuto, substituindo David Bentley. Na época, chegou a ganhar, inclusive oportunidades nas Seleções Inglesas Sub-19 e Sub-20, apresentando-se como uma grande promessa. Todavia, sua história nos seis anos seguintes demonstra que não foi bem isso o que aconteceu.

Sem espaço no clube, passou uma temporada emprestado ao Yeovil Town, então na Terceira Divisão Inglesa. Em 29 jogos, marcou 6 gols e conferiu 5 assistências. Veio a temporada 2010-2011 e a história se repetiu, mas dessa vez o empréstimo não foi dos mais proveitosos. Primeiramente, assinou um vínculo de dois meses com o Doncaster Rovers. Cumprido o acordo, retornou ao Tottenham, renovando seu contrato e sendo novamente enviado ao Doncaster Rovers. Lá, permaneceu a primeira parte da temporada 11-12, seguindo para o Millwall, onde esteve até o final do ano, novamente pouco aproveitado.

Foto: Tottenham.co.uk - Mason também passou pelo Swindon Town

Foto: Tottenham.co.uk – Mason também passou pelo Swindon Town

Veio 2012-2013 e Mason ganhou miseráveis três chances no clube londrino, sendo, na janela de inverno europeia, emprestado ao Lorient, da França, clube pelo qual sequer entrou em campo. Em 2013-2014, atuou durante toda a temporada no modesto Swindon Town, da Terceira Divisão. Pouco aproveitado, convivendo com lesões e até mesmo com problemas de peso, Mason deixava de ser uma aposta e começava a se transformar em eterna promessa.

Apesar disso, e de forma inesperada, na presente temporada, Mason recebeu uma oportunidade contra o Nottingham Forest, na League Cup, e marcou um gol, aproveitando bem a sua chance. Desde então, ganhou espaço e está se consolidando no meio-campo londrino. De cara, logo após seu primeiro jogo, ganhou a titularidade no grande clássico, contra o Arsenal.


No último encontro, conquanto não tenha conquistado a vitória, o torcedor dos Spurs viu sua joia dar ótima assistência para o gol de Emmanuel Adebayor.

Sobre seu momento, Mason falou: “é uma boa sensação. Sigo dizendo isso, mas as últimas duas semanas foram inacreditáveis para mim e foi ótimo conquistar três pontos em minha estreia em casa (contra o Southampton).” Além disso, o jovem destacou a importância do treinador Mauricio Pochettino: “Penso que 90-95% dos treinadores não teriam me colocado, eles teriam se esquivado disso e procurado alguém com muito mais experiência. Mas ele mostrou fé em mim.”

Foto: Tottenhamhotspur.com - Mapa de calor de Mason na partida contra o Southampton

Foto: Tottenhamhotspur.com – Mapa de calor de Mason na partida contra o Southampton

Pochettino, por seu turno, também destacou a qualidade de seu garoto:

“Sua forma não é surpresa para mim, pois o conheci desde o começo da pré-temporada. Eu também conhecia sua história, como as últimas duas ou três temporadas têm sido difíceis para ele. Tentamos ajudá-lo, seu desenvolvimento e sua condição física, porque isso é um grande problema que ele teve. Ele me mostrou nos treinamentos sua qualidade. (…) Nesse momento, Ryan tem a possibilidade de jogar porque ele merece e tem de fato mostrado sua habilidade. Todo mundo está muito feliz com o desempenho de Ryan.”

Se o desempenho coletivo da equipe não é o melhor, apresentando muita instabilidade, ao menos um motivo o torcedor tem tido para se alegrar. Hoje, seu meio-campo ganhou uma alternativa de muita qualidade técnica e que tem sido capaz de dar fluidez da equipe. Após seis anos à margem, com Pochettino, Mason ganhou sua oportunidade e a agarrou. Quem comemora é o torcedor.

Foto: Sky Sports - Pochettino encontrou em seu próprio elenco uma boa solução

Foto: Sky Sports – Pochettino encontrou em seu próprio elenco uma boa solução

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.