Toni Kroos e James Rodríguez: plenamente adaptados

Foto: Denis Doyle | James e Kroos dividem algumas cobranças de falta no Bernabéu.

Foto: Denis Doyle | James e Kroos dividem algumas cobranças de falta no Bernabéu.

Angel Dí Maria e Xabi Alonso foram mais que fundamentais na última temporada. Com eles, participando ativamente, o Real Madrid ganhou “la décima” e a Copa do Rey. Xabi Alonso, sempre muito preciso desde a era Mourinho, alternando estilos de jogo, ora passando curto, ora lançando, mas sempre com a mesma precisão; Dí Maria, acelerando pelo flanco direito, buscando a diagonal, mas tendo que mudar de posição para atender o que buscava Ancelotti -adaptado, foi o craque da final em Lisboa.

A valorização que o argentino esperava não veio, a relação com o Real se desgastou em poucos dias e o atleta procurou sair. Pintou no PSG, mas foi para Manchester, a pedidos do amigo Cristiano Ronaldo. Xabi Alonso foi um caso distinto. Super identificado com o clube e titular absoluto, se cansou de Madri. Queria respirar outros ares e ter novas motivações. Pediu para ir embora.

Para o lugar deles, Florentino Perez foi ao mercado. Primeiro veio Toni Kroos, craque da Alemanha campeã do Mundo. Para muitos, craque do Mundial. Depois, James Rodríguez, sensação e artilheiro da mesma Copa do Mundo. A chegada de dois jogadores com características tão peculiares exigiriam tempo e trabalho de Carlo Ancelotti.

Foto; Real Madrid | Toni Kroos e toda sua elegância de condução e passe.

Foto: Real Madrid | Toni Kroos e toda sua elegância de condução e passe.

Toni Kroos, durante muito tempo no Bayern e na Alemanha, foi um segundo volante que atuava muito próximo do ataque e, às vezes até um ponta de lança (o meia centralizado no 4-2-3-1). Ancelotti precisava de um primeiro volante. Nada com o que o jogador estava acostumado. James até havia trabalhado pelo lado, mas estava mais acostumado ao centro, como jogava na seleção colombiana, com menos compromisso na marcação.

A solução de Ancelotti foi dar sequencia ao que já havia feito na temporada passada. Duas linhas de quatro de muita compactação e velocidade no contra-ataque, com um posicionamento que privilegiava Cristiano Ronaldo à frente. Demorou, o time perdeu dois jogos seguidos com claras falhas de posicionamento, mas aconteceu. Hoje, Kroos e James estão plenamente adaptados aos trabalhos defensivos e ofensivos em suas novas funções.

Reprodução: Globoesporte | As duas linhas de quatro do Real Madrid contra o Liverpool.

Reprodução: Globoesporte | As duas linhas de quatro do Real Madrid contra o Liverpool.

Em 12 jogos por Liga Espanhola e Champions League, Toni Kroos deu 855 passes, tendo errado apenas 51 destes. O que significa dizer que o camisa oito dá 71 passes por jogo, acertando 67 em média. Além de ter seis assistências neste período, fez 26 desarmes. Kroos está adaptado ao trabalho de primeiro homem do meio-campo.

Neste mesmo período, James Rodríguez soma três gols e quatro assistências. Sua porcentagem de passes é menos precisa que a de Kroos: 532 acertos em 611 tentativas, média de 44 acertos em 50 passes por jogo, além de 27 arremates neste período. Aberto pelo lado direito, às vezes pelo lado esquerdo, também, James está muito bem no trabalho defensivo, compactando sem a bola e acelerando com ela.

Os números acima, além do bom futebol, mostram que o trabalho de Ancelotti está surtindo efeito. Mesmo com novas peças, que vão se adaptando, o Real segue favorito a tudo na temporada.

Foto: AP | James e Ronaldo comemorando na Supercopa da UEFA.

Foto: AP | James e Ronaldo comemorando na Supercopa da UEFA.

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]