Última Dimensão – Parte 2

  • por Matheus Mota
  • 6 Anos atrás
Torcida do Barretos na partida contra o Mauaense. Foto - Reprodução

Torcida do Barretos na partida contra o Mauaense. Foto – Reprodução

Foi publicado no começo do ano um texto sobre a Segunda Divisão Paulista – que na verdade é a quarta divisão -, último escalão do futebol profissional de São Paulo. De lá pra cá, muita coisa aconteceu. Tentaremos resumir aqui.

A princípio, eram 39 equipes, que, durante 7 meses, com sorte, disputariam 4 sonhadas vagas para a A3 2015. Muitas ficaram pelo caminho – 31, para ser mais exato. Dentre elas, o Tanabi, clube que contratou o atacante Cabañas, naquele que foi um dos maiores golpes midiáticos do ano. Se no marketing as coisas deram certo, a história, em campo, foi bem diferente: a equipe somou apenas 2 pontos em 8 jogos, com direito a três derrotas por 4 a 0, e Cabañas, por conta de problemas legais, só pôde atuar no amistoso contra o Grêmio Barueri, em um momento em que o Tanabi já estava eliminado. Outro fato chato é que o tradicionalíssimo Taquaritinga abandonou a competição no meio, devido a problemas no seu estádio, o Adail Nunes da Silva, ou simplesmente Taquarão. O Ministério Público lacrou o estádio por julgá-lo em más condições, e como a cancha é mantida pela prefeitura, a agremiação nada pôde fazer para deixá-la apta. Como jogar em outra cidade seria muito custoso, a diretoria optou por deixar o certame.

Em contrapartida, isso trouxe uma das coisas mais legais da competição: a participação do USAC na 2ª fase. Explica-se: entre contar com um grupo com uma equipe a menos e chamar o time que ficou imediatamente atrás do CAT, a FPF escolheu a segunda opção. O USAC já havia dispensado todos os seus atletas e comissão técnica, mas mesmo assim aceitou o desafio, e partiu para a disputa com jogadores da base e do futebol amador da região. A iniciativa foi bem mais louvável que o desempenho em si, já que o clube sofreu a maior goleada da competição: 10 a 0 contra o Grêmio Mauaense. O ponto alto da participação foi a vitória contra o Taboão da Serra, que é uma das equipes que está disputando o acesso. Outra coisa interessante foi o bom desempenho do Manthiqueira na competição. Para os que não conhecem, o Manthiqueira é uma equipe que preza pelo fair-play, proibindo, por exemplo, que seus atletas simulem faltas, façam cera, xinguem o juiz, e outras coisas do tipo, e é a única equipe do país que tem uma mulher, Nilmara Alves, como treinadora, e ela tem de seguir as mesmas normas que os atletas. A equipe de Guaratinguetá, que contou com Triguinho nessa edição do campeonato, chegou até a 3ª fase, no melhor desempenho de sua curta história. Se profissionalizou em 2010.

No mais, a competição está com um bom nível, tendo uma média de gols considerável: em 308 partidas, foram 820 gols, média de 2,66. Pelo segundo ano seguido, Sócrates, do Nacional, é o artilheiro, com 16 gols. Ano passado, pelo USAC, marcou 16 gols, quando a sua equipe chegou na 3ª fase.

Já estamos na quarta e última fase do campeonato, quando serão definidos os 4 times que conquistarão o acesso para a Série A3 2015. Equipes tradicionais, como União São João de Araras e XV de Jaú, ficaram pelo caminho, enquanto Portuguesa Santista e Nacional ainda estão no páreo. Nesse momento, com duas rodadas já disputadas, Atibaia e Taboão da Serra lideram no grupo 18 com 7 e 4 pontos, respectivamente (em um grupo com Barretos – 4 pontos – e Portuguesa Santista, com apenas 1 ponto). No Grupo 19, Nacional e Primavera, empatados em 5 pontos, ocupam a zona de acesso, seguidos de perto pelo Grêmio Prudente, com 3, enquanto o Olímpia amarga a lanterna, com apenas 1 ponto conquistado.

Temos a oportunidade de ver clubes que podem estar nas divisões máximas do futebol paulista e até mesmo brasileiro. Vale lembrar que o Oeste, hoje na Série B do Brasileiro, militava nesses escalões há uns 15 anos; no estado, Penapolense e mais recentemente Capivariano estavam nessa mesma situação. Dito isso, é uma ótima pedida para quem quer que more nessas cidades ou imediações e tiver disposição para conseguir acordar cedo aos domingos.

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Paulista e torcedor do Santo André. Historiador, acompanha o futebol como um todo, mas sobretudo o lado mais alternativo da coisa.