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A covardia que vira e mexe dá as caras

  • por Bráulio Silva
  • 5 Anos atrás

MURICY

Muricy Ramalho inegavelmente é um grande treinador. Seus times treinam à exaustão e pequenos detalhes decidem os jogos. Seu estilo deu até origem ao termo “Muricybol”, que é quando um time tem seu jogo baseado apenas e tão somente no jogo aéreo. Não à toa, o técnico acumula quatro títulos brasileiros e uma conquista da Libertadores da América. Da mesma forma, também é inegável o destrato que o treinador tem com os jogadores da base. São inúmeros os casos de atletas que sofrem em suas mãos, que se sentem boicotados ou que simplesmente nunca têm a chance de demonstrar seu valor.

Arte: Doentes por Futebol | Nilmar, Hernanes e Oscar, três expoentes que exemplificam a dificuldade de Muricy em aproveitar seus craques da base.

Arte: Doentes por Futebol | Nilmar, Hernanes e Oscar, três expoentes que exemplificam a dificuldade de Muricy em aproveitar seus craques da base.

Lembremos alguns casos. Nilmar em 2003 demorou a se firmar no Inter. Hernanes chegou a ser trocado com Ramalho do Santo André em 2006. Breno não foi inscrito na Libertadores de 2007 e Oscar entrou na justiça e deixou o São Paulo após passar duas temporadas na reserva com o treinador. Também podemos incluir na lista o meia Felipe Anderson, que foi vendido do Santos para a Lazio da Itália após ter problemas com Muricy. Todos jogadores com passagens pela base da seleção brasileira.

Agora o problema do técnico parece ser com os jogadores “96” do São Paulo. Desde que o CT de Cotia foi fundado, fala-se muito bem desta geração de tricolores. O temor de alguns era ter que passar pelo crivo do treinador. Boschilia, Ewandro e Auro são os nomes da vez.

>>Leia mais: Boschilia, a nova joia tricolor<<

O atacante Ewandro entra pouco nos jogos e quase sempre no fim da partida. Inesperadamente, foi titular em duas oportunidades, sendo substituído no intervalo em ambas.

O meia Boschilia distribui talento. Canhoto e habilidoso, não engatou uma sequência de jogos entre os titulares, mas vem ganhando experiência ao conviver com Kaká e Ganso. Entrando no fim das partidas, fez seu primeiro gol como profissional no duelo contra o Huachipato. Mas já teve dois desentendimentos com o treinador. O primeiro, no começo do Brasileirão, quando o treinador quase entrou em campo para bater no garoto que descumpriu uma ordem. O segundo foi contra a Chapecoense, quando o meia entrou no lugar de Kaká e cinco minutos depois foi substituído após a expulsão de Paulo Miranda.

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A treta da vez parece ser com Auro, jovem lateral que caiu nas graças da exigente torcida. Como já foi dito aqui no site, o jogador não é um exímio marcador, mas vem se esforçando para melhorar. Ontem, após péssima jornada de Paulo Miranda, a torcida gritou seu nome. Perguntado na coletiva, Muricy deu a seguinte declaração:


“Acontece que eu sou treinador de futebol e eu quando vou fazer alguma coisa com o time eu vejo os números. Não sei se você (jornalista) faz, mas eu faço! Então a gente nos jogos contra Coritiba, Corinthians, Flamengo e Fluminense sofremos 11 gols (sic). Certo? Depois que eu mudei foram quatro jogos e um gol. Eu não estou de brincadeirinha aqui. Não gosto, não tenho preferência de nada. Aqui a gente sabe a hora certa de pôr ou tirar o jogador”.



Já que o técnico quer trabalhar com números, vamos a eles: Auro estreou pelo SPFC contra o Sport substituindo Paulo Miranda lesionado. Um dos melhores em campo, o tricolor saiu vencedor por 2×0. Após esse jogo, o lateral atuou nos seguintes jogos:

– Botafogo 2×4 São Paulo. Excelente no apoio, o time tomou dois gols, ambos de bola parada e originados de escanteios do lado esquerdo da defesa;

– São Paulo 2×0 Cruzeiro. Mesmo atuando contra o temido líder, Auro se mostrou seguro e o time venceu sem sustos;

– Coritiba 3×1 São Paulo. Os dois primeiros gols foram originados no lado esquerdo da defesa. O terceiro foi uma falha do miolo de zaga, quando Edson Silva deu condições para Joel avançar e marcar;

– Corinthians 3×2 São Paulo. Dois gols de pênalti. Um pelo lado esquerdo e um contra-ataque originado na falha de cobertura dos volantes. No terceiro gol, Auro errou ao não acompanhar o atacante Guerrero no lance;

– São Paulo 2×2 Flamengo. Um dos gols foi nas costas do lateral, mas a bola era totalmente defensável. O outro gol foi em escanteio, cobrado pelo lado esquerdo;

– São Paulo 1×3 Fluminense. O segundo gol foi um erro de posicionamento do jovem. Os outros gols, falha coletiva novamente;

Muricy errou nos números. Os onze gols sofridos foram em seis jogos. Destes, apenas três foram originados em falhas do lateral. O treinador foi covarde ao jogar toda a culpa de alguns fracassos nas costas de um jogador inexperiente – e não foi a primeira vez que isso ocorreu.

>>Leia mais: Auro, a nova aposta da lateral direita<<

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.