Ainda não é o fundo do poço

  • por Leandro Lainetti
  • 6 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

O futebol é reflexo da sociedade. E se a sociedade, por diversos motivos, mostra que está caminhando a léguas de distância do caminho certo, com o futebol não parece ser diferente. Ano após ano, passamos por situações que nos fazem repetir um dos maiores clichês quando as coisas não andam lá muito boas: “estamos no fundo do poço”. Mas não estamos. Ainda. E isso é o mais preocupante.

Num curto espaço de tempo, em 3 dias para ser mais preciso, o noticiário esportivo trabalhou quatro assuntos com maior importância, mais destaque. A super final da Copa do Brasil entre Atlético Mineiro e Cruzeiro, os problemas de ingressos envolvendo esta mesma final, o retorno de Eurico Miranda à presidência do Vasco – e ao futebol -, e mais um capítulo do rebaixamento da Portuguesa pela escalação irregular de Héverton – agora com a suposição de que a Lusa foi subornada por alguém.

Alarmante é perceber que, dos quatro assuntos, três não se referem especificamente ao futebol, bola rolando e, sim, aos bastidores, corrupção, mesquinharias e pequenezas que deveriam estar sujeitas a segundo plano. Atentemos também ao fato de que a própria Seleção Brasileira, e deixemos de lado todos os poréns que a CBF traz consigo, fez um amistoso nesta quarta-feira que foi praticamente ignorado.

O futebol brasileiro vive uma fase tão ruim, muito mais fora do que dentro das quatro linhas, que fica difícil saber qual problema atacar primeiro. E todos os personagens envolvidos no espetáculo – imprensa, dirigentes, clubes, jogadores, técnicos, árbitros e torcedores – têm culpa nessa eterna sombra que estamos arrastando sobre nossas próprias cabeças.

Cada qual com sua cota de responsabilidades mas todos, sim, todos, com uma parcela de culpa.

Independentemente das razões que tinha para mandar o jogo no Independência, por que Kallil não o fez no Mineirão? Por que os dois clubes não chegaram a um acordo para ter estádio dividido nos dois clássicos, com aquela festa tão linda que só duas torcidas grandes podem fazer? Por que a polícia é incapaz de garantir a segurança de duas torcidas dentro e fora do estádio?

Os casos da Lusa e do retorno de Eurico são sintomáticos. Muita água ainda vai rolar, muita coisa vai e não vai acontecer – mesmo que devesse – e no final teremos a certeza que estamos mais longe do caminho certo do que estávamos antes destes casos surgirem para nos sugar um pouco mais de esperança.

Quanto à Seleção, ela ganhou. 4×0 em cima da Turquia. Mas essa semana levamos mais três gols da Alemanha. E descobrimos que estamos muito longe do fundo do poço, apesar de estarmos cavando colossalmente para chegar lá.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.