Cair de pé

  • por João Rabay
  • 5 Anos atrás

O Santos esteve a dez minutos da final da Copa do Brasil. Vencer o Cruzeiro, melhor time do país, por mais de um gol de diferença, não seria fácil, mas foi por pouco que a equipe alvinegra não conseguiu.

Passada a decepção com o resultado, é preciso seguir em frente. Levantar poderia ser a palavra em outras circunstâncias, mas não para quem caiu de pé.

O torcedor que esteve presente na Vila Belmiro para apoiar o Santos pode ter ficado triste com a eliminação, mas com certeza saiu do estádio orgulhoso pela postura do time.

[youtube id=”i7GF8c6Rifs#t=26″ width=”620″ height=”360″]

Orgulhoso e confiante, sabendo que 2014 meio que acabou antes da hora, mas que 2015 promete mais. Mais entrosamento entre os jogadores, mais do jeito de Enderson Moreira de montar a equipe, mais maturidade para jogadores talentosos, como Lucas Lima, Geuvânio e Gabriel.

Alguns clubes têm características próprias, marcadas profundamente na instituição, sem as quais as coisas dificilmente funcionam. No caso do Santos, fundamentais são a ousadia, a leveza, a vocação e a vontade de atacar, de ir pra cima. Como definiu o ex-presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, o Santos tem DNA ofensivo.

Apostar no talento e no ataque é o jeito que dá certo na Baixada Santista. É assim que se faz para envolver a torcida e trazê-la para junto do time.
O que se viu no duelo contra o Cruzeiro é prova disso. Rápido, ousado e ofensivo, o Santos conseguiu os gols que precisava para passar de fase. Como do outro lado estava outro grande time, não deu para segurar o 3 x 1. Futebol é assim, um ganha, o outro perde.

O que fica é a confiança em um time unido, talentoso e dedicado, que deu tudo o que podia em campo em busca de honrar a camisa santista. As lesões musculares, frequentes no elenco, mostram, além da dificuldade com o calendário apertado, que os jogadores santistas se esforçam até o limite.

Como não aplaudir de pé a dedicação de Alison, que de tanto se doar para segurar o ataque mineiro, teve de ser substituído esgotado? Ou Robinho, que desde que voltou vem mostrando a vontade de lutar por mais conquistas. E todos os outros que fizeram sua parte na luta pela vaga na final.

A arrancada do começo do segundo turno do Brasileirão, que deixou o Santos em condição de brigar pelo G4, a campanha na Copa do Brasil e vários bons jogos da equipe no ano mostram que o time é talentoso, mas ainda não está totalmente pronto.

Ano que vem, depois do descanso, da pré-temporada e dos acertos do treinador, o alvinegro tem tudo para manter a evolução que mostrou em 2014 e brigar pelos títulos às quais a torcida está acostumada. Caímos, mas caímos de pé.

Comentários

Jornalista. Doente por futebol bem jogado e inimigo de jogadores que desistem da bola para cavar falta e de atacantes "úteis porque marcam os laterais".