Carlos, a esperança de gols do Galo

Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

No início do ano, o Atlético Mineiro fez um laboratório. Com um elenco inchado, muito em função de alguns retornos de empréstimo, o Galo contou com três centroavantes em seu plantel. O primeiro a se despedir foi o limitadíssimo Leonardo, que partiu emprestado para o Sport. Vivendo má fase durante todo o ano, e André se tornaram as principais opções, mas, diante de sua ineficiência e de problemas extracampo (atualmente, encontram-se com seus contratos suspensos e devem deixar o clube em 2015), viram um garoto de disposição assombrosa ascender.

Carlos Alberto Carvalho da Silva Júnior, o Carlos, já havia estreado em 2013, em um melancólico empate por 0x0, contra o Náutico. No entanto, com a chegada de Levir Culpi, começou a cavar seu espaço no time titular, muito em função das dificuldades enfrentadas pelo Galo com as lesões. No Campeonato Mineiro, ainda sob o comando de Paulo Autuori, o garoto de 19 anos marcou duas vezes, contra Villa Nova e Boa Esporte. No Brasileiro, estreou na vitória sobre o rival Cruzeiro, 2×1.

Entrando no time sempre na condição de reserva, Carlos demorou oito partidas para marcar no Brasileirão. Sua primeira participação como titular, após o Campeonato Estadual, aconteceu contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil. Desde então, tem sido um titular regular. Seu primeiro tento veio na vitória contra o Goiás, no Serra Dourada, na 22ª rodada do Brasileiro. Na sequência, com dois gols, foi o herói da vitória do alvinegro no clássico contra o Cruzeiro. Desde então, voltou a marcar contra Criciúma e Sport, computando cinco gols no Brasileirão. Seu desempenho levou o presidente Alexandre Kalil a renovar seu contrato, que agora vige até 2019.

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Apesar de garoto, Carlos se destaca muito pela maturidade. Poucas vezes o torcedor alvinegro viu um jogador da base entrar no time com tanta inteligência tática e dedicação. Centroavante fixo na base, o jovem tem circulado por todo o ataque e ajudado religiosamente na recomposição defensiva, muitas vezes assistindo os laterais na marcação – como confirma seu mapa de calor do jogo contra o Flamengo, válido pela Copa do Brasil, em que marcou o gol de empate. Até por isso, sua marca artilheira não é tão assombrosa quando era na base. Segundo o site Galo Digital, no time júnior, em 69 jogos, marcou 39 gols.

Foto: Footstats - Mapa de calor de Carlos na goleada atleticana contra o Flamengo, 4x1

Foto: Footstats – Mapa de calor de Carlos na goleada atleticana contra o Flamengo, 4×1

Evidentemente, em decorrência de sua juventude, Carlos ainda peca muito em algumas finalizações, o que é plenamente relevável tomando por base suas qualidades. Seu faro de gol e colocação na área são impressionantes para alguém tão jovem. Mas, como ressaltado pelo treinador Levir Culpi, é necessária alguma calma com o garoto, afinal, ele está sendo lapidado.

“O Carlos apresenta muitas ações ofensivas. Ele sempre está presente. Por jogo, não deixa de ter, no mínimo, duas ou três participações. Melhor que muitos atacantes experientes do futebol brasileiro. É um grande mérito. Mas claro, com 19 anos, precisa desenvolver bem a parte técnica. É preciso paciência e calma com ele.”

Seu desempenho e momento também têm sido observados de perto por Alexandre Gallo, treinador da Seleção PréOlímpica. Neste ano, Carlos disputou e conquistou a Panda Cup, na China, em maio. No mês passado, voltou a ser chamado, desta vez para o Torneio da Wuhan, também na China, mas, a pedido dos clubes brasileiros, Gallo refez a convocação, mormente composta por jogadores que atuam no exterior.

Vivendo bom momento, como toda a equipe alvinegra, Carlos é mais uma promessa que o Atlético apresenta para o mundo. Em uma época em que cada vez mais se exige que os atacantes não se restrinjam às atividades ofensivas, o garoto vê pela frente um futuro brilhante. Com tempo e paciência, tem tudo para evoluir e se tornar um dos grandes atacantes do futebol brasileiro. Assim espera a torcida do Galo.

Olho Nele!

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.