Doentes por Futebol na final da Série B do Paulista

  • por Matheus Mota
  • 7 Anos atrás
Nacional Campeão. Foto - Divulgação

Nacional Campeão. Foto – Divulgação

Depois de longos meses, a Série B do Paulista chegou ao seu último dia com a finalíssima entre Nacional e Atibaia, sendo o Nicolau Alayon, na Barra Funda, o palco para o confronto. Vale lembrar que nenhum dos times que conseguiu subir para a A3 2015 (além dos dois finalistas, foram Barretos e Primavera) era favorito para o acesso.

Em finais, via de regra, não é possível cravar um favorito, e este caso não foi exceção. Se o Nacional teve a melhor campanha geral, o Atibaia conseguiu vencer a equipe paulistana na capital durante a segunda fase da competição. Por ter vencido o jogo da ida, o Atibaia tinha a vantagem do empate, enquanto o Nacional ficaria com o título com qualquer vitória, independentemente do número de gols sofridos, pois o critério de desempate seria a melhor campanha.

Com a final marcada para 10h45 da manhã, era certo que todos os presentes teriam um sol cada e, mesmo para aqueles que conseguiram uma vaga na parte coberta, as coisas não foram fáceis. Normalmente, não seria nenhum desafio conseguir lugar em qualquer canto do estádio, pois nos últimos anos o Nacional sofre com a falta de público em seus jogos, mas, tratando-se de uma final, muita gente foi prestigiar o clube.

Para aqueles que têm o costume de frequentar a cancha, o anúncio oficial de que o público passava de 1 mil pagantes causou estranhamento regado – e de felicidade, diga-se de passagem (é impossível torcer contra o NAC). Da parte dos visitantes, uma quantidade considerável de atibaienses (algo em torno de 70) compareceu, o que é um ótimo número para a divisão.

O número de pessoas no estádio não deixa de mostrar as dificuldades das duas equipes. O Nacional, por ter passado anos longe de glórias e ter visto a Barra Funda mudar muito desde que se instalou por lá (praticamente desde que foi fundado), perdeu a maior parte de sua torcida. Não houve uma renovação de fãs ao longo dos anos, e agora o time terá que reconquistar seu espaço em uma geração com a qual não possui vínculo.

Em relação ao Atibaia, trata-se de uma equipe nova, com 9 anos de vida, em uma região que já conta com um clube tradicional, o Bragantino. Se o Nacional está cercado de dois gigantes, além de outros dois que estão em situação melhor mas com futuro incerto, o “rival” do Atibaia é uma equipe que procura reconquistar seu público, e que já foi campeã paulista, além de ter disputado competições internacionais. Além disso, o SCA tem mandado boa parte de seus jogos em Bragança, enquanto o estádio Salvador Russani é readequado.

Vamos ao jogo. O primeiro tempo começou com o Atibaia tentando especular, jogando pelo resultado, afinal tinha a vantagem do empate. A tática adotada pelo técnico Luiz Muller só não deu certo por conta de um detalhe: a pouca competência do Nacional no ataque. O time da casa não conseguiu exercer a pressão esperada de uma equipe que joga em seus domínios e precisa do resultado.

O time da capital oscilou em vários momentos do campeonato, alternando apresentações espetaculares com momentos tenebrosos, não raro na mesma partida. O Atibaia, que fez uma campanha segura e consistente, empolgando com goleadas categóricas e decepcionando em raros momentos, vendo o cenário, decidiu ir para frente, sufocando o Nacional e criando quatro boas chances até os 25 minutos. Aos 30, em uma falha de comunicação bisonha entre o goleiro Carlão e um zagueiro (que não consegui identificar), o Atibaia ganhou um pênalti, que o veterano Fernando Gaúcho cobrou com maestria: forte e rasteiro, no canto direito, deslocando o arqueiro. Após o gol, os mandantes deram uma acordada, e poderiam ter alcançado o empate com um chute de dentro da área que quase encobriu o goleiro Walter. Ainda assim, o 1×0 para os visitantes foi um placar justo.

No 2º tempo, uma certeza: ou o Nacional continuava naquela leseira ou o time jogaria o fino – não havia espaço para o meio termo. Inconformado com sua equipe, o técnico Carlinhos deu uma bronca daquelas. O NAC voltou com outro espírito, alcançando o empate logo aos 6 minutos com Bruno, que, após receber um belo passe de Gindre, finalizou com uma cavadinha, tirando qualquer chance do arqueiro Walter. Oito minutos mais tarde, depois de um bate-rebate na área, o volante Fernando, que não vinha fazendo um bom jogo, foi pra cima da bola e marcou o segundo. Alguns minutos depois o Nacional poderia ter ampliado, novamente com Bruno, mas a bola bateu na trave.

A equipe da casa teve várias oportunidades de fazer o terceiro e matar o jogo, no entanto, não converteu nenhuma delas, o que fez com que o Atibaia fosse para o ataque. O time interiorano fez uma pressão muito intensa nos dez minutos finais, mas não conseguiu alcançar o empate. O caneco acabaria na capital paulista. Uma breve confissão: estar em um estádio durante uma comemoração de um título é uma sensação difícil de explicar.

Alambrado caído. Foto - Acervo pessoal

Alambrado caído. Foto – Acervo pessoal

Uma cena curiosa, dessas que só se vê uma vez na vida, ocorreu durante a comemoração. Os jogadores foram encontrar a torcida e subiram no alambrado, que não aguentou o peso e simplesmente caiu. Foi uma queda lenta, o que permitiu que todos fugissem com segurança. Em uma situação normal, todos ficariam extremamente abalados, mas naquele estado de catarse, esse fato só tornou as coisas mais pitorescas. De toda forma, isso é algo que jamais deveria ter acontecido, e entristece a qualquer fã do futebol a possibilidade da grande mídia ridicularizar não só a final, mas o campeonato todo, por conta deste evento.

Já eram 14 anos sem títulos da equipe da Barra Funda, que agora volta para a A3, na qual fará o clássico contra o Juventus, enquanto o Atibaia terá de esperar um pouco mais para poder ter uma chance de conquistar seu primeiro título profissional. O futuro para as equipes que alcançaram o acesso não é dos mais certos, mas, por ora, vamos apenas festejar o retorno de uns e a estreia de outros, e torcer pelo bom andamento do esporte que tanto amamos.

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Paulista e torcedor do Santo André. Historiador, acompanha o futebol como um todo, mas sobretudo o lado mais alternativo da coisa.