DPF Entrevista: Euller, o Filho do Vento

Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Ex-jogador de vários grandes clubes, como América Mineiro, São Paulo, Atlético Mineiro, Palmeiras e Vasco, Euller, intitulado o “Filho do Vento” pelo locutor esportivo Milton Naves, foi um dos ótimos atacantes do futebol brasileiro nos anos 90 e 2000, tendo formado grandes duplas de ataque, sobretudo com Renaldo, no Galo, e Romário, no Vasco.

Durante sua vitoriosa trajetória, que inclui aparições com a camisa canarinha no início do século, Euller levantou troféus de quase tudo o que disputou, sagrando-se campeão de Campeonatos Mineiros por América e Atlético, da Recopa Sul-americana pelo São Paulo, da Copa Libertadores da América e do Torneio Rio São Paulo pelo Palmeiras, do Brasileirão e da Copa Mercosul pelo Vasco da Gama, e, ainda, do Campeonato Paulista com o São Caetano e do Módulo II do Mineiro e da Série C em sua volta ao América.

Com muita solicitude e paciência, o “Filho do Vento” concedeu entrevista exclusiva ao Doentes por Futebol.

Wladimir Dias (DPF): Euller, você teve a oportunidade de jogar em grandes clubes, o Atlético, o América, o São Paulo, o Palmeiras, o Vasco… A gente sabe do seu carinho pelo América, mas você guarda um carinho especial por outro clube? Talvez o Atlético?

Euller: Então, eu não posso ser ingrato com nenhum, mas no América eu joguei doze anos, boa parte da minha carreira, então tenho um respeito e um carinho muito grande, amizades até hoje. O Atlético pela torcida, por tudo que a torcida fez, né, então eu tenho esse carinho por essas duas equipes e hoje divido 50% da minha torcida para eles.

Wladimir Dias (DPF): Nessa final de quarta-feira, da Copa do Brasil, vai torcer para o Galo?

Euller: Sim, vou torcer porque eu joguei lá, então eu tenho. É uma final inédita, uma final inesquecível e a esperança é que ela entre para a história positivamente para o lado do Atlético.

Wladimir Dias (DPF): Em 2004, pelo São Caetano, você teve a oportunidade “estranha” de jogar um jogo decisivo que podia decretar o rebaixamento do Atlético. Como foi essa experiência?

Euller: Esse foi um momento marcante na minha careira porque foi um momento em que eu tive meu nome gritado pela torcida do Atlético, jogando pelo São Caetano, então foi um momento inesquecível, um momento marcante e que eu guardo até hoje na minha memória.

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Wladimir Dias (DPF): Se tivesse que escolher um dos títulos que você conquistou como o mais importante de sua carreira, qual você escolheria?

Euller: Sem dúvida nenhuma que é a Libertadores, tudo envolve a Libertadores. Faz-se planejamento, se contrata, move o torcedor, a imprensa, a diretoria, nós jogadores, tudo o que envolve é em cima da Libertadores e quando você a conquista você tem que comemorar e tem que ser a maior conquista.

Wladimir Dias (DPF): Certa vez, o Romário chegou a falar que o melhor parceiro de ataque que ele teve foi você. Como era a convivência com ele e é ter sido chamado por ele como o melhor parceiro que ele teve, um cara tão importante?

Euller: Para mim é um motivo de muito orgulho, de satisfação. Ele foi para mim o parceiro ideal dentro do futebol. Quando eu estava saindo do Palmeiras, tive muitas propostas para ir para vários clubes, até mesmo para a Europa, mas eu optei para ir para o Vasco da Gama, pelo motivo, primeiro, de realizar o sonho de jogar ao lado dele, porque eu acreditava que a minha característica ia se casar com a dele. E, de fato, aconteceu e formamos uma grande dupla, tanto no Vasco da Gama quanto na Seleção.

Wladimir Dias (DPF): Sobre jogar na Seleção, todos sonham, claro, com você não deve ter sido diferente. Você chegou à Seleção com a idade um pouco mais avançada em relação ao que normalmente acontece (29 anos). Como foi essa experiência? Quem era o treinador?

Euller: O Candinho. Na verdade, foi o momento em que eu menos esperava realmente, por ser a primeira vez, mas aconteceu porque foi o melhor momento da minha carreira. Embora eu tenha tido outros momentos muito bons dentro do futebol e em outras equipes, o ano de 2000 se tornou perfeito para mim, tanto no Palmeiras no início do ano quanto no Vasco no segundo semestre. E ainda, de quebra, veio a convocação para a Seleção e poder jogar com o Romário também na Seleção. Foi bastante comemorado por mim porque eu não estava esperando e aconteceu, então é celebrar.

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Wladimir Dias (DPF): O curioso é que o Tardelli também está vivendo o melhor momento da carreira dele aos 29 anos, e agora ele está tendo uma sequência de chances na Seleção. Você acha que a idade pode pesar para uma Copa, ou se o momento dele persistir ele vai continuar sendo convocado?

Euller: Pelo contrário. A melhor idade para um atleta é dentre os 27 anos a 32, 33 anos de idade. O atleta bem preparado, o atleta focado, o atleta realmente com planejamento, essa é a melhor etapa da carreira, que é a etapa de ainda ter força física com a experiência. Aí você une essas duas coisas com o talento que você tem, realmente você se destaca. É o que está acontecendo com o Tardelli, ele está sendo premiado pela sua dedicação, por tudo que está fazendo e está sendo um dos destaques tanto no Atlético quanto também na Seleção.

Wladimir Dias (DPF): A que você atribui esse sucesso do futebol mineiro que tanto tem se falado, com Atlético e Cruzeiro na final da Copa do Brasil, Cruzeiro Campeão Brasileiro, América e Boa Esporte na iminência de uma subida à série A?

Euller: Primeiramente, pelo simples fato de as equipes estarem se preparando melhor, planejando, entendeu? E acreditando no trabalho de seu treinador, preservando a integridade do seu treinador, fazendo boas contratações, fazendo com que os pagamentos fiquem em dia para os seus atletas, sendo sincero, sendo correto, e, claro, montando uma grande estrutura física para realmente dar esse suporte a um bom trabalho da sua equipe.

Wladimir Dias (DPF): Para finalizar, se você tivesse que escolher um jogo da sua carreira, o mais emocionante, o mais importante, qual seria?

Euller: O jogo mais emocionante da minha carreira foi Palmeiras e Flamengo, no Parque Antártica, 4×2, nas quartas de final da Copa do Brasil, em 1999, onde eu tive o prazer de entrar e ter feito dois gols de cabeça, que selaram a classificação do Palmeiras.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 25 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo e na Revista Relvado.