Feliz ano velho

  • por João Almeida
  • 6 Anos atrás

Era para 2014 ser diferente. Todo ano traz consigo a esperança de ser melhor que o anterior, mas este trazia consigo a promessa de libertação de uma abstinência que perdurara por muito. 2014 marcaria a volta do gigante e os anseios que ela acarretaria enchiam de otimismo aquela que é tida como uma das mais pessimistas torcidas do país.

A sensação de que tudo seria diferente disfarçou bem o que ocorria com o clube. As mazelas de uma gestão no mínimo criminosa foram ofuscadas pela simples vontade de crer que o ano iniciaria uma nova era, sem os problemas de outrora. Todos os prenúncios de que o que se sucederia não seria o esperado foram devidamente ignorados até o último momento. Talvez se desfazer do time vitorioso do ano anterior fosse necessário para sanar os cofres; talvez contratar um técnico inexperiente para comandar o time na Libertadores fosse uma boa ideia; talvez não fosse necessário repor todas as peças.

Acontece que talvez a “tragédia anunciada” repetida exaustivamente pelos botafoguenses quando o rebaixamento já era iminente tenha sido anunciada durante o curtíssimo período de vacas gordas. E, como uma bola de neve, a realidade passou de imperceptível a evidente, até tornar-se insustentável. A Libertadores foi encerrada prematuramente; o Carioca, prematuramente ignorado. A Copa do Brasil foi simbólica ao mostrar o contraste entre a verdade e o desejo. A classificação heroica não tardou a contrastar com um duro choque de realidade.

Durante o ano, o que se viu foi uma sucessão de erros. Viu-se um time desfeito, que em momento nenhum parou de se desfazer – nem mesmo quando era remendado. Peças importantes foram vendidas, e a sequência de vendas culminou em uma série de demissões inéditas até mesmo para o antro de incompetência que é o futebol brasileiro. Em resposta, foram contratados desconhecidos e um velho conhecido, cujos problemas também eram de conhecimento geral.

A grande verdade é que nada de certo foi feito quando tudo conspirava para a melhora. Aos poucos, a verdadeira face de 2014 apareceu e fechou o ano da pior maneira possível, antes mesmo de seu fim, como se o clube optasse por uma eutanásia em meio a tanto sofrimento. O que aconteceu dentro dele o condenou, pois os adversários pareciam pedir para que tudo desse certo. Contudo, com o fim do jugo da antiga gestão, uma luz no fim do túnel talvez possa ser avistada. Talvez, em uma divisão inferior, 2015 seja, de fato, um ano diferente. Talvez seja melhor optar pelas incertezas, ainda que em meio a uma única certeza: o Botafogo é maior do que isso.

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