Hennes VIII: a oitava geração da mascote que faz a história do Colônia

Foto: Hennes VIII - Facebook Oficial

Foto: Hennes VIII – Facebook Oficial

Que tipo de animal vem a sua cabeça quando se fala de mascotes de clubes de futebol? Muitos se lembrariam de bichos ferozes ou que ao menos transmitem medo, como um tigre, leão, raposa ou até mesmo uma águia. Por questão de segurança e até mesmo como forma de cativar o público infantil, os departamentos de marketing dos times optam por explorar esses animais – no bom sentido, por favor, defensores dos animais – com fantasias e ações promocionais para animar o torcedor no decorrer dos jogos. Mas há clubes que preferem explorar as mascotes de forma diferente.

Um caso marcante é o do Colônia, da Alemanha. Primeiro campeão da Bundesliga, em 1964, o clube da Renânia do Norte-Vestfália tem um bode como mascote. Mas não é simplesmente um corajoso cidadão trajado em uma abafada fantasia simbolizando o animal. É um bode mesmo, chamado de Hennes VIII. O que para muitos é um animal que lembra o interior e a vida no campo é um estilo de vida e exemplo para os torcedores do time.

“Quando cheguei no Colônia e soube que era um bode, fiquei surpreso. Mas como todo clube tem um mascote, não dei muita importância, até que no meu primeiro jogo no estádio, eis que ele entra em campo junto com a gente. Ai sim fiquei surpreso! E o melhor é que ele fica ali do lado do campo enquanto jogamos. É muito legal e a torcida tem uma identificação enorme com o bode”, recorda o zagueiro Pedro Geromel, que defendeu o Colônia de 2008 a 2013 e atualmente joga no Grêmio.

Foto: FC Koeln - Atualmente no Grêmio, Pedro Geromel foi titular da zaga do Colônia

Foto: FC Koeln – Atualmente no Grêmio, Pedro Geromel foi titular da zaga do Colônia

Já é a oitava geração do bode, que teve tradição iniciada em 1950, quando um cartola do clube o levou de um carnaval para um jogo e o presidente então decidiu adota-lo como mascote. O nome vem do ex-jogador e treinador do clube Hennes Weisweiler, que trabalhou no clube de 1948 a 1952. A lenda conta que o bode urinou na camisa do atleta, por isso o nome.

A fama de amuleto de sorte foi tão grande que Hennes II foi supostamente envenenado por torcedores do Borussia Mönchengladbach, rival do Colônia, em 1970. O clube, porém, afirma que essa história não é verdadeira. “Em agosto de 1970, Hennes II morreu em função de uma mordida de um Pastor Alemão”, descreve o Colônia em seu site oficial.

No início dos anos 2000, Hennes VII – o mais longevo da linhagem, com oito anos – também chegou a causar preocupação aos torcedores por não poder pisar no gramado do estádio RheinEnergie. Na época, a doença Vaca Louca estava preocupando os alemães e, em função disso, o bode foi proibido ir ao estádio.

A sorte de Hennes, porém, parou no tempo. O Colônia vem passando por período de vacas magras – ou bodes magros – dos anos 90 para cá. O terceiro e último título alemão foi apenas em 1978 e o time se tornou “ioiô”, subindo e descendo de divisão. Nesta temporada, por exemplo, disputa a primeira divisão depois de dois anos consecutivos na segundona. O último bode a ver o time campeão nacional foi Hennes IV.

Era publicitária

Foto: Reprodução - Hennes VIII tem até página no Facebook

Foto: Reprodução – Hennes VIII tem até página no Facebook

Hennes VII era “o cara”. Nos anos 90, virou alvo de ações publicitárias, assim como seu sucessor. “Fui contratado para fazer uma propaganda para um banco e a foto principal seria o bode e eu. Acredite: ele é maior de perto e muito mais forte do que você pode imaginar. Fiquei mais ou menos quatro horas no estúdio até que saísse uma foto em que eu estivesse agachado, abraçando o bode, com os dois olhando para a câmera e eu tivesse que parecer descontraído e sorrindo”, lembra Geromel.

Hoje, Hennes VIII tem um cantinho fixo no gramado e, segundo o zagueiro, o típico som do bode já se tornou um alerta aos torcedores durante os jogos. “Quando sai algum gol nos jogos que estão acontecendo simultaneamente, você consegue ouvir um “bééé”, um som parecido com o de um bode e que significa que teve algum gol na rodada, sendo anunciado no telão do estádio. Imediatamente, todos os torcedores já olham para cima para ver de quem foi o gol”, destaca o atleta.

O bode já não pode ser mais considerado um mero mascote. Ele está estampado no escudo do time, nas bandeiras e cachecóis dos torcedores. Ele realmente faz parte do clube.

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Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.