Jemerson: uma revelação inesperada

Por O Futebólogo

Que o Atlético Mineiro costuma revelar bons jogadores de suas categorias de base não é mistério para ninguém. Apesar disso, após um início de ano titubeante e com as perdas de Nicolás Otamendi, cujo empréstimo findou-se, e do capitão Réver – que sofre com lesões crônicas em seu tornozelo e foi submetido a procedimento cirúrgico – não se esperava grandes feitos da defesa alvinegra, principalmente com o sabido ingresso de Edcarlos, defensor cuja contratação foi extremamente contestada.

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Foto: atletico.com.br

Inesperadamente, o experiente e rodado zagueiro, que substituiria duas grandes referências da zaga, também se lesionou às vésperas da final da Recopa Sul-Americana e um jovem, que não inspirava muita confiança no torcedor, ganhou sua grande oportunidade. Jemerson assumiu a titularidade alvinegra ao lado de Leonardo Silva e ajudou o Galo a conquistar o torneio continental de forma emocionante, como tem sido praxe do lado alvinegro das Minas Gerais.

https://www.youtube.com/watch?v=tDf8DMCrxdw

Com o passar do tempo, o baiano de Jeremoabo, à mineira, foi cavando seu espaço no time titular, com muita tranquilidade e calma, bom posicionamento e muita firmeza. Jemerson, que no ano passado atuara em apenas cinco partidas, conquistou não só um lugar na equipe principal, mas também o apreço e o carinho de um torcedor que desconfiava dos predicados de um garoto que já tem 22 anos e, até então, não havia tido relevante destaque. No ano, já disputou 32 jogos e marcou dois gols.

Apesar de não ser grandalhão, tendo “apenas” 1,84m, o camisa 35 do Galo tem estado, ao lado de Leonardo Silva – que também vive momento fantástico aos 35 anos –, intransponível na defesa atleticana.

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Foto: atletico.com.br

Prova disso são manchetes como “Pesadelo de Marcelo Moreno”, em referência à belíssima e impecável partida do beque na primeira partida da final da Copa do Brasil. Na competição, segundo o site Footstats, dos 22 desarmes que tentou, foi efetivo em 21.

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Humilde e consciente de tudo o que viveu – acumulando dispensas de clubes como Palmeiras, Santos e Vasco e ganhando sua primeira oportunidade na base do modesto Confiança, de Sergipe – o jovem destaca que seu sucesso atual é fruto de um trabalho gradativo, de anos. Além disso, tendo trabalhado com zagueiros do porte de Léo Silva, Réver, Otamendi e Gilberto Silva, Jemerson destaca o aprendizado com os companheiros.

“No Santos, passei quase dois meses, não sei por que não fiquei. Estava num período de teste, mas treinava com o grupo todo, estava pronto até para viajar e não liberaram porque não tinha contrato. Surgiu, então, a oportunidade do Palmeiras, outro mês em avaliação, era complicado, morava com meu irmão e tinha de sair às 4h da manhã para treinar. E, por fim, estive por uma semana no Vasco, a situação da base é complicada ali,” relatou à ESPN

“Tenho sido elogiado e o trabalho que venho fazendo não é de um dia, é de anos. Venho forte para chegar nas partidas e conseguir ter boas atuações. (…) Me inspiro em todos. Tem que tirar a qualidade de cada um. Tem que prestar atenção para fazer o melhor em campo (…),” disse ao Superesportes

“A tranquilidade faz parte do meu estilo. Desde os campos de várzea eu era assim. Não fico intimidado. Era novo, jogava com os mais velhos,” contou ao Globoesporte.com

Outro ponto interessante de se ressaltar é a maturidade do defensor. Mesmo com a liberdade dada pelo clube antes dos jogos em casa – não existindo mais a tradicional concentração – Jemerson, que vive sozinho em Belo Horizonte, antes de jogos importantes e juntamente com o atacante Marion, prefere se recolher na Cidade do Galo, centro de treinamentos do Atlético. Após o jogo de ida da final da Copa do Brasil, falou sobre isso.

“Resolvi ir para o CT porque estávamos às vésperas do duelo mais importante do ano para nossa equipe. Temos um lugar tranquilo e onde a gente tem quase tudo o que tem em casa, acho que foi essencial para que a gente descansasse e focasse completamente na partida contra o Cruzeiro. Não que a gente não faça isso normalmente, mas o hotel do clube é um lugar e onde a gente tem certeza de que vai ficar bem tranquilo e ainda tem a ‘resenha’ com o pessoal da base, onde tenho muitos amigos até hoje, que ajuda a distrair e passar o tempo,” falou ao Superesportes

Após seu último jogo contra o Cruzeiro, Jemerson recebeu merecidos elogios de diversas partes, do treinador Levir Culpi, de Pierre e Maicosuel, seus companheiros, e, de forma geral, da imprensa.

“O que me chama a atenção é a personalidade. É um moleque novo fazendo jogos importantes. Sem dúvida, a personalidade e a tranquilidade que ele tem ali atrás são motivos para dar os parabéns para ele,” disse Pierre ao Globoesporte.com. Outra mostra do reconhecimento de seu trabalho é a atual segunda posição de Jemerson no tradicional prêmio Bola de Prata da Revista Placar.

“Pesadelo” dos rivais, o Pacato Cidadão – parafraseando a também mineira banda Skank – tem tido conduta exemplar dentro e fora das quatro linhas, e de revelação inesperada já põe em cheque a titularidade do antigo capitão, Réver, que terá que suar muito a camisa para retomar seu posto de titular. Afinal, com esse desempenho, uma coisa é certa: a absoluta titularidade de Jemerson.

https://www.youtube.com/watch?v=PcdHY1w-Itg

 

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.