O valor de uma boa dupla de volantes

Arte: Doentes por Futebol | Wanyama e Schneiderlin têm demonstrado a importância de se ter bons volantes.

Por O Futebólogo

Quantas vezes não nos deparamos com grandes times cujos bons resultados dependeram do desempenho ímpar de seus volantes? Quantas duplas de centro-campistas não marcaram a história do futebol? Falcão e Cerezo; Patrick Vieira e Claude Makélélé; Roy Keane e Paul Scholes; Andrea Pirlo e Gennaro Gattuso; poucos exemplos de um rol de incontáveis possibilidades. Hoje, a principal surpresa da Premier League, o Southampton, nos mostra que talvez o volante brucutu esteja morrendo, mas que jogadores de contenção ainda são determinantes.

Um é francês e o outro queniano, Morgan Schneiderlin e Victor Wanyama, respectivamente. O primeiro tem na qualidade de seu passe, posicionamento e visão de jogo seus pontos mais fortes, o outro, com sua força física explosiva, é bom nas roubadas de bola e na marcação mais apertada, sem, contudo, perder a qualidade técnica e a força ofensiva. Em comum, nesta temporada, os dois têm mostrado uma peculiar predileção pelos avanços ao ataque e pelo fator surpresa. Juntos, já marcaram seis gols em 2014-2015.

Presença certa e contínua nas seleções francesas de base, Schneiderlin chegou ao Southampton em 2008, aos 18 anos, e viveu maus bocados no clube, passando pela Segunda Divisão (nas temporadas 2008-2009 e 2011-2012) e na Terceira (entre 2009-2011). Entretanto, seguiu na equipe e hoje encontra-se no melhor momento de sua carreira, sendo titular na Premier League e figura carimbada nas convocações para a Seleção Francesa principal. Ao todo, o jogador de 24 anos já disputou 239 partidas pelos Saints.

Arte: Doentes por Futebol | Schneiderlin esteve na Copa do Mundo deste ano

Arte: Doentes por Futebol | Schneiderlin esteve na Copa do Mundo deste ano.

Wanyama, por sua vez, chegou ao futebol inglês em 2013, vindo do Celtic. Criado no futebol de seu próprio país, passou um breve período no Helsingborg, da Suécia, para onde foi levado junto de seu irmão, McDonald Mariga, ex-Inter de Milão e atualmente no Parma. Contudo, após a saída de seu consanguíneo para o futebol italiano, retornou ao Quênia. Apesar disso, rapidamente foi aprovado em um teste no Beerschot AC, da Bélgica, onde iniciou sua carreira profissional. Atual capitão da Seleção Queniana, Wanyama é também o primeiro jogador de seu país a atuar na Premier League.

Se a temporada passada serviu para que os jogadores se conhecessem, não tendo sido tão positiva para a dupla – muito em função de lesões sofridas pelo africano –, na atual, sob o comando do competente Ronald Koeman, o potencial dos jogadores está sendo explorado com muita eficácia.

As estatísticas confirmam a eficiência do par, tanto defensiva quanto ofensivamente. Schneiderlin é o terceiro jogador com maior número de desarmes do Campeonato Inglês, com 33, atrás apenas de Nathaniel Clyne e Mile Jedinak. Por outro lado, seu passe, cuja média de distância é de 18m, também tem se mostrado extremamente qualificado, com 89% de aproveitamento, segundo o site Squakwa.

Arte: Doentes por Futebol | Wanyama passou pelo Celtic antes de chegar aos Saints.

Arte: Doentes por Futebol | Wanyama passou pelo Celtic antes de chegar aos Saints.

Seu parceiro, Wanyama, tem uma média de 87% de aproveitamento de passes, que têm em média 17m. Além disso, já realizou 25 desarmes, qualificando-se como o oitavo maior tomador de bolas da Premier League. Considerando sua capacidade de aproximação ao ataque, seu desempenho ofensivo também é admirável. O jogador, de 23 anos, apresenta 75% de acurácia em chutes ao gol.

Se o Southampton brilha com seus jogadores de frente, sobretudo com Dusan Tadic e Graziano Pellè, muito disso deve-se ao desempenho de seus volantes, que lhes têm garantido tranquilidade para avançar e também têm sido vitais na distribuição de bolas. Além disso, foi só por meio da atuação de Schneiderlin, autor de dois gols, que os Saints bateram o West Ham. Já por meio dos gols de Wanyama, vieram as magras vitórias, por 1×0, contra Hull City e Swansea City.

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Completos e complementares, Schneiderlin e Wanyama encontraram, um no outro, sua cara metade, provando e reiterando a importância de bons volantes às equipes. Quem agradece é o torcedor do Southampton, que tem visto seu time brilhar e se superiorizar a algumas das grandes potências do futebol inglês.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.